segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

"Descobrir Bowie era quase um rito de passagem"

por José Gilbert Arruda Martins

Era uma sexta-feira à noite, rua São Paulo do Norte, praça Raimundo Simas (que o prefeito José Jorge destruiu). Estar ali, nas férias de julho, era mais que curtir as noites de frio da chapada grajauense, mais que flertar com as lindas garotas da cidade, mais que uma boa conversa sobre política, nas noites de sexta-feira, sábado, domingo... na praça, era também para ouvir David Robert Jones ou apenas David Bowie.



https://www.google.com.br/search?q=imagem+de+David+Bowie&rlz


Grajaú, julho de 1985, qual o jovem natural daquela cidade, e que teve a oportunidade de estudar na capital, não desejava, ardentemente a chegada das férias para aproveitar o "Canecão", as festas no Clube Recreativo Cultural Grajauense?

1980, "a década perdida", para alguns economistas, para nós não, além de fazer um pouco de política durante o dia, tínhamos um encontro com David Robert Jones, à noite.

Até agora, havíamos perdido no tempo, somente as sextas feiras na discoteca Arabutã do "seu" Amadeu. Hoje, perdemos também um dos mais espetaculares artistas do século XX, perdemos o cara que embalava parte de nossos sonhos de juventude.

David Bowie, estava distante fisicamente de cada um de nós, sua música, no entanto,  fazia parte dos nossos dias, mas apesar da distância física, éramos como amigos de David.

Nós, nascidos em Grajaú, cidade situada na região Centro-Sul do Estado do Maranhão; ele em Brixton, Londres em 8 de janeiro de 1947, a 8.855 km de distância.

O artista genial se foi (10 de janeiro de 2016, em Manhattan) sem nos conhecer pessoalmente, sem conhecer seus grandes amigos de Grajaú, mas suas canções ficarão em nossas almas por um longo tempo. 

David, conheceu o proprietário da discoteca, o cara que nos apresentou Bowie, "seu" Amadeu, que viajava cerca de 1,2 mil km para buscar o Bowie em Fortaleza. O LP não era muito vendido na cidade, alguns poucos nativos gostavam, o disco servia, principalmente, para que nós, amigos de David, pudéssemos ouvi-lo noite após noite.

Namorar? Só após ouvir uma das mais brilhantes vozes do rock, a boate estava ali todos os dias, David não, ele poderia, como um belo camaleão, transformar-se e, sorrateiramente fugir da visão e ouvidos de seus grandes amigos das sextas-feiras.

Ouvir  "Blue Jean", "Loving The Alien", "Tonight" ou "Dancing With The Big Boy", belas e maravilhosas canções do "Camaleão do rock", era quase um rito de passagem. Para nos sentir liberados e fortalecidos em nossos espíritos e aproveitar o restante da noite, tínhamos que ouvir antes David Bowie.

Deixamos, perdidas no tempo, as noites deslumbrantes da cidade bicentenária, ficaram para trás, quase perdendo-se em nossas memórias já desgastadas pelo tempo, as grandes noites de sexta feira. A cidade já não é mesma, cresceu, encheu-se de gente, de comércio, de motos - irritantemente barulhentas -, mas nossos corações não mudaram, nossas lembranças do amigo David estão vívidas.

Obrigado "seu" Amadeu, por ter nos proporcionado conhecer o David, sem ele e suas belas canções, talvez não fôssemos os homens e mulheres que somos hoje, mais abertos para o novo, mais confiantes de que as mudanças camaleônicas são boas e saudáveis para, possivelmente, entendermos melhor os grandes desafios que a vida nos trás.

Obrigado amigo David!


Imagem

Para marcar o 60º aniversário de David Bowie em janeiro de 2007, a BBC publicou uma matéria com 60 fatos a respeito do cantor, ator e artista britânico.


Infância

1. David Bowie nasceu no bairro de Brixton, em Londres, no dia 8 de janeiro de 1947 com o nome de David Robert Jones. Ele faz aniversário no mesmo dia que outro ícone da música, Elvis.

2. A família de Bowie se mudou para Bromley quando ele completou seis anos.

3. O cantor foi à Escola Secundária Técnica de Bromley, atualmente chamada de Escola Ravenswood.

4. O guitarrista Peter Frampton foi amigo de escola de Bowie. O pai do guitarrista era diretor do departamento de arte. Frampton tocou guitarra com Bowie várias vezes durante sua carreira.

5. A pupila direita de Bowie é permanentemente dilatada pois seu amigo George Underwood acertou um soco em seu olho quando os dois ainda estavam na escola. O motivo da briga foi uma garota.

6. Underwood e Bowie continuaram bons amigos com Underwood sendo o responsável pela arte de design de alguns dos álbuns do início da carreira de Bowie.

7. Bowie começou a tocar saxofone aos 12 anos.

Antes da fama

8. O primeiro lançamento de sua carreira foi Liza Jane/Louie Louie Go Home, em junho de 1964, ainda com o nome Davie Jones, na banda King-Bees.

9. Mais tarde ele mudou seu nome para Bowie para evitar confusão com o integrante dos Monkees, Davy Jones.

10. Bowie é pronunciado para rimar com Joey.

11. Aos 17 anos ele foi entrevistado em um programa da BBC como o fundador da Sociedade para a Prevençaõ da Crueldade com Homens de Cabelos Longos. "Não é legal quando as pessoas chamam você de querido e tal', disse Bowie na época.

12. Por volta de 1967, ele escreveu músicas para o ator britânico Paul Nicholas, que gravou a obra usando o nome Oscar.

13. Ele lançou seu álbum de estréia, cujo título era apenas David Bowie em 1967, depois de tocar em várias bandas de pubs e clubes.

14. Em 1967 também foi lançada a música The Laughing Gnome que, segundo muitos fãs, é a pior música que Bowie já gravou.

15. Quando Bowie sugeriu que seus fãs deveriam votar pelo telefone quais as faixas que seriam tocadas em sua turnê mundial de 1990, a música The Laughing Gnome foi a mais pedida. Bowie não tocou.

'Starman'

16. O primeiro sucesso de Bowie na Grã-Bretanha foi Space Oddity, de 1969, usada pela BBC em sua cobertura da primeira viagem tripulada à Lua.

17. O personagem de ficção Major Tom apareceu em três sucessos do cantor, Space Odity (1969), Ashes to Ashes (1980) e Hallo Spaceboy (1996).

18. O primeiro sucesso de Bowie nos Estados Unidos foi a música Fame, em 1975. Além de Bowie, a música também tem como um de seus autores o ex-Beatle John Lennon, que canta no backing vocal.

19. A modelo Twiggy aparece com Bowie na capa do álbum Pin Ups, de 1973.

20. Na época do lançamento do álbum Young Americans, de 1975, o fundador da banda Chic Nile Rodgers fez um teste para ser o guitarrista da banda de Bowie. Ele não conseguiu a vaga.

21. Mas, mais tarde, Rodgers produziu o álbum campeão de vendas de Bowie, Let´s Dance, de 1983.

22. Acredita-se que Bowie tenha vendido cerca de 140 milhões de álbuns durante toda sua carreira.

23. Ele foi votado em quarto lugar em uma pesquisa recente do programa da BBC Culture Show, para descobrir qual o maior Ícone Vivo da Grã-Bretanha. Acima de Bowie ficaram David Attenborough, no primeiro lugar, Morrissey, em segundo, e Paul McCartney, em terceiro.

No palco e na tela

24. Bowie foi atingido no olho por um pirulito durante uma apresentação em Oslo, na Noruega, em 2004.

25. Toni Basil trabalhou como coreógrafo de Bowie em sua turnê Diamond Dogs, de 1974. Ela trabalhou mais tarde novamente com Bowie na turnê mundial de 1987, Glass Spider.

26. Em 1970, quando Bowie formou por um breve período a banda The Hype, todos os integrantes se vestiam de super-heróis. Eles eram vaiados em todos os lugares em que tocavam.

27. O cineasta Nicolas Roeg escalou Bowie em seu primeiro papel principal, como o alienígena em O Homem que Caiu na Terra, em 1976.

28. Ele deverá fazer a voz de um personagem em um episódio do desenho animado Bob Esponja.

29. No fime Labirinto, Bowie aparece como o Jareth, o Rei dos Duendes.

30. Sua aparição mais recente foi no filme O Grande Truque, com Hugh Jackman e Scarlet Johansson.

31. Em 1969, Bowie formou seu próprio grupo de mímica, Feathers, além de um outro grupo de arte experimental.

32. Bowie também representou Pôncio Pilatos no filme A Última Tentação de Cristo, dirigido por Martin Scorcese.

33. Entre os personagens mais excêntricos de sua carreira cinematográfica está um agente do FBI chamado Philip Jeffries no filme Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer, dirigido por David Lynch.

Vida pessoal

34. Bowie tem um metro e 78 centímetros segundo a maioria das fontes.

35. O cantor recusou o título de CBE (Ordem do Império Britânico) em 2000 e o título de Cavaleiro do Reino em 2003.

36. Bowie se casou com a modelo somali Iman, em 1992. Eles têm uma filha, Alexandria Zahara Jones, nascida em 2000.

37. Iman tem uma faca do tipo Bowie tatuada em seu tornozelo em homenagem ao marido.

38. Um meio-irmão de Bowie, Terry, que era esquizofrênico, cometeu suicídio em 1985.

39. Nove anos mais velho que David, Terry era a inspiração para músicas, incluindo Aladdin Sane, All the Madmen, The Bewlay Brothers e Jump They Say.

40. Em 2004, Bowie passou por uma cirurgia cardíaca de emergência na Alemanha, para tratar de uma artéria entupida.

O músico

41. Bowie escreveu junto com Lou Reed algumas das melhores faixas do lendário álbum Transformer, de Reed.

42. A música Ziggy Stardust é sobre Vince Taylor, que escreveu a canção Brand New Cadillac que, mais tarde, ganharia uma versão da banda The Clash.

43. Bowie gravou uma versão de Space Oddity em italiano chamada Ragazzo Solo, Ragazza Solo - que significa Menino Solitário, Menina Solitária, literalmente.

44. A faixa Move On do álbum The Lodger é, na verdade, uma versão da música All Young Dudes reescrita de trás para frente.

45. Bowie já participou de dez bandas diferentes - The Konrads, The Hooker Brothers, The King Bees, The Manish Boys, The Lower Third, The Buzz, The Riot Squad, The Hype, Tin Machine and Tao Jones Index (algumas destas bandas se apresentaram com outros nomes).

46. A música de Bowie The Man Who Sold the World já teve covers da cantora Lulu e da banda Nirvana.

47. Bing Crosby gravou com David Bowie seu último single antes de morrer. Sua versão em dueto da música The Little Drummer Boy foi gravada para o Natal de 1977. Foi um sucesso cinco anos depois.

48. Bowie escreveu a trilha sonora para a dramatização de 1993 da obra The Buddah of Suburbia, do autor Hanish Kureishi.

49. Bowie toca saxofone na música To Know Him Is To Love Him do álbum Now We Are Six, de Steeleye Span.

50. O cantor tocou quase todos os instrumentos do álbum Diamond Dogs, incluindo a famosa guitarra da música Rebel Rebel.

Vários

51. Bowie foi o último convidado do programa de TV do cantor britânico Marc Bolan, em 1977. Bolan morreu em um acidente de carro no sudoeste de Londres pouco depois da gravação.

52. Steve Strange, que participou de um reality show da BBC recentemente, estava no vídeo do sucesso de 1980 de Bowie, Ashes to Ashes.

53. As bandas favoritas de Bowie atualmente são Arcade Fire e TV On The Radio.

54. Mary Hopkin, atriz de televisão britânica, faz backing vocals em Sound and Vision.

55. Bowie cantou em uma linguagem totalmente inventada na faixa Subterraneans, do álbum Low, de 1976, quase uma década antes da banda The Cocteau Twins ter popularizado este recurso.

56. A imagem do cantor aparece em todas as capas de seus singles, a não ser na da trilha sonora The Buddha of Suburbia.

57. Bowie é mencionado na música Trans Europe Express, do Kraftwerk ("Meet Iggy Pop and David Bowie - TRANS EUROPE EXPRESS!", ou "Encontre Iggy Pop e David Bowie - Trans Europe Express", em tradução livre), entre outros.

58. Em 1997 David Bowie inova mais uma vez lançando apenas pela internet uma música, Telling Lies. Um ano depois ele lançou seu próprio provedor de internet, Bowienet.

59. Bowie desenha, pinta, escreve e também é escultor em suas horas livres. Seus artistas prediletos são Tintoretto, John Bellany, Erich Heckel, Picasso e Michael Ray Charles.

60. Em seu histórico escolar, Bowie tem apenas uma nota zero, em arte.


Mantenha a fonte ao citar o texto: David Bowie: conheça 60 fatos da vida do camaleão http://whiplash.net/materias/curiosidades/051486-davidbowie.html#ixzz3wxzdOh6H
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Fonte consultada:

https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Bowie

http://whiplash.net/materias/curiosidades/051486-davidbowie.html

Um bebê Kaigang foi assassinado. Cadê as panelas? Cadê a foto de perfil com as cores indígenas?

por José Gilbert Arruda Martins

Hipocrisia, preconceito e muita, muita indiferença, é o que vemos nesse país com a falta de reação ao assassinato do bebê de dois anos Vitor Pinto, da etnia Kaingang, morto em Santa Catarina.


                 Fotos: Jacson Santana e Marina Oliveira (Cimi - Regional Sul)

O assassinato aconteceu no último dia 30 de dezembro e nada até agora de reação.

Cadê as panelas? As fotos com as cores indígenas no perfil do facebook?

E se fosse uma criança branca, rica, filho de um artista global ou de um empresário, a reação seria a mesma?

Escolhemos, baseados em uma moral e ética profundamente duvidosa, a quem ou a que, vamos nos solidarizar ou reclamar. 

Com a hipocrisia de sempre, escolhemos com muito cuidado o momento de reclamar dos políticos, da corrupção e do assassinatos de crianças. 

Se for político de um partido y, reclamo, se for o governo x, sou contra a corrupção, se for criança branca e rica, me solidarizo. Quanta falsidade!

O caso do bebê Kaigang é um exemplo concreto dessa seletividade neonazista.

Ano passado, um atentado terrorista matou vários pessoas em Paris, as redes sociais se encheram de cores da bandeira francesa, até agora, já se passaram, praticamente duas semanas e nada de panelas ou de mudança nas fotos do perfil.

Somos seres humanos, pobres, ricos, pretos, brancos, vermelhos; daqui ou de qualquer lugar do planeta; quando um ser humano é assassinado, devemos chorar por ele ou ela, não importa quem seja ou onde resida.

Selecionar por quem nossas lágrimas caem, é perversidade, é indiferença, é completa hipocrisia.

Um bebê foi brutalmente assassinado, é fato.

É fato que, principalmente no Sul do país, as terras originárias dos vários grupos indígenas, foram invadidas e entregues aos fazendeiros ou grandes corporações nacionais e internacionais.

É óbvio, que, para não morrerem de fome, os grupos Kaigangs precisam vender seus artesanatos para poder sobreviver. Porém, são "proibidos" de circular pelas cidades e pelas praias e ruas livremente.

“Esperamos que haja justiça, que exista respeito e menos discriminação contra o nosso povo”, afirmou Idalino Kaingang, liderança da aldeia Toldo Chimbangue, que fica também em Chapecó. Idalino afirma que existe muito preconceito com os Kaingang que vendem seus artesanatos nas cidades e que, inclusive, já foram expulsos diversas vezes da rodoviária de Chapecó. “Mas eu acho que o direito de ir e vir ninguém pode tirar. O artesanato é algo que é cultural, é histórico do nosso povo. Construíram a cidade em cima da nossa terra e agora querem nos dizer onde podemos ou não podemos ficar”

A Globo, os velhos jornais, a Veja, Isto É...não deram nenhuma atenção ao fato, e se fosse uma criança branca?

A comoção nacional seria enorme, todos, embalados pela manipulação e a "midiotização" global, seriamos levados ao choro coletivo, com cenas de pessoas desesperadas esbravejando na TV exigindo justiça.

Como somos hipócritas!!!


Com informações:

http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=8541&action=read


INDIGNAÇÃO SELETIVA - 'Se não fosse uma criança indígena, a repercussão seria muito grande', diz Cimi

na Rede Brasil Atual

Indígenas da região Sul realizam atos e pedem justiça pelo assassinato de bebê da etnia Kaingang. “Enfrentamos um cenário de muito preconceito”, diz membro do Conselho Indígena Missionário

por Sarah Fernandes, da RBA


Manifestação
Em Curitiba, índios se manifestam contra morte de menino em Santa Catarina


São Paulo – A coordenação do Conselho Indígena Missionário na região Sul condenou a pouca repercussão sobre o caso o bebê indígena assassinado em uma rodoviária de Imbituba, cidade do litoral sul de Santa Catarina. Na manhã do último dia 30, um jovem se aproximou da criança no terminal de ônibus, tirou um estilete do bolso, cortou a garganta do bebê de 2 anos, chamado Vitor, e foi embora.
“Se fosse criança não indígena a repercussão seria muito maior, mas como são indígenas parece que fica só uma comoção nos primeiros dias. A gente tenta ajudar divulgando mais”, disse um dos coordenadores da instituição, Jacson Santana. A opinião é a mesma da mãe do menino, Sônia da Silva: “se um indígena cortasse a garganta de uma criança branca o Brasil viria abaixo. Quero a mesma indignação pela morte do meu filho”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo.
Durante o verão, vários indígenas da etnia Kaingang, como Vitor e os pais, migram para as cidades do litoral catarinense para tentar vender artesanatos, única fonte de renda dos índios da região. A família do bebê passaria todo o verão no local, dormindo na rodoviária. Sônia estava em Imbituba com o marido, Arcelino Pinto, de 42 anos, e os três filhos (além de Vitor, um de seis anos e outro de 12 anos) desde 26 de dezembro.
“O espaço nas aldeias é tão pequeno que ele não tem espaço para plantar e caçar. A única forma de eles sobreviverem é sair para vender artesanatos”, diz Santana. “Enfrentamos aqui um cenário de muito preconceito. Há uma interferência grande do poder público para retirá-los do espaço público, com a visão de que eles estão sujando a cidade e a rodoviária, que é o local de chagada dos turistas.”
Desde quarta-feira (6), indígenas realizam uma série de manifestações exigindo justiça para o caso de Vitor. O primeiro deles foi às 12h, foi na rodoviária onde ocorreu o assassinato. Na tarde do mesmo dia, cerca de 100 indígenas também protestaram no Centro de Chapecó, local de origem da família. Em Curitiba, índios que estão acolhidos na Casa de Passagem Indígena fizeram uma manifestação na manhã de ontem (8) contra a morte de Vitor.
“O preconceito tem muitas formas. Dizer que os índios estão sujando um local é discriminação. No município de São Miguel do Oeste (SC), um caminhão contratado pela prefeitura retirou a força indígenas que estavam na rodoviária. A jornalista que denunciou isso foi até ameaçada”, conta Santana.
A mãe do bebê relatou ao coordenador substituto da Funai em Chapecó (SC), Clóvis Silva, que o crime ocorreu por volta do meio dia, enquanto Vitor brincava embaixo de uma árvore, perto dela. Um homem se aproximou, simpático e sorridente, passou a mão na cabeça da criança, retirou do bolso um estilete, cortou a garganta do bebê e foi embora.

O ainda suspeito pelo crime, Matheus de Ávila Silveira, de 23 anos, foi detido dois dias depois do assassinato e foi encaminhado para o presídio de Tubarão (SC), depois de confessar o crime. O delegado responsável avalia que ele tem características de um psicopata, pois não demonstrou sentir culpa.

domingo, 10 de janeiro de 2016

A direita fascista e o possível redirecionamento das manifestações do MPL

por José Gilbert Arruda Martins

O serviço de transporte coletivo de São Paulo é horrível e caro, o Movimento Passe Livre e a comunidade, tem todo o direito de sair ás ruas para lutar contra o aumento, mas precisa ver o que pode ser feito para evitar urgentemente o uso desse movimento pela direita.


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O Movimento Passe Livre, se tem alguma responsabilidade, direcionamento e planejamento de suas ações, precisa ter a clareza do que a direita fascista fez em 2013 e o que poderá fazer agora. 

Em 2013 as manifestações foram redirecionadas pela direita, juntamente com a mídia, apenas contra o governo federal.

Apesar do cenário ser outro, um pouco melhor que o de 2013, isso porque os principais atores da direita, estão na berlinda, envolvidos com fatos notórios de corrupção, as organizações sociais, que lutam pela cidadania nas ruas, precisam atentar para o fato da manipulação das manifestações democráticas pela grande mídia e pelos golpistas.

O governo de São Paulo de Geraldo Alckmin do PSDB, foi quase que completamente, deixado de fora, pelo menos pela Globo e demais TVs abertas, o ataque se concentrou contra o governo Dilma e inflou os movimentos golpistas daí em diante.

Precisamos lembrar que as manifestações de rua organizadas pelos Movimentos Sociais no final do ano passado, praticamente enterrou o movimento golpista, mas, se o  MPL não tomar as devidas precauções, poderá perder o controle novamente, como aconteceu claramente em 2013, e o caos se instalar, dando novo fôlego à direita do seu Aécio, Moro, Agripino, Cunha...

O serviço de transporte coletivo de São Paulo é horrível e caro, o Movimento Passe Livre e a comunidade, tem todo o direito de sair ás ruas para lutar contra o aumento, mas precisa ver o que pode ser feito para evitar urgentemente o uso desse movimento pela direita.

Sabemos da grande dificuldade que é direcionar e controlar um movimento de massas, mas alguma coisa precisa ser feita para que os grupos mais reacionários, principalmente de São Paulo, não manipulem e redirecionem o Movimento.


TIROS, BOMBAS E SURRAS - Violência policial liquida primeiro ato contra o aumento das tarifas em São Paulo

na Rede Brasil Atual

Apesar da forte repressão, o Movimento Passe Livre já marcou nova manifestação para a próxima terça-feira (12) e garante que não sairá da rua até barrar o aumento

por Rodrigo Gomes, da RBA

pm
Concentração começou pacífica em frente ao Teatro Municipal. Contingente policial foi desproporcional


São Paulo – Na primeira grande manifestação do ano na capital paulista, a Polícia Militar mostrou ontem (8) que nada mudou em relação à repressão aos movimentos sociais jovens. O primeiro ato contra o aumento das tarifas de Metrô, trens e ônibus de R$ 3,50 para R$ R$ 3,80, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) terminou em uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e viaturas policiais a toda velocidade pelas ruas do centro de São Paulo, e com várias pessoas detidas e feridas – inclusive policiais. O MPL estimou em 10 mil pessoas o engajamento no ato.
O centro de São Paulo se tornou uma praça de guerra e mesmo quem estava apenas voltando para casa após o trabalho de 2016 ficou aterrorizado com a quantidade de bombas e balas de borracha disparadas pela Tropa de Choque na região do Viaduto do Chá. Muitos PMs usavam máscaras para cobrir o rosto e identificação alfanumérica. Pessoas imploravam para entrar na estação Anhangabaú, da Linha 3-Vermelha do Metrô, fechada pelos funcionários após o início da repressão.
Segundo a militante do MPL Laura Vieira, pelo menos dez manifestantes foram detidos e muitas pessoas se feriram. A PM não informou o número de manifestantes detidos. Alguns policiais também se machucaram, atingidos por pedras. "A PM atacou o ato gratuitamente. Foi uma repressão muito violenta, mas que só vai fazer crescer a nossa mobilização contra o aumento das tarifas", disse Laura, que anunciou novo ato na próxima terça-feira (12), as 17h, ainda sem local definido.


Desde a saída do ato do Teatro Municipal, onde os manifestantes se concentraram, o que se viu foi um jogo de gato e rato com a PM, que reuniu um grande efetivo de agentes da Tropa de Choque, da Força Tática e das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e seguiu o protesto ostensivamente em duas filas laterais. Sem revelar o destino final da marcha, os ativistas seguiram primeiro para o Largo do Paissandu. Depois paravam em toda esquina, parecendo redefinir por onde seguir. O que fazia os policiais que seguiam terem de correr para recompor a formação a todo momento.
repressão
Enfim, a marcha seguiu pelo Vale do Anhangabaú, sem nenhum incidente de depredação ou confusão. A caminho do Terminal Bandeira, um grupo de manifestantes mascarados tentou tomar o sentido centro da via, em direção à prefeitura de São Paulo. A PM fechou o cerco sobre eles. Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram disparadas na direção dos demais manifestantes. Vários foram feridos, um deles com um tiro de bala de borracha no rosto.
Houve muita correria e parte dos ativistas revidou com pedras e rojões contra a PM. Um grupo de policiais ficou isolado do Batalhão de Choque e tentou se defender das pedradas com escudos. Alguns policiais ficaram feridos. Pequenos grupos de manifestantes correram em várias direções e foram perseguidos pela Tropa de Choque.
A PM lançou bombas contra cidadãos que cruzavam a passarela do Terminal Bandeira. E também em direção ao Viaduto do Chá – do Vale do Anhangabaú – e à Rua Xavier de Toledo – da Ladeira da Memória –, sem ter como observar quem seria atingido. Muitas pessoas que voltavam para casa do trabalho foram atingidas pelo gás lacrimogêneo.
Parte dos manifestantes percorreu as ruas do centro espalhando lixo e ateando fogo, depredando ônibus, carros da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e agências bancárias. Todas as lojas da região fecharam as portas. A polícia cercou um grupo grande na Rua da Consolação, que foi reprimido com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e cassetetes.
Os PMs utilizaram a Praça Roosevelt como praça de detenção. E ali protagonizaram uma cena de pura violência. Skatistas, transeuntes e alguns manifestantes estavam parados na praça quando dois veículos da Tropa de Choque, recém-comprados de Israel pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), pararam e os policiais desceram atirando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra todos que ali estavam, provocando correria. Em seguida, voltaram aos veículos e partiram. Viaturas subiam e desciam as ruas da região central em alta velocidade a todo momento.

Contra a tarifa

O ato reuniu milhares de manifestantes, entre ativistas de diversos movimentos, estudantes secundaristas – que no final do ano passado barraram a reorganização escolar proposta pelo governador de São Paulo – e sindicalistas.
Segundo a militante do MPL Laura Vieira, o objetivo dos protestos é reverter o aumento de R$ 3,50 para 3,80. “Não vamos sair da rua enquanto não atingirmos esse objetivo. E não adianta dizer que o aumento é abaixo da inflação ou que é uma parcela pequena que vai ser afetada por isso. Não combatemos a ação de um governo, mas uma política que prioriza o lucro dos empresários sobre o atendimento à população. Nada justifica esse valor de tarifa”, afirmou.
“Os ônibus estão sempre cheios, sempre demoram muito. Não tem um dia que o Metrô ou os trens não apresentem falhas”, completou ela, que lembrou que a tarifa é um mecanismo excludente. “Muitas pessoas não têm dinheiro para pagar a tarifa de hoje. Outras vão ser excluídas com a nova tarifa.”
O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres Júnior, destacou que o Metrô de São Paulo é um dos menores do mundo, quando comparado com outras metrópoles, e tem a tarifa proporcionalmente mais cara. “Mas esse valor não reflete na qualidade do serviço, nas condições de trabalho dos funcionários nem na expansão da malha ferroviária. É apenas extorsão de recursos da população. Nós também somos contra esse aumento e defendemos que o governo estadual subsidie a tarifa, fazendo com que ela diminua”, afirmou.
O estudante do ensino médio João Vitor Santos, de 17 anos, do Comando das Escolas em Luta, garantiu que os alunos que barraram a reorganização de Alckmin vão ajudar a barrar o aumento das tarifas. “Ainda que os estudantes tenham passe livre, que é bastante limitado, o aumento impacta na vida de todos. Aumenta o custo de vida, prejudica a vida do povo”, afirmou.
Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, responsável pelos ônibus municipais, e a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, responsável pelo transporte dos metrôs e trens estaduais, o reajuste ficou abaixo da inflação acumulada desde o último reajuste, ocorrido em 6 de janeiro de 2015. A inflação acumulada neste período foi de 10,49%, enquanto o aumento das tarifas foi estipulado em 8,57% para o bilhete unitário. A tarifa de integração entre ônibus e trilhos (metrô e trens) passarão de R$ 5,45 para R$ 5,92. Já os bilhetes temporais 24 horas, madrugador, da hora, semanal e mensal não terão seus preços aumentados.


sábado, 9 de janeiro de 2016

"B*..., b*..., b*... eu como a seco. No C*..., eu passo cuspe. Medicina, medicina é só na USP..."

por José Gilbert Arruda Martins

Se tivesse vivo Hipócrates, "O Pai da Medicina", morreria de vergonha dos futuros médicos que a USP forma todos os anos.


EACH USP

Estudantes do curso de medicina da instituição foram denunciados por várias vítimas de estupros coletivos em festas feitas dentro da própria universidade. Os alunos embebedavam as garotas, que eram estupradas por vários rapazes, todos, ou a maioria, estudantes de Medicina.

Os estupros da USP vêm acontecendo há anos, segundo as matérias divulgadas em dezenas de jornais e blogs, as denúncias foram feitas e nenhum dos estupradores foi punido até o presente momento, com exceção de um rapaz, que foi impedido de colar grau ano passado.

Os futuros "doutores", talvez se juntarão aos atuais que foram pegos roubando o SUS, após a manifestação do "fora Dilma".


"A Polícia Federal deflagrou, na madrugada desta terça-feira (2), a Operação Desiderato, com o objetivo de combater e desarticular organização criminosa composta por médicos, profissionais da saúde e representantes da indústria farmacêutica de próteses cardíacas, que viabilizavam procedimentos cardiológicos sem a real necessidade clínica dos pacientes, muitas vezes simulando procedimentos, com o objetivo de desviar verbas do Sistema Único de Saúde"

A USP e a justiça, precisam, efetivamente, tomar as providencias necessárias e punir todos os estupradores, não permitindo que esses caras cheguem aos hospitais do país e a sociedade tenha que conviver com a insegurança de tê-los como profissionais de medicina, cuidando de pessoas, entre elas milhares de mulheres.


"Estudantes criticam ausência de política institucional para punição de casos de violência contra mulher; especialista cobra mapeamento da violência
Violência física e psicológica tem feito parte da vida estudantil de muitas alunas do Campus Butantã da Universidade de São Paulo. Relatos de assédios, estupros, agressões físicas e verbais contra a mulher nos espaços da universidade são comuns."
Todo ano é a mesma coisa, os trotes violentos, racistas, homofóbicos, machistas, marcam a abertura do ano letivo.

Um fato que deveria ser de acolhimento democrático, humano, se torna um evento marcado pela selvageria e o desrespeito.


"A ritualística de trote, então, revela as relações de veteranismo que demarcam a inserção do recém-ingresso nas dinâmicas hierárquicas da universidade. As brincadeiras guardam um implícito constitutivo de submissão performática, isto é, joga-se ludicamente com a autoridade teatral do veterano sobre o calouro. As piadas, em geral, destacam-se das prerrogativas que o mais velho tem sobre o mais novo. E esse humor costuma ser embalsamado por todos os pressupostos mais preconceituosos e marginalizantes contidos na sociedade (não são raras as piadas e cantos machistas, racistas, transfóbicos, lgbtfóbicos etc. [3]).

“Buceta, buceta, buceta eu como a seco. No cu, eu passo cuspe. Medicina, medicina é só na USP!” – gritam os veteranos, rodeando as calouras - “Eu tava no banheiro comendo a empregada, o índio abriu a porta e eu comi a bunda errada”
Na rápida e superficial pesquisa que fizemos na grade curricular da USP, em seu curso de Medicina, encontramos a oferta de uma única disciplina - Medicina e Humanidades -, que parece ser voltada para as questões humanas e, talvez sociais.

Por quê?

Escrevemos sobre o tema outras vezes aqui no blog, enquanto as Faculdades e Cursos de graduação em Medicina não se preocuparem verdadeiramente, com a formação humana e social desses jovens, a situação tende a piorar.

As instituições precisam humanizar os cursos de Medicina no país como um todo, precisam ir além das grades curriculares ditas normais e saírem também das "grades" que cercam as escolas, para irem de encontro ao social, ao povo.

Estudante de Medicina, precisa gostar de gente, respeitar direitos, respeitar as diversidades que marcam a sociedade brasileira.

Do contrário, os profissionais que sairão para o mercado de trabalho, terão uma grande dificuldade em pensar as questões sociais, trabalhar, por exemplo, uma Medicina preventiva, humanizada e socialmente libertadora.

Poderão ter dificuldades em respeitar as mulheres, os negros, os índios, os pobres, o idoso, o homossexual, etc.

Além da ausência no currículo real, de disciplinas que poderiam tornar os cursos mais humanizados, existe o que os especialistas denominam de "currículo oculto", para quem não sabe, o currículo oculto é fortemente e presentemente trabalhado em escolas de todos os níveis, através do dele, passamos valores e crenças, potencializamos atitudes e comportamentos, reforçamos e cristalizamos ideologias.


"Se quisermos enumerar as designações por que é conhecido este mundo de realidades nublosas, mas insistentemente presentes, teríamos que, em justiça, referir os que se ocuparam delas, sem lhes atribuírem esse rótulo, e passar, depois, por termos como: currículo encoberto, escondido, implícito, latente ou, pela negativa, não intencional, não conhecido, não observável, não estudado ou não escrito."
Uma coisa é certa, felizmente, temos muitos bons profissionais que dedicam parte do tempo de suas vidas para atender ao povo, que lutam por um atendimento mais humano, que demonstram no dia a dia respeito pelas pessoas.

Afinal, o Brasil não tem apenas a USP, do contrário estaríamos em maus lençóis...

Fontes Consultadas:

1. http://www.todabiologia.com/pesquisadores/hipocrates.htm

2. http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/10/aluno-da-medicina-da-usp-acusado-de-estupros-recebe-nova-suspensao.html

3. http://g1.globo.com/sp/sao-paulo/educacao/universidade/usp.html

4. http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/03/1603431-aluna-da-usp-diz-que-foi-estuprada-por-estudante-de-medicina-e-trancou-curso.shtml

5. http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,estudante-de-medicina-da-usp-acusado-de-estupro-e-suspenso,1666061

6. http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2015/02/22/estudante-de-medicina-estuprada-resiste-ninguem-toca-nos-meus-sonhos/

7. https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/listarGradeCurricular?codcg=5&codcur=5042&codhab=0&tipo=N

8. http://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho-docente/curriculo-oculto.htm.

9. http://www.paulofreire.ufpb.br/paulofreire/Files/seminarios/mesa13-a.pdf.

10. http://www.ipv.pt/millenium/inv6_3.htm.

11. http://jornalggn.com.br/noticia/medicos-simulavam-cirurgia-cardiaca-sem-necessidade-para-desviar-recursos-do-sus.

12. http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2013/04/alunas-vitimas-de-violencia-criticam-omissao-da-usp/

'Há uma operação de enfeitiçamento em curso', diz sociólogo

na Carta Maior

Em seminário do Fórum 21, professor denuncia que as versões da velha mídia reverberadas pelas redes sociais abalaram a relação entre verdade e ficção


Najla Passos

reprodução

“A mídia não cobre mais os acontecimentos. Ela gera versões e tenta transformá-las em verdade”, alertou o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, professor titular do Departamento de Sociologia da Unicamp e membro do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP, que participou da mesa Comunicação e Novas Tecnologias, durante os “Seminários para o avanço social”, promovido pelo Fórum 21, em São Paulo de 9 a 13 de novembro.

De acordo com ele, mesmo após o advento das redes sociais e dos 13 anos de governos petistas, o sistema da comunicação no Brasil é ainda extremamente concentrador e preocupante porque, historicamente, o PT não soube avaliar o real poder da mídia e a esquerda não conseguiu formular uma análise crítica do seu potencial de formação de consensos.

Santos afirma que, desde a década de 80, o PT já contava que, quando chegasse ao poder, teria a velha mídia brasileira ao seu lado, devido à postura dos oligopólios, como as Organizações Globo, de sempre se posicionarem a serviço dos governos de plantão. Mas não foi o que aconteceu. Para agravar, as redes sociais amplificaram o potencial da mídia de repetir versões para transformar fatos em verdade, o que gerou o quadro atual.

“A esquerda não tem uma visão crítica em relação aos meios de comunicação. E se ela não consegue ter essa relação em relação à velha mídia - se o máximo que consegue é propor a democratização e ponto - imagina com as novas mídias”, criticou.
Para o professor, o quadro é de tamanha gravidade que a relação entre verdade e mentira, entre verdade e ficção, está completamente abalada. “Nós chegamos a um ponto em que os ladrões gritam ‘pega ladrão’ para os não-ladrões. E isso cola! É uma inversão de valores gigantesca”, ironizou.

Linguagens totalitárias

O sociólogo sustenta que a dimensão totalitária que a linguagem da velha mídia, reverberada pelas redes sociais, adquiriu no país só encontra precedentes no período pré-nazista e na Guerra Fria. “A mídia é uma parte não só ativa na definição do que acontece, mas é parte ativa na criação de ficções, de versões do que ocorre”, ressaltou.

Para piorar o quadro, a esquerda não consegue sequer reagir aos sucessivos ataques, porque seus instrumentos são poucos e de curto alcance, enquanto os dos oligopólios que dominam a mídia no país vão longe e promovem uma espécie de “enfeitiçamento” contínuo. “Se você coloca só um pouquinho de voz de um lado, não é suficiente para fazer contraponto. A assimetria é enorme”, destacou.

O resultado, conforme ele, portanto, é um campo de versões e mentiras deliberadas, programadas por uma máquina poderosa, que tem uma capacidade de mobilização das mentes das pessoas bastante importante. “Não só a classe média já foi ganha, como também existe a uma capilaridade em setores beneficiados pelas políticas desse governo que começam a se submeter a este enfeitiçamento. Há uma operação de enfeitiçamento em curso”, denunciou.

Como exemplo, Santos cita as pequenas manifestações por impeachment ou a favor de “intervenção militar” que reúnem meia dúzia de manifestantes e um boneco, mas ganham um espaço enorme no noticiário e na agenda política do país, em detrimento de outras muito maiores organizadas pelos movimentos sociais. “Há todo um encadeamento de redes de transmissão que fazem com que não-acontecimentos se tornem acontecimentos, com o objetivo de manter no ar permanentemente a perspectiva de golpe”, alertou.

O não-diálogo

Para o professor, este enfeitiçamento está na base da falta de diálogo que domina o país. “Todo mundo aqui já tentou argumentar com uma dessas pessoas de direita, no sentido de demonstrar os absurdos que ela está dizendo, e bateu em um muro. O esclarecimento não resolve. Não há possibilidade de diálogo nem de discussão, porque o irracional surge. Elas não querem ser esclarecidas. São movidas pelo ódio e o ódio é visceral. E esse ódio é alimentado o tempo todo pela mídia e pelas redes sociais”, argumentou.

Para o professor, o mais grave é que o governo sequer reage a essa ofensiva, tratando essa explosão da linguagem totalitária no país como natural ou próprio da democracia. “Nem corte de grana para emissoras houve. A reação do governo é de submissão e isso estimula o avanço conservador”, acrescentou. Santos sustenta que as forças de esquerda precisam compreender os sinais de perigo e agir. “A linguagem não é só sentido e produção de conteúdo. A linguagem também é ação. E a ação da linguagem totalitária é mobilizar o negativo das pessoas”, denunciou.

O mercado da atenção

Professor de Sistemas de Informação da USP, Mário Moreto Ribeiro, fez uma comparação entre o ambiente do mundo do trabalho e o das redes sociais, que hoje exigem a atenção total do trabalhador/internauta, em uma desgastante briga por sua atenção. “Na internet hoje, o que está em disputa é essa atenção total. Não só o tempo [do internauta], mas a atenção”, afirmou.

Segundo ele, o capital se apropriou do que deveria ser espaço de interação e lazer para os trabalhadores e o transformou em mais uma mercadoria. É por isso que ele classifica o esforço exercido por milhares de usuários das redes sociais para formularem comentários e disputar a atenção de seus seguidores, gratuitamente, é um tipo de trabalho voluntário que contribui para valorizar a marca da empresa, e gerar lucro para o capital.  

“Escrever no facebook também é um trabalho. Você gasta tempo, valoriza a empresa. E disputa a atenção dos colegas. Existe um mercado da atenção nas redes sociais. E a gente está disputando esse mercado quando escreve no Facebook. Mas não é um mercado aberto. Ele é controlado por uma empresa”, alertou.

O Estado de Direito e o estado de direita

na Rede Brasil Atual

Estamos em plena vigência de um Estado de Direito? Ou de um “estado” de direita, que está nos levando, na prática, a um estado de exceção?

por MAURO SANTAYANA


Paulista
No estado de direita, a indignação é seletiva

Do Blog – É curiosa a situação que vive hoje o Brasil. Afinal, no Estado de Direito, você tem o direito de ir e vir, de frequentar um bar ou um restaurante, ou desembarcar sem ser incomodado em um aeroporto, independente de sua opinião.
No estado de direita, você pode ser reconhecido, insultado e eventualmente agredido, por um bando de imbecis, na saída do estabelecimento ou do avião.
No Estado de Direito, você pode cumprimentar com educação o seu vizinho no elevador, desejando-lhe um feliz ano novo.
No estado de direita, você tem grande chance de ouvir como resposta: “Tomara que em 2016 essa vaca saia da Presidência da República, ou alguma coisa aconteça com essa cadela, em nome do Senhor.”
No Estado de Direito, você pode mandar “limpar” o seu computador com antivírus quando quiser.
No estado de direita, você pode ficar preso indefinidamente por isso, até que eventualmente confesse ou invente alguma coisa que atraia o interesse do inquisidor.
No Estado de Direito, você tem direito a ampla defesa, e o trabalho dos advogados não é cerceado.
No estado de direita, quebra-se o sigilo de advogados na relação com seus clientes.
No Estado de Direito, a Lei é feita e alterada por quem foi votado para fazer isto pela população.
No estado de direita, instituições do setor público se lançam a promover uma campanha claramente política – já imaginaram a Presidência da República colhendo assinaturas na rua para aumentar os seus próprios poderes? – voltada para a aprovação de um conjunto de leis que diminui – em um país em que 40% dos presos está encarcerado sem julgamento – ainda mais as prerrogativas de defesa dos cidadãos.
No Estado de Direito, você é protegido da prisão pela presunção de inocência.
No estado de direita, inexistem, na prática, os pressupostos da prisão legal e você pode ser detido com base no “disse me disse” de terceiros; em frágeis ilações; do que “poderá” ou “poderia”, teoricamente, fazer, caso continuasse em liberdade; ou subjetivas interpretações de qualquer coisa que diga ao telefone ou escreva em um pedaço de papel – tendo tudo isso amplamente vazado, sem restrição para a “imprensa”, como forma de manipulação da opinião pública e de chantagem e de pressão.
No Estado de Direito, você pode expressar, em público, sua opinião.
No estado de direita, você tem que se preocupar se alguém está ouvindo, para não ter que matar um energúmeno em legítima defesa, ou “sair na mão”.
No Estado de Direito, os advogados se organizam, e são a vanguarda da defesa da Lei e da Constituição.
No estado de direita, eles deixam agir livremente – sem sequer interpelar judicialmente - aqueles que ameaçam a Liberdade, a República e os cidadãos.
No Estado de Direito, membros do Ministério Público e da Magistratura investigam e julgam com recato, equilíbrio, isenção e discrição.
No estado de direita, eles buscam a luz dos holofotes, aceitam prêmios e homenagens de países estrangeiros ou de empresas particulares, e recebem salários que extrapolam o limite legal permitido, percebendo quase cem vezes o que ganha um cidadão comum.
No Estado de Direito, punem-se os corruptos, não empresas que geram riquezas, tecnologia, conhecimento e postos de trabalho para a Nação.
No estado de direita, “matam-se” as empresas, paralisam-se suas obras e projetos, estrangula-se indiretamente seu crédito, se corrói até o limite o seu valor, e milhares de trabalhadores vão para o olho da rua, porque a intenção não parece ser punir o crime, mas sabotar o governo e destruir a Nação.
No Estado de Direito, é possível fazer acordos de leniência, para que companhias possam continuar trabalhando, enquanto se encontram sob investigação.
No estado de direita, isso é considerado “imoral”.
Não se pode ser leniente com empresas que pagam bilhões em impostos e empregam milhares de pessoas, mas, sim, ser mais do que leniente com bandidos contumazes e notórios, com os quais se fecha “acordos” de “delação premiada”, mesmo que eles já tenham descumprido descaradamente compromissos semelhantes feitos no passado.
No Estado de Direito, existe liberdade e diversidade de opinião e de informação.
No estado de direita, as manchetes e as capas de revista são sempre as mesmas, os temas são sempre os mesmos, a abordagem é quase sempre a mesma, o lado é sempre o mesmo, os donos são sempre os mesmos, as informações e o discurso são sempre os mesmos, assim como é sempre a mesma a parcialidade e a manipulação.
No Estado de Direito você pode ensinar História na escola do jeito que a história ocorreu.
No estado de direita, você pode ser acusado de comunista e perder o seu emprego pela terceira ou quarta vez.
No Estado de Direito você pode comemorar o fato de seu país ter as oitavas maiores reservas internacionais do planeta, e uma dívida pública que é muito menor que a dos países mais desenvolvidos do mundo.
No estado de direita você tem que dizer que o seu país está quebrado para não ser chamado de bandido ou de ladrão.
No Estado de Direito, você pode se orgulhar de que empresas nacionais conquistem obras em todos os continentes e em alguns dos maiores países do mundo, graças ao seu know-how e capacidade de realização.
No estado de direita, você deve acreditar que é preciso quebrar e destruir todas as grandes empresas de engenharia nacionais, porque as empresas estrangeiras – mesmo quando multadas e processadas por tráfico de influência e pagamento de propinas em outros países – “não praticam corrupção.”
No Estado de Direito você pode defender que os recursos naturais de seu país fiquem em mãos nacionais para financiar e promover o desenvolvimento, a prosperidade e a dignidade da população.
No estado de direita você tem de dizer que tudo tem de ser privatizado e entregue aos gringos se não quiser arrumar confusão.
No Estado de Direito, você pode defender abertamente o desenvolvimento de novos armamentos e de tecnologia para a defesa da Nação.
No estado de direita, você vai ouvir que isso é um desperdício, que o país “não tem inimigos”, que as forças armadas são “bolivarianas”, que o Brasil nunca vai ter condições de enfrentar nenhum país poderoso, que os EUA, se quiserem, invadem e ocupam isso aqui em cinco minutos, que o governo tem de investir é em saúde e educação...
No Estado de Direito, é crime insultar ou ameaçar, ou acusar, sem provas, autoridades do Estado e o Presidente da República.
No estado de direita, quem está no poder aceita, mansamente, cotidianamente, os piores insultos, adjetivos, acusações, insinuações e mentiras, esquecendo-se que tem o dever de defender a Democracia, a liturgia do cargo, aqueles que o escolheram, a Nação que representam e, teoricamente, comandam, e a Lei e a Constituição.
No Estado de Direito, você pode interpelar judicialmente quem o ameaça pela internet de morte e de tortura ou faz apologia de massacre e genocídio ou da quebra da ordem institucional e da hierarquia e da desobediência à Constituição.
No estado de direita, muita gente acha que “não vale a pena ficar debatendo com fascistas” enquanto eles acreditam, fanaticamente, que representam a maioria e continuam, dia a dia, disseminando inverdades e hipocrisia e formando opinião.
No Estado de Direito você poderia estar lendo este texto como um jogo de palavras ou uma simples digressão.
No estado de direita, no lugar de estar aqui você deveria estar defendendo o futuro da Liberdade e dos seus filhos, enfrentando, com coragem e informação, pelo menos um canalha por dia no espaço de comentários – onde a Democracia está perdendo a batalha – do IG, do Terra, do MSN, do G1, do UOL...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A direita brasileira e o "estado" mentecápto

por José Gilbert Arruda Martins

A classe rica e a média reacionária, querem um país de escravos, um país de dependentes, não desejam o bem de todos e todas, desejam criar guetos de miseráveis que possam apenas trabalhar para esses grupos durante toda a sua vida miserável.



Mauro Santayana, escreveu no seu blog, o texto: "O Estado de Direito e o estado de direita", a matéria faz pensarmos nas estruturas escravocratas que teimam a não nos abandonar.

Mas o que desejas com essa afirmação, professor?

Qualquer pessoa, com o mínimo de inteligência, deve ter percebido nas manifestações pró-golpe, pró-intervenção militar, e na manifestação de três imbecis ontem (07/12), em frente ao hospital onde nasceu o neto da presidenta Dilma Roussef, como nossa mentalidade é tacanha, míope, burra, estrábica, atrasada, escravocrata, desinteligente...

Toda essa desinteligência, toda essa imbecilidade esconde uma intenção, que é a defesa dos privilégios de quem nasceu e viveu um país onde apenas uns poucos querem ter acesso às riquezas e bens.

Essa intenção é muito clara, por trás do ódio, que é visceral, encontramos a política da direita, infelizmente, essa política puxa para si e para seu ódio de classe, até pessoas comuns e pobres, arrasta mesmo, pois a grande mídia, como conhecido por muitos, faz da mentira verdade, faz dos fatos, notícias que costumam selecionar e divulgar, com texto editado à sua forma e bel prazer, a apologia ao completo desrespeito ao Estado de Direito.

Com isso o "estado" de direita continua seu caminho de desconstrução daquilo que foi pensado quando nos referimos às questões sociais e de cidadania e, em sua trajetória autoritária, até o aumento real do salário mínimo divulgado dias atrás, é motivo para que a direita e a mídia golpista, ataquem o governo e a classe trabalhadora.

A classe rica e a média reacionária, querem um país de escravos, um país de dependentes, não desejam o bem de todos e todas, desejam criar guetos de miseráveis que possam apenas trabalhar para esses grupos durante toda a sua vida miserável.

Um país que, da invasão em 1500 aos dias de hoje, tratou pobre, negro, mulheres, homossexuais como lixo, não poderia esconder-se por mais tempo atrás de uma máscara hipócrita que defende que somos um país de cordialidade.

Nossa história é completamente recheada de violências, fomos, por mais de três séculos, mais precisamente do século XVI ao XIX oficialmente escravocratas, éramos todos escravagistas, ricos e pobres, leigos e padres, homens e mulheres.

Os escravos faziam parte da paisagem brasileira como a palmeira, como as montanhas ou como os rios.

Os escravos trabalhavam em todos os ofícios e profissões. Da prostituta à empregada doméstica, do capitão do mato ao vendedor de rua, respirávamos escravidão.

Parte da sociedade brasileira acredita fortemente que ainda vivemos assim ou podemos voltar a viver e desfrutar dos "prazeres" da escravidão.

Mesmo porque, se olharmos bem, veremos que as partes ricas das cidades em confronto com as partes pobres, parece querer nos dizer que as coisas não mudaram tanto assim.

O contraste entre pobreza e riqueza é gritante, não tem máscara que consiga esconder. Os trabalhadores, que na sua maioria tem direito ao salário mínimo, sobrevivem, apesar dos avanços dos últimos 12 anos, em pura e concreta violência. Moram mal, comem mal, estudam mal, mal se divertem...

Esse é o "estado" de direita debatido no texto do Mauro Santayana, esse é o estado autoritário que muitos desejam que volte e se perpetue no país.

Quem está dormindo, chegou a hora de acorda!!!