por José Gilbert Arruda Martins
É tarde para regulamentação da mídia?
Agora é tarde, depois que um senhor que se diz ator, ir a um programa de auditório e fazê-lo gargalhar com uma história absurda dessa?
É tarde para o país cuidar concretamente dos seus jovens?
Como cuidar se não cuida de regulamentar a TV, por exemplo?
Não é censura, é cuidar para que as emissoras tenham o mínimo de respeito pela sociedade, principalmente, no caso específico, a milhões de brasileiros e brasileiras negros e negras e, muitos que seguem as religiões de matriz africana.
A juventude, muitas vezes não debate os temas como legalização do aborto, racismo, pena de morte, menoridade penal...na escola, mas é obrigada a ouvir e assistir a esse tipo de indivíduo proferir discurso racista e violento na TV.
Coletivo Intervozes pede suspensão do programa “Agora é Tarde”
Priscila Ferreira | Imagem: Agência Brasil/Creative Commons
Nessa quarta-feira (4), o coletivo de comunicação Intervozes encaminhou ao Ministério das Comunicações uma representação contra a Bandeirantes e o programa “Agora é Tarde”, apresentado por Rafinha Bastos. De acordo com a organização, ao veicular a entrevista com o ator Alexandre Frota, a emissora banalizou e incentivou o crime de estupro.
Na ocasião, o entrevistado narra o suposto estupro de uma mãe de santo, em meio a risos do apresentador e da plateia. Exibida originalmente em maio do ano passado, a entrevista foi reprisada e gerou grande número de manifestações na web que consideraram o conteúdo ofensivo e criminoso para mulheres e representantes de religiões afro-brasileiras. Após questionamento de uma internauta, o apresentador alegou se tratar de uma história fictícia.
Na representação, o Intervozes destaca uma extensa relação de normas em vigor para a radiodifusão e demais leis do ordenamento jurídico brasileiro e pede a responsabilização da Band pelo ocorrido. Em função de reincidência, o coletivo pediu a aplicação da pena de suspensão do “Agora É Tarde”.
“O episódio em questão não é violento apenas para a mulher vitimada diretamente na história, mas para todas as mulheres. E não há dúvidas sobre o impacto que conteúdos como este podem ter na naturalização, legitimação e perpetuação da violência contra a mulher em nosso país”, afirma a nota.
Essa não é a primeira vez que o apresentador Rafinha Bastos foi envolvido em polêmicas relacionadas à violência contra as mulheres. Em 2011, a cantora Wanessa Camargo processou o apresentador porque ele comentou, durante edição do programa CQC, que ele “comeria ela e o bebê” ao mesmo tempo, ao se referir à gravidez de Wanessa. Bastos também foi chamado a depor sobre a declaração de que mulher feia devia ver o estupro como “oportunidade” e não “crime”, durante uma peça de teatro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário