sábado, 1 de agosto de 2026

Polícia Federal: órgão autônomo ou Cavalo de Troia – para Lula?

 Por Marconi Lima Burum*



O fundador do Grupo Prerrogativas, entidade esta que está entre os principais coletivos que lutaram para resgatar o Estado Democrático de Direito quando da guerra que a Operação Lava Jato fez ao próprio País, Marco Aurélio de Carvalho, colocou o dedo na ferida no que está se tornando um dos mais complexos problemas para eleições limpas em 2026. Carvalho disse que a recente perseguição ao filho do presidente Lula, o Lulinha, reflete uma ação [ideológica e infraestrutural] dentro da Polícia Federal que pode influenciar sobremaneira a autenticidade democrática do pleito. 

“Não estou falando de toda a instituição. Mas, como toda e qualquer instituição, ela [a Polícia Federal] está em disputa e é reflexo da disputa que tá na sociedade. Então há setores [na PF], sim, que me parece que estão querendo interferir nas eleições. Isso não compromete a confiança que eu deposito no diretor-geral da PF [Andrei Rodrigues]”, afirmou Marco Aurélio ao Uol News e repetiu sua fala no STB News[1].

Em outras linhas, há setores, sobretudo, os segmentos das grandes e médias elites que não suportam ver um presidente operário – que divide parte das riquezas do Estado e dos direitos e oportunidades que este Estado pode ofertar com a classe trabalhadora e com os oprimidos – ser eleito e reeleito novamente para comandar o Brasil. A nossa colonização produziu os seres mais egoístas e mesquinhos que a humanidade poderia ter.

Não obstante, a contaminação cognitiva, pedagógica e política que ultra-polarizou a sociedade, perpetrada especialmente pela potência da (des)comunicação impressa pela Rede Globo (e outras gigantes da mídia) a partir do tal do Mensalão, repetida e massificada nas manifestações de 2013, no “Não Vai Ter Copa”, em 2014, na Lava Jato até bem recente; e, a seguir, muito bem operada pelo poder das Big Techs – na nova ordem mundial –, especialmente com a promoção e engajamento das fake news, da desinformação falaciosa e da construção de pós-verdade que culminou na “fabricação” de um falso “mito antissistema” chamado Bolsonaro, em 2018, ainda perdura nos dias de 2026 e é muito latente em diversos segmentos, como os evangélicos, os donos do Agronegócio, as corporações policiais (e a PF é contaminada por isto), além de outros.

Quando Marco Aurélio imprime sua coragem em apontar que parte da Polícia Federal é leviana ao praticar atos como esta perseguição ao filho do presidente Lula que é completamente injusta e infundada no Direito; que não se trata de não haver provas de algum ato ilícito, mas ao contrário, sequer há fatos que possam remeter ao mínimo razoável de suspeita a Fábio Luís da Silva; que o próprio Lulinha tem sido vítima por décadas de mentiras com o seu nome, afirmando-o como sócio (dono) da Friboi, como proprietário de Ferrari banhada a ouro, e agora, requentando a marmita das mentiras de sua pseudo riqueza conquistada a base uma corrupção que não cometeu, associando-o ao “Careca do INSS” para vincular o “sangue” (e as veias) do presidente Lula a crimes que são bem próprios da família Bolsonaro, Carvalho não está apenas defendendo – como advogado – o seu cliente, todavia, alertando o próprio comando do Governo Federal que estamos diante de uma ilusão: a fantasia de crer tão cegamente nas instituições como órgãos isentos e a serviço da cidadania, da justiça, do Estado Democrático de Direito.

Indiretamente, a potência da denúncia de Marco Aurélio de Carvalho, vem perguntar ao presidente Lula, candidato a reeleição em 2026, se ele está mesmo atento aos seus órgãos subordinados e se, a Polícia Federal se comporta genuinamente como um órgão autônomo para fazer justiça e segurança autênticas, ou se não passa de um Cavalo de Troia Pós-moderno – sob o observatório do Gabinete do Ministro do STF, André Mendonça – para “assassinar” de forma traiçoeira a eleição de Lula, que tem (talvez venha ter) chances de florir já no primeiro turno – sem estas manobras sorrateiras do sistema…

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[1] Acessado em: https://sbtnews.sbt.com.br/colunas/coluna-do-renan/apos-inquerito-defesa-de-

lulinha-fala-em-interfencia-da-pf.

Mestre em Direitos Humanos e Cidadania pela UnB, abraçado às epistemologias do Direito Achado na Rua; pós-graduado em Direito Público e graduado em Letras. Foi Secretário de Educação e Cultura em Cidade Ocidental.