terça-feira, 10 de março de 2015

Como vive um lixeiro na Suécia

no Portal Diário do Centro do Mundo - DCM
DE ESTOCOLMO
Em frente da casa em madeira com 250 metros quadrados de área. Foto de Jenny Jurnelius
Cláudia Wallin é autora do livro Um país sem excelência e Mordomias. Ela pode ser encontrada também no blog http://www.claudiawallin.com.br/
O lixeiro sueco Mats Björnborg finalmente retorna meu telefonema, depois de duas semanas de espera. “Estava de férias”, desculpa-se ele. Agradeço a ligação, e pergunto onde foi o merecido descanso. “Fui esquiar em St. Anton, nos Alpes austríacos”, responde Mats, sem a mais pálida idéia da convulsão catatônica que sua declaração poderia desatar nos seletos círculos de brasileiros já arrepiados diante da possibilidade de esbarrar com o porteiro em Nova York.
Para as patroas, seria talvez recomendável um botox emergencial contra rugas de expressão, diante da revelação dos hábitos da minha ocasional faxineira: Beata, parte do contingente de poloneses que veio ganhar a vida na Suécia nos últimos anos, costuma passar as férias de verão na Grécia. Horror, horror.
São cenas da vida real em uma sociedade menos desigual, onde a diferença entre os mais ricos e os mais pobres não costuma ser abissal, e na qual o princípio da dignidade humana e do acesso a direitos básicos do cidadão não é restrito aos salões daqueles que se julgam mais escolhidos por Deus do que o povo de Israel.
Vou ao encontro do lixeiro Mats em um aconchegante café da ilha de Södermalm, no centro de Estocolmo. É o lugar habitual da pausa diária de meia hora que ele faz com os companheiros de trabalho, e ao redor da mesa oito lixeiros conversam animadamente.
A poucos passos dali, fica o apartamento alugado de quarto e sala que Mats mantém como base na cidade. (Aqui, um vídeo do apartamento.) A cerca de 40 quilômetros de Estocolmo, como vejo nas fotos do smartphone que ele acaba de sacar do bolso, o lixeiro divide com a mulher uma casa em madeira com 250 metros quadrados de área, sauna e uma pequena piscina.
Piscina em casa
Piscina em casa
“Se eu tenho idéia do que seria a minha vida em uma sociedade menos igualitária? É claro que sim”, diz Mats.
“Porque em uma sociedade desigual, nem todos têm direito a uma vida digna. Também sei que em uma sociedade menos igualitária, as pessoas têm que morar trancadas em condomínios, atrás de muros e guardadas por seguranças, para se proteger dos pobres que não têm nada. Como imagino que seja o Brasil.”
“Aqui (na Suécia), você raramente vê a polícia, e existe menos violência”, ele acrescenta. “E os policiais são ok. Ninguém tem medo de atravessar a rua em frente a um carro da polícia, nem mesmo quando o sinal está fechado para o pedestre.”
Filho de um mecânico de automóveis e uma secretária, Mats tem 55 anos de idade e há 35 trabalha em um dos caminhões de coleta de lixo na capital sueca.
“Muitas pessoas não planejam exatamente suas vidas, e acabam parando em algum lugar na sociedade”, ele diz, entre lentos goles de café.
“No meu caso, eu tinha acabado de cumprir o serviço militar e procurava emprego, quando encontrei um amigo que fazia serviço temporário numa empresa de coleta de lixo. Minha idéia era trabalhar lá durante o verão. Mas acabei ficando.”
É um bom emprego, como diz Mats. O salário é de 34 mil coroas suecas, o equivalente a cerca de 11,7 mil reais por mês. É pouco menos do que ganha a sua mulher, que recebe 40 mil coroas suecas como médica veterinária. Juntos, os dois dividem todas as contas – incluindo o aluguel do apartamento na cidade, no valor de 6,7 mil coroas suecas, e os pagamentos do financiamento da casa.
Depois de quitar as contas do mês, sobram no bolso de Mats aproximadamente 10 mil coroas suecas para comprar alimentos e cobrir outros custos, como idas eventuais a restaurantes e teatros. Ou ainda os gastos com seu hobby favorito: comprar peças avulsas e reformar sua mutante coleção de motocicletas da linha Harley-Davidson. Atualmente, ele tem quatro na garagem de casa.

Em frente da casa em madeira com 250 metros quadrados de área
“Não tenho filhos, mas isso não afetaria minha situação econômica de forma significativa. Porque toda criança na Suécia tem acesso a médicos, dentistas e educação gratuita, além de uma ajuda de custo mensal do governo”, observa ele.
No dia seguinte, reencontro Mats para fazer a ronda do fim do expediente. Na cabine do caminhão de lixo, ele está acompanhado pelo colega Niklas, um másculo cidadão que trabalha de saias e blazer.
No primeiro prédio em que entramos para o recolhimento das caçambas, Mats diz: “Eu ganho mais para entrar aqui, porque o lixo fica do outro lado do pátio”.
Como assim?
“Porque eu tenho que caminhar mais, então ganho mais para isso”.
Como assim?
“A minha empresa tem uma lista detalhada de todos os locais por onde passamos, que inclui informações sobre as distâncias que temos que percorrer desde a porta do prédio até o local onde recolhemos o lixo”, diz Mats, que é funcionário de uma das empresas privadas que fazem a coleta de lixo na cidade.
“Em Estocolmo, não é permitido depositar caçambas ou sacos de lixo nas calçadas. Então, em alguns prédios preciso dar 15 passos para chegar até o depósito de lixo. Em outros, 20 passos. Está tudo documentado. E se em alguns lugares eu precisar abrir alguma porta trancada a chave para recolher o lixo, ganho 40 öre (centavos) extras”, acrescenta ele, destacando a força dos sindicatos suecos. De volta à cabine do caminhão, vejo centenas de chaves, e desisto do cálculo mental.
O dia de Mats começa às 5:30 da manhã, quando ele chega à garagem dos caminhões da empresa. “Tomamos um café, lemos os jornais e às 6 horas começamos o trabalho”, ele conta.
A jornada de trabalho dura cerca de sete horas, de segunda a sexta-feira. E como todo sueco, Mats tem direito a cinco semanas de férias por ano.
Em impostos, ele paga cerca de 30% sobre o valor do salário. E como qualquer cidadão, tem direito a um sistema de saúde amplamente subsidiado, em que uma internação hospitalar custa 80 coroas suecas – o equivalente a menos de 30 reais.
“E por que o sujeito que limpa as ruas não deveria ter direito à saúde? Por que as pessoas não deveriam ter as mesmas oportunidades? Por quê?”, repete Mats.
“Todos têm o mesmo valor. Ninguém é melhor do que ninguém. Todos nós somos seres humanos. Eu trabalho duro, e sou bom no que faço. Algumas pessoas nascem em famílias mais pobres. Mas todos na Suécia podem construir sua própria vida.”
Já foi melhor: como as estatísticas da OECD apontaram recentemente, a Suécia vem registrando o mais rápido crescimento da desigualdade, em relação aos demais países europeus. O sentimento de exclusão é particularmente forte nas classes mais baixas, cada vez mais formadas por famílias de imigrantes que chegam ao país.
“A Suécia atravessa um período de mudanças”, diz a cientista política Jenny Madestam, da Universidade de Estocolmo.
“A sociedade sueca não gosta de desigualdade, porque desigualdade é sinônimo de injustiça. E ainda somos uma sociedade extremamente igualitária, uma vez que estávamos bastante à frente dos demais países europeus. Mas estamos de certa forma deixando de ser um modelo extremo. Isso não significa que queremos um sistema como o do Brasil, e sim que estamos ficando mais parecidos com outros países europeus”, ela acrescenta.
Além de oito anos consecutivos de governo da aliança de centro-direita, Madestam observa que a social-democracia sueca – reconduzida ao poder em setembro passado – caminha na direção de uma política mais centrista, em meio a uma nova realidade também influenciada pelos processos que se desenvolvem na ordem global.
“Temos que aguardar para ver se o novo governo social-democrata da Suécia irá retornar às raízes do movimento, ou se vai se posicionar mais ao centro do espectro político”, diz a cientista política.
Com o gorro que diz "Lixeiros de Estocolmo"
Com o gorro que diz “Lixeiros de Estocolmo”
A própria sociedade se transforma, avalia Jenny Madestam. E o debate sobre alguns princípios sagrados da ideologia sueca, como a relativamente baixa diferença entre os salários das diferentes categorias profissionais, começam segundo ela a deixar de ser tabu. Atualmente, já se discute a possibilidade de um maior grau de diferenciação salarial.
“As novas gerações começam a questionar uma ideia fundamental da sociedade sueca: a de que ninguém deve ganhar substancialmente mais do que ninguém, tanto no setor público como no privado, e incluindo aqueles que optam por carreiras que exigem períodos mais longos de estudos e formação. A cultura sueca é a de que você pode ter mais status, mas não deve ganhar muito mais do que os outros. Aparentemente, no entanto, muitas pessoas vêm se tornando mais individualistas”, indica a cientista política.
O salário médio (sem adicionais ou horas extras) de um policial ou de um professor é de cerca de 30 mil coroas suecas, segundo dados de 2013. Uma enfermeira recebe em média cerca de 27 mil coroas, e um médico aproximadamente 45 mil coroas.
Pode ser que alguns estejam insatisfeitos pelo fato de não ganharem muito mais do que os profissionais que passaram por um período mais curto de formação educacional – diz Robin Travis, chefe da seção de Política e Direito do Serviço de Pesquisas do Parlamento sueco:
“Mas por um lado, é preciso notar que enfermeiras, assim como policiais, por exemplo, recebem mais por gratificações por horas extras ou adicionais noturnos. E por outro lado, é extremamente bom para a sociedade que o sujeito comum tenha dinheiro. Porque dessa forma ele se torna um consumidor, com potencial de criação de empregos para outras pessoas”, argumenta Travis.
Pelos números da Agência Central de Estatísticas da Suécia (Statistiska centralbyrå), o salário médio no país é de 27,3 mil coroas suecas mensais (aproximadamente 9,6 mil reais).
“Apenas 10% da população sueca ganha salários superiores a 43,3 mil coroas suecas mensais. Noventa por cento dos trabalhadores recebem quantias inferiores a este valor”, diz Daniel Widgren, analista da agência.
Pergunto a Jenny Madestam qual é o salário médio de um cientista político como ela.
“Cerca de 35 mil coroas suecas”.
É quase o mesmo que ganha um lixeiro em Estocolmo, comento.
“Sim, exatamente”.
Acha injusto ganhar quase o mesmo que um lixeiro?
“De alguma forma, pode parecer estranho um sistema no qual as carreiras que exigem um longo período de formação, como a minha, não sejam mais bem remuneradas. Por outro lado, tenho muito mais liberdade em meu trabalho do que teria em funções que não exigem o mesmo grau de escolaridade”.
“Seja como for, qualquer mudança significativa no sistema salarial seria uma batalha a ser travada com os combativos movimentos trabalhistas suecos”, pontua Madestam.
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Claudia Wallin
Sobre o Autor
A jornalista brasileira Claudia Wallin, radicada em Estocolmo, é autora do livro Um país sem excelências e mordomias.

PÁTRIA EDUCADORA? - Educafro vai se reunir com ministros tentando evitar cortes na educação

por Rodrigo Gomes, da RBA 
Ativistas querem também inclusão de negros no Conselho Nacional de Educação, efetivação da comissão criada de acompanhamento da política de cotas e revisão das novas normas do Fies.
educafro
Vinte ativistas ocuparam a sede do Ministério da Fazenda e se acorrentaram, exigindo reunião com o ministro

São Paulo – Militantes da Rede Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro) vão se reunir no próximo dia 17 com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e da Educação, Cid Gomes, para reivindicar que os cortes de gastos anunciados pelo governo federal não sejam aplicados aos programas de inclusão de alunos carentes e negros. A reunião foi obtida após manifestação na sede dos dois ministérios, na manhã de hoje (9), inclusive com o acorrentamento de um grupo de ativistas na Fazenda.
Anunciado pela presidenta Dilma Rousseff no fim do ano passado, o corte de gastos no governo em todos os ministérios deve chegar a R$ 22,7 bilhões neste ano, sendo cerca de R$ 7 bilhões nas verbas de educação.
“Não podemos aceitar que os cortes atinjam a educação e provoquem a exclusão dos alunos pobres e de cotistas”, explicou o coordenador-geral da Educafro, Frei David Santos. Segundo ele, o acorrentamento foi necessário, pois a segurança tentou impedir a entrada dos ativistas no Ministério da Fazenda. Após forçar a entrada no prédio, e manter o acorrentamento por cerca de duas horas, os manifestantes foram recebidos por assessores da pasta, que agendaram a reunião.
Segundo Frei David, alunos de diversas regiões do país têm desistido de cursos em universidades federais, por não conseguir acesso à Bolsa Permanência e auxílio de alimentação. “Isso é inaceitável. Depois de todo o esforço para efetivar as cotas, para mantê-las, não podemos perder tudo por falta de dinheiro para o estudante permanecer na instituição”, afirmou.

Dinamarca

De acordo com o coordenador, alunos carentes, ou que estão fora de sua cidade natal, não conseguem se manter, e as famílias não têm condições de financiá-los. O Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) oferece assistência à moradia estudantil, alimentação, transporte, à saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche e apoio pedagógico. O valor é adequado às necessidades de cada aluno. Porém, é a própria instituição que administra o recurso.
“Isso também deve mudar. Se a universidade tem problemas financeiros, deixa de aplicar o recurso corretamente. O certo é ser repassado ao aluno, por meio de um cartão de benefícios”, avaliou Frei David.
Já o Programa de Bolsa Permanência (PBP) das universidades federais compreende uma bolsa de R$ 400, direcionada a estudantes de ensino superior em situação de vulnerabilidade socioeconômica, indígenas e quilombolas. A bolsa é repassada diretamente ao estudante e pode ser adequada às necessidades, no caso de indígenas e quilombolas.
No Ministério da Educação, os militantes têm mais reivindicações. Querem a inclusão de negros no Conselho Nacional de Educação, a aplicação da comissão implementada em setembro do ano passado para acompanhar a aplicação da política de cotas nas universidades federais e a revisão das novas normas do Programa de Financiamento Estudantil (Fies). “O conselho parece ser um colegiado da Dinamarca”, ironizou Frei David.
Sobre o acesso ao Fies, ele considera que a exigência de obter 450 pontos, no mínimo, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é um retrocesso à inclusão de pobres e negros. “O Fies é o último recurso do estudante pobre que não obteve acesso via Prouni – programa de bolsas para ingresso em universidades privadas – ou Sisu (Sistema de Seleção Unificada, para ingresso em instituições públicas). Essa pontuação desconsidera ainda o quanto é ruim o ensino médio estadual no país”, defendeu o coordenador.
Outra demanda da Educafro diz respeito ao coordenador da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação. A pasta está sem coordenador desde janeiro, e os militantes temem que a contenção de gastos levem à extinção da secretaria, “único espaço de negros, indígenas e quilombolas no ministério”, segundo Frei David. A Secadi é responsável pela articulação de políticas educacionais especial, do campo, escolar indígena, quilombola e educação para as relações étnico-raciais, entre outras atividades.
Os ativistas esperam que a mobilização sensibilize o governo federal para uma atuação política e não meramente “tecnocrata” das questões econômicas e sociais. “Estamos tristes porque na eleição o povo negro tomou posição em defesa da reeleição da presidenta Dilma, mas agora estamos esquecidos, excluídos das instâncias de decisão”, desabafou Frei David.
Procurado, o Ministério da Educação não retornou até as 17h. A RBA não conseguiu contatar o Ministério da Fazenda.

Governador Flávio Dino recupera R$ 6,5 milhões para educação no MA


no Portal Vermelho

O governador Flávio Dino conseguiu desbloquear, junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), aproximadamente R$ 6,5 milhões que deveriam ser empregados pela ex-governadora Roseana Sarney, em obras e ações pedagógicas para a melhoria da educação do Maranhão, mas por falta de cumprimento dos compromissos o recurso foi bloqueado, fazendo com que ações para a educação do Maranhão deixassem de ser realizadas.


A liberação do recurso é um desdobramento da agenda do governador com o ministro da Educação, Cid Gomes, no mês passado, que contou com a presença da secretária de Educação, Áurea Prazeres.

Segundo levantamento feito pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), por falta de comprometimento da gestão passada, na observação dos prazos de vigência e outros problemas de ordem administrativa, o estado do Maranhão perdeu o equivalente a R$ 22 milhões do FNDE/PAR (Plano de Ações Articuladas). O Estado ficou impedido de licitar, contratar e iniciar as obras custeadas pelo Ministério da Educação (MEC) através do FNDE.

O desbloqueio dos recursos por parte da atual gestão possibilitará o financiamento de 93 obras de construção de prédios escolares, quadras poliesportivas e cobertura de quadras, além de 24 ações de melhoria da gestão escolar e formação continuada de profissionais da educação.

Segundo a secretária Áurea Prazeres, a medida do Estado visa assegurar que os recursos, já aprovados, sejam efetivamente empregados na educação. “Montamos uma ‘força tarefa’, seguindo orientação do governador Flávio Dino para resgatar os recursos que deveriam ser empregados na melhoria do ensino das escolas de todo o Maranhão. Não podemos permitir que problemas de gestão, deixados pela administração passada, prejudicassem o futuro de muitos jovens”, enfatizou.

Morre filho de casal gay agredido em escola de SP

Os adolescentes envolvidos na confusão prestaram depoimento na semana passada.
no Portal R7
                                                                                Imagem: Sylvia Albuquerque, do R7
Peterson Ricardo de Oliveira, 14 anos.

por Mateus Falcão de A. A. Martins*

O que podemos dizer depois de ler uma notícia dessas?

Posso dizer o que eu senti depois de ler isso, uma tristeza enorme e uma indignação maior ainda.


Mais um jovem morre por consequência do formato da nossa sociedade. 

Por consequência da forma que somos educados, e de todos os âmbitos de nossa vida. Está entremeado o preconceito desde quando nascemos, desde da escolha da cor da roupa do bebê aos filmes/desenhos que assistimos. 

Heróis que apenas mostram a visão "perfeita" que a sociedade tem do que devemos ser: Brancos, héteros, fortes, altos, guerreiros violentos mas com motivações "nobres", etc. 

E somos bombardeados pelo preconceito (ou podemos também chamar de: formas de mulheres/homens perfeitos perante a sociedade) a todo momento, propagandas de perfumes, de roupas e na "propaganda" mais forte desde da origem do ser humano: A Religião.
A Religião com R maiúsculo que engloba todas as religiões, mas que se diz a única e verdadeira. 


A Religião que diz que somos todos iguais e amados perante a Deus, mas manda jogar pedra em quem foge as suas normas e decreta o fechamento dos portões do Paraíso quando o humano demonstra características próprias, que não o fazem nem menos nem mais humano por isso.

Onde termina essa hipocrisia social em que vivemos?


Livres para viver sob determinadas regras.


Poderosos para viver sob um estado de impotência.


Igualitário a todos, se for mantido sob os padrões.


E você leitor que se manteve pacientemente até aqui? O que você fez hoje? Pregou que apoia a igualdade de direitos a todos, mas "olhou torto" quando um casal lésbico passou ao seu lado de mãos dadas. Ergueu o punho e o bateu contra o peito de indignação ao ler uma notícia triste como essa, mas não pode deixar de "torcer o nariz" quando um transexual cruzou o seu caminho pela rua e o censurou da ponta do cabelo até o dedão do pé por estar simplesmente existindo.


PENSE. E digo mais. REPENSE.


Por que no momento que falamos que não temos preconceitos, mas com palavras bem elaboradas e gestos bem articulados, erguemos uma vírgula e acrescentamos um "mas" a nossa frase estamos desvalidando tudo que falamos anteriormente, e estamos incitando a sociedade a "jogar mais uma pedra" em mais um inocente.


Morre filho de casal gay agredido em escola de SP 


Os adolescentes envolvidos na confusão prestaram depoimento na semana passada 

Morreu, na tarde desta segunda-feira (9), o adolescente Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, que estava em coma desde a semana passada após se envolver em uma confusão em uma escola pública na Vila Jamil, em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo.
Peterson foi agredido no dia 5 deste mês por ser filho de um casal de homossexuais, segundo um dos pais que conversou com o R7, Márcio Nogueira.
— Eu não sabia que meu filho sofria preconceito por ser filho de um casal homossexual. O delegado que nos informou. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças.
O adolescente estudava na unidade de ensino desde os seis anos. Um irmão de 15 anos, que frequenta o mesmo colégio, presenciou a agressão.
O delegado Eduardo Boiguez Queiroz, da delegacia de Itaquaquecetuba, confirmou que o menino se envolveu em uma briga horas antes de passar mal e precisar ser levado da escola para o hospital.
— Ele brigou com alguns garotos na entrada da escola e passou mal quatro horas depois. Ele brincou, assistiu aula e depois passou mal. Ele já tinha um aneurisma. Não podemos afirmar que ele passou mal por conta da briga.
A Secretaria Estadual de Educação e a Secretaria Estadual de Saúde negam a versão da família. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que não há nenhum registro de agressão no interior da unidade onde o adolescente estudava.
Já a Secretaria Estadual de Saúde confirma que o adolescente deu entrada nesta quinta-feira (5) no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos com parada cardiorrespiratória e passou por um processo de reanimação. Exames feitos no garoto também constataram que ele teve hemorragia, mas não apresentava sinais externos de violência física.
O pai informou que pretende processar o governo de São Paulo. 

— Queremos que a justiça seja feita. 


Estado e políticas públicas em educação: as ameaças neoliberais

https://www.google.com.br/search?q=imagens+de+professores+em+luta

por José Gilbert Arruda Martins


O presente texto tem como objetivo maior pensar o tema: “Estado e políticas públicas em educação”. Parte do esforço em entender com mais profundidade a importância das Políticas Públicas na construção ou, na reconstrução da cidadania brasileira.

O professor José Murilo de Carvalho, no livro Cidadania no Brasil, destaca um ponto importante da relação entre educação popular e construção da cidadania:

“Nos países em que a cidadania se desenvolveu, por uma razão ou outra a educação popular foi introduzida. Foi ela que permitiu às pessoas tomarem conhecimento de seus direitos e se organizarem para lutar por eles. A ausência de uma população educada tem sido sempre um dos principais obstáculos à construção da cidadania civil e política.” (Carvalho, 2012, pág. 11)

Se, concretamente, a educação pública é importante para a construção da cidadania, por que os filhos e filhas de trabalhadores (as), foram, na maior parte do tempo, excluídos e, até impedidos de alguma forma da educação formal?

As Políticas Públicas em educação, criadas nas últimas décadas serão capazes de incluir e manter, grandes populações de jovens pobres, na sua maioria negros, nas escolas e universidades?

Essas Políticas Públicas serão transformadas em Políticas de Estado? Ou serão desmanteladas e extintas com as mudanças de governos?

O avanço das políticas neoliberais nos estados do Paraná, São Paulo e, tudo indica, aqui em Brasília, poderão inviabilizar os poucos avanços conquistados?

Dentro desse breve contexto relatado, o que a escola pública e seus professores e professoras pode fazer para que os estudantes tenham a chance de conhecer o tema e debater?

As Políticas Públicas na área de educação, construídas até agora, são suficientes como instrumentos de construção cidadã?

Quais os pontos fortes e fracos dessas políticas?

No artigo “Estado e políticas públicas educacionais: Reflexões sobre as práticas neoliberais”, A Profa. Doutoranda Luciene Maria de Sousa e o Prof. Dr. Carlos Alberto Lucena da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), refletindo sobre a questão das influências das políticas neoliberais, problematiza:

(...) o neoliberalismo é concomitantemente original e repetitivo, uma vez que cria uma nova forma de dominação e reproduz formas anteriores. Desse modo, o neoliberalismo reinventa o liberalismo clássico, introduzindo novos conceitos, porém, mais conservador. Assim podemos compreender o neoliberalismo como um ambicioso projeto de reformas no plano econômico, político, cultural e ideológico de nossas sociedades em que uma série de políticas orienta para uma drástica reforma do sistema escolar nacional na contemporaneidade.” (Sousa e Lucena)

Segundo os mesmos autores, “uma das grandes operações estratégicas das práticas neoliberais consiste em transferir a educação da esfera pública para a esfera do mercado” (Sousa e Lucena). 

A despeito das Políticas Públicas conquistadas, existe cenário para avanços?

Brasília, também foi impactada positivamente nos últimos anos com a implantação das Políticas Públicas em educação. No entanto, com a chegada do novo governo, em meio à crise financeira herdada, a desconfiança da classe de professores é grande, devido às diversas medidas adotadas e impostas: suspensão do coordenador (a) pedagógico (a); calendário escolar com término para 27 de dezembro, tentativa de retirar os abonos; ação na justiça contra os aumentos concedidos no Plano de Carreira...

Essas não seriam, ainda que medidas pequenas, uma forma de dar começo à implantação de políticas neoliberais? As Políticas Públicas, que impactaram o Distrito Federal nos últimos anos têm força para manter-se e avançar?

No livro “Devaneios sobre a atualidade do Capital”, os professores da USP, Clóvis de Barros Filho e Gustavo Fernandes Dainezi, trazem uma frase que considero importante e demonstra a importância do conhecimento para a construção da cidadania, eles escrevem:

 “(...) não sabemos qual o mundo ideal, nem como chegar a ele, mas acreditamos que, com um pouco mais de conhecimento, você poderá viver um pouco melhor.” (Filho e Dainezi, 2014, pág. 6)

Portanto, são muitas e angustiantes questões. Sei que o tema é extenso, as questões expostas, por serem muitas,  poderão fugir do conteúdo central, mas acredito que a manutenção e avanço das Políticas Públicas no Brasil, só acontecerá se a Classe de Trabalhadores na educação pública entender os riscos e alertar para a luta no cotidiano das escolas. 

Referências:

Carvalho, José Murilo de, Cidadania no Brasil: o longo caminho. 15ª. ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2012.

Artigo: Estado e políticas públicas educacionais: reflexões sobre as práticas neoliberais. Souza, Maria Luciene de & Lucena, Carlos Alberto. Acessado dia 26/02/2015.

Barros Filho, Clóvis de & Dainezi, Gustavo Fernandes, Devaneios sobre a atualidade do capital. Porto Alegre, CDG, 2014.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O Globo correu atrás do Tijolaço no caso da “laranja” de Eduardo Cunha?

Fernando Brito no Tijolaço
oglobocunha
Não é vaidade, porque – além de vaidade ser uma tolice –  a informação está na internet e não exigiu nenhum esforço senão procurar da maneira correta no Google, mas não deixa de ser curioso que a manchete de O Globo, hoje, seja aquilo que este modesto blog publicou, ontem à tarde, sobre o deputado Eduardo Cunha ter usado uma “laranja”, a suplente de deputado em exercício Solange Almeida, para apresentar o requerimento com que, segundo relato de Alberto Youssef, o empresário Julio Camargo e a empresa Mitsui, japonesa, foram forçados a retomar pagamentos de propinas ao hoje Presidente da Câmara.
Pode ser mera coincidência, mas é sintomático que a matéria – ao menos na internet – não esteja assinada, como é praxe.
Se é coincidência, desde já minhas homenagens à boa, embora fácil, apuração. Paro por aí, porque – como já disse – a informação é de fácil acesso e, além do mais, Cervantes já ensinou pela boca de D.Quixote que “louvor em boca própria é vitupério”.
Pode ter sido mera coincidência, repito por necessário  respeito aos bons profissionais da empresa, que são muitos.
Mas, se não é, leva a uma reflexão curiosa sobre aqueles que o jornal chama de “blogs sujos”.
Quando a informação que publicamos interessa ao jornal – os que nos acompanham há mais tempo lembram do vazamento de óleo da Chevron – os blogs sujos são seguidos.
Fora daí, somos considerados apenas “propaganda governista” e os tostões que alguns deles recebem – este não recebe – de publicidade são um favor escuso, enquanto os seus milhões em anúncios são “limpinhos”.
Lembra a historinha de Ary Barroso, quando apresentava seu programa de rádios e o calouro, à pergunta de “vai cantar o quê?” respondia: “um sambinha”.
E Ary:
- Acho engraçado: se fosse um mambo, não era um mambinho; se fosse uma rumba, não era uma rumbinha, mas como é um samba…
Pois é, aqui somos um “sujinho”…
Mas está ótimo e meus aplausos a O Globo por ter publicado a história.
Notícia não tem dono, apesar de eles pensarem o contrário.
PS. Se O Globo quiser “suitar” a matéria, vai ver que O Dia publicou, no final do ano passado, matéria com a tal Solange Almeida, agora prefeita de Rio Bonito, no interior do Rio, terra de laranjais. E, lendo até o final, verá que ela está cassada por uma sentença judicial, ainda não executada, por desvio de recursos na contratação de transporte escolar. É relevante saber – porque a condenação se refere ao seu primeiro mandato de prefeita (2001 a 2004) e Solange excerceu, ao que parece, o cargo de deputada com uma espada pendurada sobre a cabeça. Gentileza de coleguinha velho, que começou aí no velho prédio da Rua Irineu Marinho, há 37 anos, no tempo das grandes máquinas Olivetti,  a “batucar nas pretinhas”.

TV Afiada - Panelaço Dilma

no Conversa Afiada


por José Gilbert Arruda Martins

Se o "seu" Amadeu estivesse vivo diria: "Que lástima, esses pencudos de bucho cheio reclamam de quê?".

Aqui em Brasília as panelas de R$ 1.500 foram ouvidas em dois pontos: Asa Norte e Sudoeste, exatamente os lugares de metro quadrado mais caros do Brasil, é um lástima a democracia ???

Como disse o Juca Kfouri, " a elite branca não bate panela contra a corrupção, sim pelo ódio a um governo que fez e faz pelos pobres".

Se viver apartado em bairros de casarões é bom, viajar de avião hoje em dia, ficou menos glamouroso, é pobre por todo lado espalhados pelo aeroporto para embarcar. Que miséria sô!!!

Uma coisa positiva com tudo isso pode estar acontecendo, a luta de classes, por muito escondida, mostra suas cores. Esse é, concretamente, um fato para comemoração. O Brasil tem luta de classes, pode ficar mais fácil agora, patrões e trabalhadores, cada um defendo o seu lado, sentarem à mesa para negociar. 

O desvelamento da luta de classe por meio do acirramento do pleito eleitoral e, agora, com esse panelaço, vai trazer à Classe Trabalhadora, muito mais visão do todo e da luta por um modelo de sociedade que inclua, que proteja, que seja solidário.



O panelaço da barriga cheia e do ódio

no blog do Juca Kfouri
Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado. 
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci. 
 O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção. 
 Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade. 
 Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca. 
 Como eu sou. 
 Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga. 
 Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. 
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. 
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. 
Não é preocupação ou medo. É ódio. 
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. 
Continuou defendendo os pobres contra os ricos. 
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. 
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. 
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. 
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. 
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país. 
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.
E sem corrupção, é claro!