Toda a imprensa brasiliense noticiou, na última semana, o sucesso alcançado pelos estudantes das escolas públicas do Distrito Federal no PAS (Programa de Avaliação Seriada da UnB. De dois mil aprovados em primeira chamada, 861 vieram da rede pública, resultado que enche de orgulho a toda a comunidade escolar.
Rosilene Corrêa
Para a imprensa, o resultado é uma “surpresa”, afinal, não raro ela costuma revelar sua discriminação em relação ao ensino público. Mais do que isso: para alguns, o espírito privatista é tamanho que a escola pública é algo a ser combatido.
O discurso de Alexandre Garcia no telejornal local da TV Globo na quinta-feira (14/1) é sintomático disso. O colunista destilou todo o seu preconceito em “comentário” que desqualificou o desempenho dos estudantes, o trabalho dos profissionais nas escolas e, especialmente, a política de cotas adotada pelo governo federal há quase 4 anos.
Ainda não conformado com o fato de que nosso país não é mais “propriedade” de poucos, Alexandre Garcia se apoiou em argumentos meritocráticos, ultrapassados, para classificar as políticas de ação afirmativa como “empurrãozinho”, ignorando todos os indicadores de desempenho dos estudantes cotistas nas universidades. Garcia, como lhe é peculiar, preferiu naturalizar e reforçar a lógica de exclusão que prevaleceu em nosso país durante 500 anos, bem como a ânsia raivosa da elite brasileira de ter toda a nação sob domínio de seus interesses privados.
Entretanto, o desrespeito com que boa parte da mídia trata a escola pública, seus profissionais e estudantes não é empecilho para que nosso trabalho floresça e dê frutos. Em 2015, foram 29 dias de greve e, ainda que a paralisação representasse prejuízo para o calendário escolar, o compromisso com nossos estudantes assegurou o cumprimento do calendário de reposição, evitando que os jovens fossem prejudicados em relação aos estudantes das escolas privadas. Mas é mais do que isso: são lutas como aquela que pavimentam o caminho para se atingirem resultados positivos: uma educação de qualidade só se faz reivindicando melhorias, fomentando a capacidade crítica e o exercício da cidadania.
Vale lembrar que a avaliação seriada em questão foi realizada entre os anos de 2013 e 2015, sob o impacto direto dos resultados da greve de 52 dias que nossa categoria enfrentou em 2012. Dela, veio um novo Plano de Carreira para o nosso Magistério Público (sumariamente, desrespeitado pelo atual governo do DF) e a nomeação de mais de cinco mil novos professores (as).
Se nossos estudantes conquistaram tão positivo resultado em condições que, infelizmente, ainda estão distantes de serem as ideais, imaginem aonde eles podem chegar se o GDF procurasse atender às necessidades das nossas escolas, valorizando profissionais da educação, contratando orientadores (as), fortalecendo a gestão democrática. Imaginem quantos estudantes deixaram de participar da prova e ingressar numa das melhores universidades do país porque suas famílias não tinham R$ 100,00 para pagar a taxa de inscrição!
É para alcançar vitórias ainda maiores que continuaremos lutando para superar as adversidades e conquistar mais vitórias. Parabéns aos (às) nossos (as) estudantes! O sucesso de vocês dá sentido à nossa luta cotidiana por uma educação de qualidade, em defesa da escola pública e por um mundo de igualdade e justiça.
*Rosilene Corrêa é diretora do Sinpro-DF e da CUT Brasília
Fonte: Sinpro
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