segunda-feira, 24 de agosto de 2026

A sombra de José Genoino (Poesia – Por Marconi Burum)

 


Dois (em)quadrados na tela:

Gilbert, o comunicador!

Genoino, o herói 

           [ de uma quadra histórica!

São os tempos diferentes das redes;

Novas redes;

Novas relações;

Novas plenárias – políticas!

Sou de um tempo que o debate,

A formação política,

Era carne-a-carne;

Sorriso-a-sorriso;

Riste-em-riste;

E até as vias de fato conjugavam o fato!

Hoje temos uma nova casa

         [ a abrigar a luta,

         [ o contato!

(São as laives na net,

Um novo lugar

Lugar-lugar;

Lugar-não-lugar!)

Mas e a sombra, afinal?

Na nova rede,

        [ assisto,

Vejo o José Genoino,

Bem visto;

        [ em carne e osso,

Aos oitenta:

Ainda bem moço…

E projetada pela Natureza,

Na parede da sua trincheira virtual:

A sombra do cara…

Pensei:

Não tive a honra de apertar a mão

        [ do Genoino guerrilheiro,

O candeeiro da democracia

        [ que não existia.

Não tive a honra de apertar a mão

        [ do Genoino anistiado, 

Sequestrado pelo Estado assassino

        [ da Ditadura;

Preso pela tortura

        [ no tempo do terror.

Não arregou – com firmeza e com ternura!

 Não tive a honra de apertar a mão

        [ do Genoino Constituinte;

Na nova esperança

De um tempo instituinte,

Onde a democracia se faz aurora

         [ na participação popular.

Não é apenas votar,

Mas ativar um Estado ouvinte…

Não tive a honra de apertar a mão

        [ do Genoino injustiçado,

Condenado por um crime que não cometeu,

Mas sempre um anime na luta que prometeu.

Um Ser-Tão necessário nas semiologias 

        [ das revoluções no jogo das democracias

        [ brasileiras e vacilantes…

Por ele seguimos avante,

No esperançar de ver a História mudar!

Brotou como água da mina rara

        [ lá do sertão do Ceará

Para por todo Brasil lutar.

Isto posto,

A sombra:

Queria ter ao menos a honra

De apertar a mão de sua sombra

Projetada a gesticular.

Se a olhamos com atenção,

Não é mera sombra,

Mas um oráculo a discursar,

        [ ensinar,

        [ inspirar,

        [ e simbolizar

O respeito que lhe temos,

Por Ser-Tão grande

Que já nos basta sua sombra tocar…


…………………..

P.S.: esta poesia faz mais sentido se as pessoas que a lerem também puderem acessar a live/diálogo entre o José Genoino e o Gilbert Martins no dia 23/08/26, no canal TV Resistência Contemporânea. (Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=I8W03CzkyFE.) 

É porque, para além do conteúdo em si, tão potente da live, por acaso é possível observar que, enquanto fala, Genoino tem sua sombra projetada na parede do que imagino ser sua residência. E isto chama bastante atenção. É como se a sombra conversasse autonomamente. Ou seja: como se fizesse parte do debate, sendo um “sujeito” a mais naquela Ágora  virtual...

Nenhum comentário:

Postar um comentário