terça-feira, 7 de abril de 2015

Um caminho para o Outro e sua escuta

no Outras Palavras
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Diálogos de David Bohn — ou o que a Física Quântica pode ensinar sobre a possibilidade de nos vermos não como meros indivíduos, mas como partes singulares de um todo fascinante

por José Gilbert Arruda Martins

Que beleza de diálogo!

Fico pensando em duas pessoas muito queridas, que quando falam não dialogam, porque uma atropela a outra e, pelo menos para mim, nada fica inteligível, nada é aproveitado (ou quase nada).

Com a velocidade da comunicação na internet, parece que todo mundo perdeu o tempo para "perder" lendo ou dialogando.

Dialogar requer tempo. Precisamos "perder", ou melhor ganhar esse tempo de qualidade no diálogo.
Confuso? Não, você é que não ganhou "perdendo" seu tempo, para ler com mais esmero a matéria do Outras Palavras.

Se você dialoga, se você ouve mais, você terá outras palavras para dizer, para pensar, para falar depois de ouvir.

Um caminho para o Outro e sua escuta

Por Ruben Bauer Naveira* | Imagem: Paul Delvaux, Missa Vespertina (1934)
Pode-se falar da vida de David Bohm (1917-1992) pelo prisma acadêmico (um dos maiores físicos quânticos de todos os tempos) ou político (foi perseguido pelo macarthismo), mas prefiro enaltecê-lo como o grande humanista que foi. Bohm deixou como legado para a humanidade a sua metodologia dos Grupos de Diálogo, ainda não compreendida decorridos mais de trinta anos, e necessária mais do que nunca nesses tempos tormentosos que atravessamos.
“Diálogo”, no senso comum, significa conversa, mas no sentido que Bohm o emprega (nota: usaremos a palavra Diálogo, inicial maiúscula, somente no sentido de Bohm) é um modo específico de conversação que a imensa maioria das pessoas não emprega… nunca. Ou seja, se poderia dizer que se trata um modo antinatural de conversação – na medida em que “natural” seja somente o nosso modo habitual de conversarmos uns com os outros, que fazemos instintivamente e tomamos como o único possível.
Senão, vejamos: o que acontece quando, ao conversarmos, nos é dito algo de que discordamos? Continuamos a ouvir? Não. Nós ou interrompemos para de pronto manifestar nossa discordância, ou então começamos a ensaiar mentalmente uma contra-argumentação para quando chegar a nossa vez de falar – só que aí direcionamos nossa atenção para a nossa própria “voz interior” (o nosso pensamento), não mais para aquilo que continua a ser dito. Interromper, ou começar a pensar naquilo que iremos falar enquanto o outro ainda está falando, são, para nós, coisas tão instintivas, tão naturais, que quase ninguém conseguiria não fazê-las mesmo se assim o quisesse.
Se assim é, não se poderia então dar instruções às pessoas sobre como conversar por esse modo específico que Bohm chama de Diálogo? Não, não se pode. O Diálogo não tem como ser descrito ou explicado, porque somente pode ser aprendido na experiência. Só se aprende a dialogar dialogando.
O Diálogo pode ser empregado em toda e qualquer conversação. Bohm, contudo, viu-o como ferramenta para uma superação construtiva dos conflitos, por mais graves que sejam. Por exemplo, os chamados Acordos de Oslo entre palestinos e israelenses foram obtidos em grupos de Diálogo (ainda que tais acordos tenham sido posteriormente destruídos por aqueles que não tomaram parte no Diálogo). Ou ainda, o seguinteartigo discorre sobre os processos (estes, bem-sucedidos) de conciliação nacional na África do Sul e na Guatemala (ainda que o autor enfatize um outro instrumento, os cenários; no caso da Guatemala, o Diálogo está melhor abordado neste outro artigo).
O Diálogo é especialmente indicado para o tratamento de problemas complexos, porque problemas complexos são necessariamente considerados de formas diferentes pelas diferentes pessoas envolvidas, e assim os inevitáveis choques entre essas múltiplas perspectivas são também uma espécie de conflito, mesmo que inexistam animosidades de natureza pessoal.
O Diálogo acontece por meio de uma paulatina “dissolução” das individualidades na coletividade, com surgimento de um “ser” coletivo (o grupo). Essa dissolução conduz não a uma cessação dos conflitos mas, paradoxalmente, ela leva a um aprofundamento desses conflitos. Isso porque o conflito já não é mais entre as individualidades daquelas pessoas, e sim apenas entre os pensamentos delas (é isso mesmo: o método propicia uma dissociação entre as pessoas e os seus pensamentos). A partir daí, a exploração dos conflitos permite tomá-los como diversidade, a ser aproveitada pelo grupo como um rico manancial para a construção de soluções inovadoras. No final das contas, aquele que “descobre” a inovação que solucionará o problema não será ninguém em particular, mas o grupo como um todo.
Essa transição do individual para o coletivo é tudo menos abrupta: de uma forma sutil – e que necessariamente toma tempo – o próprio processo do dialogar vai aos poucos “assumindo controle”, como se dotado de vida própria fosse. É quando os resultados começam a ser colhidos pelo grupo como se espontaneamente brotassem.
A chave para essa passagem consiste na instauração de uma primazia do ouvir (a coletividade como referência última para a conversação) com arrefecimento do falar (as individualidades, e sua expressão, como as referências para a conversação).
O nosso modo costumeiro de conversação é tomado como o único possível porque nós já nos encontramos tão condicionados à primazia do falar sobre o ouvir que sequer imaginamos que poderia ser o contrário. Mas, ao longo da História, foi o contrário, com essa primazia do falar tendo se firmado apenas mais recentemente.
Pensemos na vida numa aldeia medieval. O que era o “mundo” para o aldeão? Era sua aldeia, sua família, seus costumes e tradições, a natureza circundante… e mais nada. A individualidade do aldeão (sua vida interior) provinha por completo desse seu mínimo mundo exterior. Ele não necessitava de muita autonomia, mesmo porque não teria para onde expandi-la, lhe faltariam referenciais para tanto.
Eis que surge um novo personagem, o comerciante medieval, que necessitava viajar para comprar mais barato e vender mais caro os seus artigos. Ao se deslocar, ele entrava em contato com novas realidades, mundos desconhecidos, onde costumes estranhos lhe pareciam desprovidos de sentido e de história. Ele necessitava encontrar meios de se “encaixar” nesse novo mundo, no qual, para ser bem sucedido, a sua individualidade e a sua autonomia lhe seriam cada vez mais preciosas. Ia ele assim se dissociando das suas raízes, sem tampouco fincá-las nesse seu “mundo novo”, um mundo que lhe parecia cada vez mais neutro e exterior: uma emancipação da individualidade. Cada vez mais o seu referencial de vida seria buscado interiormente, na sua individualidade singular.
Nas sociedades atuais o significado da vida de cada um provém de dentro, dessa sua individualidade singular. É devido a isso que, nas conversações, somos movidos muito mais pela necessidade de nos expressar perante os demais do que pelo desejo de ouvi-los.
Diálogo, no fundo, não é a descoberta de algo inédito, mas o resgate de uma sabedoria do viver humano há muito tempo esquecida, e que hoje em dia somente subsiste em sociedades tribais.
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Obviamente ninguém advogará por uma regressão à vida tribal. Mas podemos (re)aprender a dialogar, algo que se encontra enclausurado na nossa natureza mais profunda – desde que nos disponhamos a uma reconexão com ela.
Conexão é uma ideia cara a Bohm. Numa obra até hoje referencial para a Física Quântica, A Totalidade e a Ordem Implicada, Bohm estabeleceu uma teoria do Universo que distingue duas realidades, a “ordem implicada” (no sentido de implícita) e a “ordem explicada” (no sentido de explícita). A ordem implicada é o mundo quântico das partículas subatômicas, ao qual não temos acesso. Já a ordem explicada é a realidade tal qual a conhecemos, com pessoas, árvores, bichos, pedras, estrelas, planetas etc. etc.
A ordem implicada abrange a Totalidade (Wholeness) do Universo – por isso o título do livro. Ao nível das partículas subatômicas, tudo no Universo é completamente interconectado, não existindo nada que possa ser chamado de uma “parte independente”: cada partícula pode, potencialmente, deter informação a respeito de todas as demais partículas, ainda que à distância de galáxias.
A Totalidade é descrita por Bohm como um todo indivisível, dotado de total coerência e preenchido por completo por campos de energia e informação que se movem em fluxo perpétuo e que, nesse movimento, compõem infinitas formas. Tomemos como analogia o fluxo de um rio, em que também há infinitas formas: ondulações, torvelinhos, respingos etc. Cada uma dessas “partes” não existe em si, elas somente existem com relação à totalidade do fluxo d’água do rio.
A ordem explicada (a realidade que se manifesta perante os nossos sentidos) são essas formas constituídas pelo fluxo da ordem implicada, ou seja, das partículas subatômicas. Com efeito, tudo no Universo é composto de partículas subatômicas. Um dia, todos nós iremos morrer, nossos corpos irão se decompor, mas as partículas que nos constituem não irão desaparecer, elas tomarão parte em novas formas. O mesmo ocorre com as estrelas, as montanhas, os animais, as plantas e com tudo o mais no Universo. Tudo isso são variadas formas que, em relação à Totalidade (a ordem implicada), contam com uma autonomia apenas relativa (apesar da nossa ilusão de que cada um de nós seja estanque, separado, uma unidade em si e por si). As partículas que constituem tais formas, que são para nós as “partes” do mundo, ciclicamente se dissolvem na ordem implicada e se recristalizam como novas formas de autonomia relativa.
Como nós não temos acesso ao mundo das partículas subatômicas, nós não temos como verificar nada disso – a não ser em casos extremamente raros e considerados inexplicáveis, como o do cachorro que, no exato momento em que sua dona, a quilômetros de distância, toma a decisão de regressar para casa, invariavelmente “fica sabendo” disso e se desloca até a porta para esperá-la (conforme documentado nestevídeo, legendado em inglês).
Bohm teve o seu insight ao assistir na TV a um experimento da BBC britânica: dois cilindros de vidro concêntricos eram colocados um dentro do outro e o espaço entre eles preenchido com glicerina, que é um fluido translúcido e muito viscoso. Uma gota de tinta insolúvel era então pingada na glicerina. Ao ser girado o cilindro externo, a gota de tinta ia aos poucos sendo “esticada” tomando o formato de um fio cada vez mais fino até finalmente desaparecer da visão – como se houvesse sido diluída na glicerina. Mas, ao se girar de volta o cilindro, a tinta (que sempre esteve lá, apenas não podia mais ser vista), reaparecia na forma de linha fina que ia aos poucos “encurtando” e ganhando espessura, até voltar ao seu formato original de gota na exata posição em que fora pingada.
Aquela gota de tinta havia sido “envolta” (enfolded) e depois “des-envolta” (unfolded) pela glicerina. Bohm compreendeu então que o movimento perpétuo de fluxo da ordem implicada, ciclicamente, envolve e des-envolve “partes” que, quando des-envoltas, constituem a ordem explicada. Cada uma das “partes”, a um só tempo, por um modo des-envolto, expressa sua autonomia e afirma a sua individualidade singular, enquanto que por um modo implicado opera como parte integrada e dependente do Universo na sua totalidade.
E o Diálogo nisso?
Para um físico quântico não é difícil conceber os pensamentos como configurações de interrelacionamentos entre partículas subatômicas (já um neurofisiologista é capaz de descrever em termos físicos um dado estado mental, por exemplo um pensamento, como uma reconfiguração das interconexões nas redes de neurônios do cérebro).
Ademais, as partículas subatômicas podem ser descritas tanto como entes materiais quanto como manifestações energéticas – imateriais, assim como os pensamentos.
Bohm chegou ao Diálogo ao ver os pensamentos individuais (aos quais se tem acesso) como as “partes” da ordem explicada, com autonomia apenas relativa – ou seja, dependentes – em relação a sucessivos níveis implicados de “pensamento coletivo” (aos quais não se tem acesso). O Diálogo seria então um método para a investigação e descoberta desse pensamento coletivo, oculto a nós mas que condiciona os nossos pensamentos individuais.
Vamos a um exemplo, a mobilidade urbana. Em cada grande metrópole do planeta, o perfil da mobilidade urbana resulta das escolhas dos indivíduos daquela sociedade para sua locomoção (lógico que uns têm maior poder de escolha do que outros). Esse perfil varia bastante conforme a sociedade em questão, ou seja: ele varia conforme a incidência dos condicionamentos culturais locais (pensamento coletivo) sobre as escolhas (pensamentos) individuais.
A imagem a seguir reúne flagrantes do perfil de mobilidade urbana na Alemanha (onde há maior consciência ecológica), China (onde há maior subordinação dos indivíduos aos ditames da sociedade), Estados Unidos (onde se espera que todo mundo tenha carro) e Brasil (onde o transporte individual por carro é símbolo de distinção social). O leitor seguramente não necessita de legendas para distinguir cada um deles.
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cultura, que condiciona o comportamento (e o pensamento) das pessoas, compõe assim o pensamento coletivo. Ocorre que, como não detemos consciência da maior parte dos condicionamentos culturais a que estamos submetidos, nós somente conseguimos discernir aquelas características mais evidentes da cultura (como por exemplo essas sobre mobilidade urbana). Algo como a “ponta do iceberg”.
Todas as convivências humanas geram acomodações comportamentais coletivas – ou seja, culturas – que passam a incidir sobre o pensar das pessoas. Mesmo uma relação afetiva a dois gera uma microcultura (o “casal”) que afeta a ambos (isso é facilmente percebido sempre que uma pessoa encerra um relacionamento e ingressa em outro). O mesmo se pode dizer das famílias, e assim por diante. Cada um de nós, imerso em uma multiplicidade de convivências (família nuclear, família expandida, ambiente de trabalho, empresa, círculos de amizades, redes sociais na web, vizinhança, cidade, país etc.) não tem como se manter à margem dos efeitos desses pensamentos coletivos.
O Diálogo é um modo de conversação em grupo voltado à investigação e descoberta de pensamento coletivo, num esforço que requer perseverança e tempo. Somente quando trazido à tona, ou seja, tornado consciente no grupo, o pensamento coletivo se aperfeiçoa, com reforço dos seus aspectos positivos e reversão dos seus aspectos deletérios. É quando os conflitos são transcendidos de forma inovadora, trate-se de conflitos derivados das diferentes leituras de um problema complexo pelas diferentes pessoas, trate-se de conflitos propriamente ditos.
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O processo do Diálogo é gratificante porém árduo, na medida em que demandará engajamento psíquico dos participantes. Mas o principal obstáculo ao sucesso de um grupo de Diálogo reside em como as pessoas se relacionam com o tempo. Se a minha experiência ao longo de vinte anos como facilitador de grupos de Diálogo me mostrou algo foi que pessoas incapazes tanto de relaxar o controle que elas acreditam poder exercer sobre o tempo, quanto de, ao contrário, permitir-se deixar o tempo agir sobre elas, acabarão por se mostrar também incapazes de suportar o processo do Diálogo pelo tempo necessário a auferir seus resultados.
Para os interessados em orientações metodológicas recomenda-se a leitura dos textos de William Isaacs, do MIT (Massachusetts Institute of Technology).
*Ruben Bauer Naveira tem 52 anos, é pai de dois filhos, tricolor de coração e cidadão brasileiro.


Estupro em estação central escancara crise no metrô-SP

por  no Outras Palavras
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Empresa e governo paulista tentam abafar informações, que confirmam: decadência do sistema e terceirização selvagem já comprometem segurança dos passageiros e funcionários 
Com informações da Federação Nacional dos Metroviários
A crise da rede de metrô paulista, que provocou nos últimos meses acidentes e falhas graves — além de superlotação permanente e paralisia nas obras de expansão — atingiu um patamar mais dramático na última quinta feira (2/4). Uma funcionária da empresa terceirizada Prodata, que trabalhava na bilheteria de recarga de bilhetes da estação República — uma das mais movimentadas e centrais –, foi violentada.
Ela estava cobrindo uma colega gestante em licença médica. Trabalhava sozinha na cabine e iria sair mais tarde. Às 23h27, dois homens aproximaram-se da cabine para rendê-la. Um ficou monitorando e chegou a sair do local por um tempo para despistar quaisquer suspeitas. Mais tarde, retornou e entrou na cabine também. Estupraram-na dentro da cabine e disseram para que saísse somente depois de 30 minutos do ocorrido, para que não fossem denunciados e seguidos.
O Sindicato dos Metroviários está investigando e recolhendo todas as informações possíveis sobre o caso. Um Boletim de Ocorrência do Metrô já foi emitido. Porém, para tentar evitar repercussão, a empresa está blindando ao máximo a notícia. Segundo o sindicato, a chefia está promovendo assédio moral, para que as demais funcionárias terceirizadas não comentem nada sobre o assunto. Alegaria que a revelação pode comprometer a imagem de “segurança” do Metrô, que deixou de ser verdadeira nos últimos tempos. As informações já subiram para a direção da empresa, que, numa tentativa de abafá-las, não libera nada — nem mesmo os vídeos que possam identificar os criminosos.
Trecho do Boletim de Ocorrência interno do Metrô, em que o crime foi registrado
Trecho do Boletim de Ocorrência interno do Metrô, em que o crime foi registrado
O crime realça a gravidade da terceirização selvagem promovida pelo metrô, sempre para reduzir salários e condições de trabalho dos que operam o sistema. As cabines de bilheteria das empresas terceirizadas já foram alvos de diversos ataques e ocorrências, por não terem o mesmo sistema de segurança das cabines dos metroviários. Além disso, ficam em acesso perigoso. Também falta pessoal no período noturno, o que gera maior risco — por haver seguranças suficientes e as trabalhadoras exercerem suas atividades sozinhas, sem uma companheira ao lado.
O sindicato está mobilizando as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs), para enfrentar, mais uma vez, os problemas relacionados à terceirização e precaridade Também procurou a Secretaria das Relações de Trabalho (SRTE) para que as cabines inseguras sejam interditadas.
O crime ocorreu precisamente na semana que antecede a votação, no Congresso Nacional, do projeto de lei que facilita e estimula as terceirizações e a precarização do trabalho. (PL 4330/2004). Amanhã (7/4) haverá um grande protesto em Brasília contra o projeto. Espera-se que parlamentares, antes de votar, reflitam e se sensibilizem sobre a gravidade de sua decisão.
A crise do Metrô paulista, que atinge agora a própria integridade de funcionários e passageiros, arrasta-se há anos — e afeta ainda mais severamente a manutenção do sistema. Conhecido por longo período por sua excelência, o setor vem sendo desmontado e terceirizado. Parte importante das atividades, antes realizada pelos técnicos da companhia, foi repassada aos fornecedores privados de equipamentos — inclusive o cartel de empresas acusado de pagar propinas a diretores do Metrô e integrantes do governo paulista. Multiplicaram-se, em consequência, acidentes, interrupções dos serviços e atrasos. Uma série de matérias publicadas por Outras Palavras a respeito pode ser lida aqui.

TIJOLAÇO: FHC AFUNDA NO UDENISMO

por Fernando Brito, do Tijolaço
:
A vaidade de Fernando Henrique Cardoso retira-lhe, de forma crônica, a prudência de quem se dedica a política, mais ainda quando sua formação intelectual deveria ensinar-lhe que as superfícies da opinião pública, como o mar nas tempestades, agitam-se, fluem e refluem.
No seu artigo de ontem, FHC, tal como sentou-se na cadeira de Prefeito de São Paulo às vésperas de ser derrotado por Jânio Quadros, já convida a oposição, embora não deixe claro qual é seu conceito de oposição e se ele inclui Renan Calheiros e Eduardo Cunha, cabeças do controle conservador do Congresso, embora lhes estenda um dedinho, ao dizer que o PMDB, “também tem propostas a serem consideradas”) a já preocupar-se com a “reconstrução” da política e da economia do país.
Mas não neste governo, deixa logo claro: antes, é preciso “passar o país” a limpo. Mesmo que seja evidente a hipocrisia ao dizer que “não há pressões institucionais para derrubar o governo e todos queremos manter a democracia”, ao colocar-se frontalmente contra qualquer diálogo com “o governo que não deve ser salvo”, mostra onde está a sua aposta.
Apresenta, então, “propostas institucionais” a adotar enquanto o governo se derrete: voto distrital – os cariocas mais antigos devem lembrar-se do tempo em que ele existia semioficialmente aqui, com a política da bica d’água de Chagas Freitas – entrega do pré-sal, uma “nota fiscal”  nacional e, pasmem, um tabelamento da propina, com a imposição de um “teto” de R$ 800 mil para que as empresas financiem campanhas.
Do ponto de vista prático, como quase tudo o que diz, o artigo de Fernando Henrique é um longo nada.
Mas tem algo muito interessante no conceito que, distraidamente, deixa escapar, como deixou, pouco antes de sua posse como presidente, em 1995, sair a frase sobre acabar com a Era Vargas.
Diz, ao analisar o “populismo” com aquelas luvas de borracha que seu nojo elitista faz calçar, que “em 1964, as ‘marchas das famílias pela liberdade’ aglutinaram as forças políticas aos militares contra o populismo presidencial e, posteriormente, se entregaram a práticas autoritárias.
Posteriormente, Doutor? Derrubar um presidente eleito com tropas não seria prática autoritária?
Ou seria democrático tomar o poder e baixar Atos Institucionais a seguir, proclamando a ditadura “branda”, como se expressa no preâmbulo do primeiro deles?
” Para demonstrar que não pretendemos radicalizar o processo revolucionário, decidimos manter a Constituição de 1946, limitando-nos a modificá-la, apenas, na parte relativa aos poderes do Presidente da República, a fim de que este possa cumprir a missão de restaurar no Brasil a ordem econômica e financeira e tomar as urgentes medidas destinadas a drenar o bolsão comunista, cuja purulência já se havia infiltrado não só na cúpula do governo como nas suas dependências administrativas. Para reduzir ainda mais os plenos poderes de que se acha investida a revolução vitoriosa, resolvemos, igualmente, manter o Congresso Nacional, com as reservas relativas aos seus poderes, constantes do presente Ato Institucional”.
O PSDB, como a UDN, não mais chega ao poder pela democracia.
É por isso que FHC aceita intimidades com os fantasmas de 64, com os quais faz hoje causa comum.

EDUCADORA CALA A BOCA DE BLOGUEIRO DA VEJA: “EXIJO RESPEITO.O QUE O SR. ENTENDE DE CRIANÇAS POBRES?”

no Brasil29
MariaIsabel

“Respeito é bom e eu exijo. O que o senhor entende de crianças pobres?”, questiona em carta a educadora Maria Izabel Noronha. Blogueiro da Veja, que considera ilegítimas as manifestações dos professores de São Paulo por melhores condições de trabalho, é o mesmo que incentiva e participa dos protestos pelo impeachment de Dilma

Maria Izabel de Azevedo Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), escreveu uma carta a Reinaldo Azevedo, blogueiro de Veja e da Folha de S.Paulo, rebatendo as críticas sobre a paralisação dos professores.
“O senhor acusa os professores e professoras de prejudicar nossos alunos por estarmos em greve. É preciso lembrá-lo de que a greve é direito constitucional e que cumprimos todos os ritos legais, comunicando-a às autoridades competentes, juntamente com nossa pauta de reivindicações. O que o senhor entende de crianças pobres? Nós as conhecemos bem, ouvimos seus problemas e as aconselhamos, indo além da nossa função de ensinar. Elas são nossas amigas e nos apoiam”, escreve a educadora.
Reinaldo, que considera ilegítimas as manifestações dos professores de São Paulo, incentiva e participa dos protestos que pedem o impedimento da atual presidente, Dilma Rousseff. A greve começou no último dia 13.
Entre as principais reivindicações da categoria estão o fim da superlotação da sala de aulas com turmas de até 25 alunos, alteração na contratação dos professores temporários e reajuste de 75,33% para equiparação salarial com outras categorias de formação superior.
Leia a íntegra da carta de Maria Izabel ao blogueiro de Veja:

RESPEITO É BOM E EU EXIJO!

Muitas pessoas me dizem que eu não deveria me preocupar com os ataques de baixo nível que o senhor desfere contra mim. Entretanto, fui escolhida pelo voto direto e secreto da minha categoria para representá-la. Em respeito aos professores e professoras da rede estadual de ensino de São Paulo, sinto-me na obrigação de rebater as calúnias e barbaridades ditas pelo senhor.
O senhor acusa os professores e professoras de prejudicar nossos alunos por estarmos em greve. É preciso lembrá-lo de que a greve é direito constitucional e que cumprimos todos os ritos legais, comunicando-a às autoridades competentes, juntamente com nossa pauta de reivindicações.
O que o senhor entende de crianças pobres? Nós as conhecemos bem, ouvimos seus problemas e as aconselhamos, indo além da nossa função de ensinar. Elas são nossas amigas e nos apoiam. O problema é que não há políticas do Governo Estadual para integrar as escolas com as comunidades.
O Governador não aplica a jornada de trabalho determinada pela lei 11.738/2008, pela qual teríamos 33% de nosso horário de trabalho para atividades extraclasse, entre elas conversar com os pais de nossos alunos. O governo do PSDB não tem o menor interesse nessas crianças pobres às quais o senhor ardilosamente se refere.
Nós sabemos que essas crianças e jovens não conseguem aprender em salas superlotadas com 40, 42, 45, 60 e até 84 alunos, porque o Governador do Estado decidiu fechar mais de 3.390 classes. Sabemos que elas sofrem com a falta de condições de ensino-aprendizagem. Conhecemos a tristeza desses meninos e meninas com a falta de infraestrutura, com a falta de manutenção dos prédios, com a falta d´água nos banheiros, com o descaso e o ambiente propício à ocorrência de casos de violência dentro da escolas porque o Governo tucano vem reduzindo o número de funcionários e terceirizando o máximo possível as funções dentro das unidades escolares.
O Governo Estadual do PSDB vem aniquilando o sentido de comunidade escolar. As escolas não são espaços de convivência democrática e de exercício da cidadania. Nossas crianças e adolescentes não aprendem, nas unidades escolares mantidas pelo Governo do Estado, a conviver com a diversidade e veem seus professores serem maltratados quando tentam desenvolver um trabalho pedagógico que fuja das orientações padronizadas que emanam dos gabinetes da Secretaria Estadual da Educação.
Se o senhor tivesse o mínimo de informação – obrigação de todo jornalista – saberia que a equiparação salarial dos professores com os demais profissionais com formação de nível superior é determinada pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei aprovada pelo Congresso Nacional. O índice de 75,33% (conforme estudo do DIEESE) é o necessário para esta equiparação salarial no estado de São Paulo. Queremos, sim, negociar um plano de composição salarial para que a lei seja cumprida.
O senhor considera que deveríamos, simplesmente, nos conformar com nossos baixos salários, com a superlotação das classes, com a falta de condições de trabalho, com tudo? Não faremos isto; pode esperar sentado. O senhor seria capaz de sobreviver com um salário mensal de R$ 2.422,58, tendo que ministrar aulas em duas, três ou mais escolas?
Para o Governador, seu secretariado, deputados, desembargadores e outros cargos da cúpula do Estado, houve reajustes salariais votados em pleno final de ano. Nesse caso, não se fala em limitações orçamentárias. Tudo vale para o “andar de cima”. Para nós, o “andar de baixo”, nada.
Em nenhum momento o Secretário da Educação nos propôs discutir qualquer plano de reajustes salariais. Diz apenas que nada pode propor antes de examinar o orçamento. Para um jornalista, o senhor é muito mal informado.
O senhor cumpre o papel de blindar um partido que já não tem como esconder tantas coisas erradas, mas não é isso que quero discutir agora. O senhor repete a ladainha do PSDB, de que marcamos nossa greve para iniciar juntamente com as manifestações de 13 de março. Nada mais falso. Nossa assembleia estava agendada para o dia 13 de março desde o dia 29 de janeiro, quando cinco mil professores realizaram um ato público em frente à Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República. Ali foi aclamada por unanimidade a realização da greve a partir de 13 de março, pois o governo não abria negociações sobre os pontos referentes a salário, jornada de trabalho, fechamento de classes, contratação de professores temporários e outros.
Não somos donos da Avenida Paulista. Ali todos podem se manifestar, inclusive os seus amigos, que no dia 15 de março lá estiveram, sob o patrocínio do Governo Estadual do PSDB, que liberou as catracas do metrô. Isto não é um verdadeiro escândalo? Pois é, o senhor não dá um pio. Oficiamos ao Presidente da Companhia do Metrô solicitando o mesmo benefício. Ele fez alusão à legislação, que permitiria a cortesia num caso e não em outro. Solicitamos que citasse a legislação. Estamos aguardando até hoje.
Não vou comentar os índices divulgados pelo Governo. São ridículos. Tanto que disseram que o índice normal de faltas era de 4% e que durante a greve caira para 2,5%. Creio que o momento não é para brincadeiras deste tipo.
De onde o senhor tirou que “a greve de 2010 terminou com Bebel debaixo de uma chuva de ovos?!!!” De fato, após a repressão selvagem do então Governador José Serra contra os professores nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes eu disse que quebraria a espinha dorsal daquele senhor. Dito e feito: não conseguiu se eleger Presidente da República, pois o Brasil inteiro ficou sabendo o péssimo Governador que fora.
O PSDB e Serra processaram-me na Justiça Eleitoral por causa desta frase, sabia? Perderam. O senhor nunca aceitou isto, não é verdade? Talvez seja hora de superar esse trauma. Recomendo um bom psiquiatra.
Finalmente, para deixar ainda mais patente sua completa desinformação sobre a realidade, devo dizer que Águas de São Pedro é um dos menores Municípios do Brasil. Em 2014, teve apenas 2.885 eleitores registrados, imagine-se em 1992, quando concorri a uma vaga na Câmara Municipal para ajudar a construir o Partido dos Trabalhadores na cidade.
Talvez o senhor não saiba da existência do quociente eleitoral. Fazendo uma campanha sem recursos, sem um partido estruturado, obtive 100 votos, um número bastante considerável em relação ao total de eleitores. Entretanto, não fui eleita, enquanto candidatos com 30 votos tornaram-se vereadores em Águas de São Pedro. Isto é uma evidência cristalina da necessidade de uma reforma política neste país, para que a composição das casas legislativas reflita de forma mais fidedigna a vontade popular.
É incrível sua limitada capacidade de analisar uma situação político-eleitoral como esta. Melhor, então, deixar para os especialistas e pessoas com esta capacidade.
Naquela ocasião eu era – e continuo sendo – muito respeitada por todos na minha cidade pela defesa da educação pública e da melhoria das condições de vida da parcela mais pobre da população. Tenho muito orgulho de cada um dos 100 votos que recebi. Creio que o senhor não possa dizer o mesmo sobre seus textos e sua conduta.
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
(via Pragmatismo Político)

Um Dia Depois e o Fim - 7 de abril de 2015

por José Gilbert Arruda Martins

A CLT está completando 72 anos. Você sabia, que apesar de ser uma senhora, é ela que dá toda a segurança aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil? Pois é, querem acabar com a CLT.

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www.google.com.br/search?q=charge+exploração+do+trabalho
Assista ao vídeo Anamatra e entenda melhor:

Está escrito na nossa Constituição: O trabalho é um direito fundamental do ser humano.

A Terceirização quer acabar com esse direito, tornando-o, apenas uma mercadoria qualquer. O trabalhador terceirizado é super explorado. Ganha menos e trabalha mais. Não possui proteção quase nenhuma. Além de sofrer muito mais acidentes no trabalho.

Até 1942, o Brasil não tinha nenhuma lei que regulamentasse o trabalho. Os trabalhadores e trabalhadoras eram explorados ao extremo.

Você já estudou sobre a Revolução Industrial europeia?

Os europeus ricos, principalmente da Inglaterra, ficaram bilionários explorando a mão de obra dos operários durante o século XVIII e XIX.

Todo mundo era explorado, crianças, jovens, adultos, mulheres, velhos. Trabalhavam cerca de 18 horas/dia.

O Brasil também já experimentou esse tipo de modelo econômico que mata o homem e a mulher de tanto trabalho.

Foi assim com a escravidão, que durou do século XVI ao XIX. Foi assim no Império e na República até aparecer a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1° de maio de 1943.

Buscava a CLT garantir direitos mínimos aos trabalhadores, tendo em vista a impossibilidade desses direitos serem contratados e conferidos exclusivamente pela via da negociação. Em suma, pretendia a CLT o reconhecimento da função social do trabalho e, por consequência, do contrato de trabalho, cujo reconhecimento veio também posteriormente pela nossa Constituição, quando o trabalho resta consagrado como um direito fundamental – como o mais importante direito social que deve ser garantido na sociedade contemporânea. Do mesmo modo, o novo Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor reconhecem posteriormente a função social dos contratos, indo ao encontro das diretrizes traçadas na CLT (Rubens Fernando Clamer dos Santos Júnior, juiz do Trabalho da 4ª Região)
O título dessa matéria é catastrófico de propósito. "Um dia depois e o fim - 7 de abril de 2015". De propósito por que amanhã o Brasil poderá sofrer, se a PL da Terceirização 4330/04, for aprovada, um dos maiores retrocessos de sua história no que se refere à mão de obra e sua proteção.

Se aprovada, toda a sociedade brasileira será atingida, não apenas a classe trabalhadora.

A aprovação desse projeto de lei, além de destroçar com a CLT, que desde 1943 defende o trabalho no país, poderá influenciar na vida de qualquer pessoa. Imagine um médico terceirizado cuidando de um filho teu, ou um professor, que já ganha mal, terceirizado, sendo mais explorado ainda, dando aulas para seu filho?

A aprovação da PL 4330/04, precariza a mão de obra no país e atinge a todos. Será um retrocesso enorme.

Não permita que isso aconteça. Participe dos movimentos contra na sua cidade. Ligue para o deputado que você votou.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

PL da Terceirização será tema central de Dia Nacional de Luta nesta terça

na Rede Brasil Atual 
Centrais, sindicatos e movimentos sociais se juntam para promover atos públicos nas principais cidades do país contra projeto que 'libera geral' para a precarização do trabalho.
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CUT, CTB e movimentos sociais organizam grandes manifestações contra precarização dos direitos do trabalho por trás do PL 4330

São Paulo – Centrais sindicais e movimentos populares do campo e da cidade realizam nesta terça-feira (7) manifestações em todo o Brasil para barrar a votação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei 4330/04, que libera a terceirização para todas as atividades das empresas. As entidades acusam o projeto de, na prática, legalizar o desmanche da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), retirando direitos da classe trabalhadora e proporcionando aos setores patronais segurança jurídica para manter e até mesmo ampliar a precarização das relações e condições de trabalho.
Os atos em todo o Brasil serão também em defesa da saúde pública, da democracia, dos direitos dos trabalhares, da Petrobras e das reformas política, tributária e agrária. Combate à corrupção e a necessidade do marco regulatório das comunicações também estão na pauta.
Sindicalistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás estarão em Brasília, onde os protestos também vão mirar o de reforma política proposto pelo PMDB, que mantém o financiamento empresarial de campanhas eleitorais, considerada pelos trabalhadores a grande criadora de ambientes propícios à corrupção.
Não haverá manifestações no Rio de Janeiro. Já nas capitais e algumas grandes cidades do Brasil, as sedes regionais da CUT e da CTB, ao lado dos movimentos populares locais, farão manifestações nas ruas, avenidas e estradas (leia no quadro abaixo). Algumas categorias e entidades programaram atividades em portas de fábricas, bairros e escolas. Segundo a CUT nacional, em nota distribuída à imprensa, a ideia é "reforçar a mobilização geral pela agenda de desenvolvimento econômico com justiça e inclusão social que (os trabalhadores) ajudaram a construir."
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a prioridade de um Congresso conservador, como o que foi eleito em 2014, é defender os interesses patronais e só se mobilizar para atacar os direitos dos trabalhadores e as conquistas sociais, especialmente, em um ano onde o desenvolvimento do País dá sinais de desaquecimento e ameaça diminuir o lucro dos empresários.
"A agenda dos empresários está tendo prioridade. Por isso, temos de organizar e mobilizar cada vez mais nossas bases, nossa militância, porque a luta pela manutenção e ampliação dos direitos vai exigir uma dedicação enorme de todos nós."

Números contra

Segundo o estudo "Terceirização e Desenvolvimento: uma conta que não fecha", produzido pela CUT em parceira com o Dieese, O Brasil tem atualmente, 12,7 milhões de trabalhadores (6,8% do mercado de trabalho) terceirizados, muitas vezes em condições de subemprego e análogo à escravidão. A pesquisa mostra que os terceirizados ganham menos, trabalham mais e correm mais risco de sofrer acidentes, inclusive fatais.
Em dezembro de 2013, os trabalhadores terceirizados recebiam 24,7% a menos do que os que tinham contratos diretos com as empresas, tinham uma jornada semanal de 3 horas a mais e eram as maiores vítimas de acidentes de trabalho.
Dos 10 maiores grupos de trabalhadores em condições análogas à de escravos resgatados entre 2010 e 2013, 90% eram terceirizados.
No setor elétrico, segundo levantamento da Fundação Comitê de Gestão Empresarial (Coge), os trabalhadores terceirizados sofreram 3,4 vezes mais acidentes fatais do que os efetivos nas distribuidoras, geradoras e transmissoras da área de energia elétrica.

Igualar direitos

A CUT defende o PL 1621/2007, elaborado pela central e encampado pelo deputado Vicentinho (PT-SP). O PL propõe a regulamentação da terceirização, desde que haja igualdade de direitos entre terceirizados e efetivos – assistência à saúde, condições dignas do ambiente de trabalho, tíquete refeição etc).
Os trabalhadores se opõem ao projeto que vai ao plenário do Congresso – de relatoria de Artur Maia (SD-BA) – também porque ele autoriza as empresas a terceirizar inclusive a atividade-fim. E querem que a empresa tomadora de serviços seja igualmente responsabilizada pelos danos aos trabalhadores causados quando a terceirizada deixar de cumprir com direitos trabalhistas.
Assista vídeo da Anamatra contra a aprovação do PL da Terceirização:


Jungmann posa de exemplo da moralidade, mas recebe por cargo que não exerce

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual
Mesmo tendo assumido mandato de deputado federal, em Brasília, parlamentar se mantém vereador em Recife
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Telhado de vidro. Jungmann (dir), Carlos Sampaio (centro) e Mendonça Filho pedem à PGR para investigar Dilma

Na última terça-feira (31), o deputado Raul Jungmann, do PPS de Pernambuco – correligionário e conterrâneo de Roberto Freire –, juntou-se a colegas deputados do DEM e PSDB para bater na porta do  procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para pedir que ele reconsidere sua decisão e peça abertura de inquérito para investigar se a presidenta Dilma Rousseff estaria de alguma forma envolvida no esquema de propinas na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Jungmann, aliás, é o autor do pedido. Mas se a preocupação do recém empossado deputado for moralização e zelo com a coisa pública, ele deveria começar dando o exemplo.
Raul Jungmann mantém dois mandatos eletivos, um de deputado federal e outro de vereador em Recife. Há um mês e meio, ele assumiu na Câmara Federal a vaga deixada por Sebastião Oliveira (PR), também de Pernambuco e atual secretário estadual dos Transportes. Porém, em vez de renunciar ao cargo na Câmara Municipal de Recife, ele apenas se licenciou do mandato de vereador.
Em fevereiro, inclusive, Jungmann recebeu o salário integral pela vereança, mesmo tendo deixado a Câmara no dia 14 daquele mês. As informações estão no Diário Oficial e no Portal da Transparência da Câmara Municipal.
Jungmann assumiu o mandato de deputado federal oficialmente  em 12 de fevereiro, passando a receber salário da Câmara. Mas entre 12 e 28 de fevereiro, ele foi um "vereador fantasma" na folha de pagamento municipal de Recife, acumulando dois salários por cargos que não podem ser exercidos ao mesmo tempo.
A atitude é incompatível com o discurso de "paladino da ética" que o deputado tenta imprimir em seu mandato. A Constituição Federal diz, em seu artigo 54, que os deputados e senadores não poderão, desde a posse, ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
Jungmann licenciou-se do mandato de vereador conforme Resolução 2.595/2015 da Câmara de Recife, publicada no Diário Oficial do dia 14 de fevereiro, “sem ônus para o erário municipal, por tempo indeterminado, a fim de que possa assumir a função de suplente em exercício de deputado federal, enquanto perdurar o afastamento dos titulares”. Porém, o Portal da Transparência da Câmara Municipal que Jungmann foi pago usando-se o salário integral de R$ 15.031,76 como base de cálculo, igual ao dos demais vereadores que trabalharam o mês inteiro.
A assessoria de Jungmann disse ao Jornal do Commércio, de Recife, que devolverá aos cofres públicos R$ 5.366,14. “Uma guia de recolhimento foi enviada ao deputado com a informação que ele deixou a Câmara do Recife no dia 20 de fevereiro e recebeu um valor maior. O documento foi assinado pelo diretor da divisão de pessoal”, diz a nota.
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Como o deputado começou a receber em Brasília a partir de 12 de fevereiro, como comprova o portal da transparência da Câmara dos Deputados, só pode ser remunerado pela Câmara do Recife até o dia 11, pois é proibido acumular os dois cargos. Se receber até o dia 20 de fevereiro, como informou a assessoria, continua na situação de vereador "fantasma" na folha de pagamento por nove dias.
Mas até a licença de Jungmann do cargo de vereador é polêmica. Alguns juristas consideram que, se o parlamentar optou por exercer o mandato federal, deveria renunciar ao de vereador em vez de apenas licenciar-se. Há quem defenda que, ainda que não receba salários, ele continuará acumulando dois cargos. Seria interessante saber porque Jungmann prefere continuar vereador, mas ser deputado e não seguir a Constituição à risca.
Segundo a assessoria do polivalente parlamentar, a Câmara Municipal lhe deu um parecer jurídico favorável à licença, que foi aceito pela Câmara dos Deputados, alegando ser ele suplente e não titular do mandato federal. Disse ainda que "essa mesma decisão já foi tomada em situações semelhantes, em outros lugares, como São Paulo". É mais do mesmo e mais uma vez. Pode ser até legal, mas importaria debater se é ou não imoral, especialmente vindo de quem chega se dizendo mais um arauto do combate à corrupção.

Lembrança

Só pra recordar, em 2011 o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na época no DEM, arrumou uma ocupação para Jungmann na administração paulistana.
Apesar de residir em Recife e estar frequentemente em Brasília, Jungmann não viu problemas em ser nomeado para o Conselho de Administração da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) , que monitora e organiza o trânsito em São Paulo, com salário mensal de módicos R$ 12 mil.

Comunidades Quilombolas do Estado do Maranhão


Fonte: CPISP

por José Gilbert Arruda Martins

O conhecimento é talvez o melhor instrumento contra o racismo.

Ao longo desta semana, vamos postar aqui um pouco das Comunidades Quilombolas do Brasil.

Temos como objetivos, levar essa informação aos nossos estudantes e, principalmente, fazer com que esse conhecimento combata o preconceito e o racismo.

Não existe, a meu ver, forma mais coerente para conhecer a história do Brasil e do nosso povo, do que estudar profundamente e saber sobre a África e sobre a escravidão.

As Comunidades Quilombolas, podem nos dá uma grande e valiosa ajuda nesse sentido. Portanto boa leitura.



Segundo o Centro de Cultura Negra do Maranhão, existem 527 comunidades quilombolas no Estado do Maranhão, distribuídas em 134 municípios. Elas concentram-se principalmente nas regiões da Baixada Ocidental, da Baixada Oriental, do Munim, de Itapecuru, do Mearim, de Gurupi e do Baixo Parnaíba.

O Estado do Maranhão é um dos cinco no Brasil cuja constituição reconhece às comunidades quilombolas o direito à propriedade da terra. Essa garantia é fruto da luta do movimento negro, que conseguiu a inclusão do artigo 229 na Constituição Estadual do Maranhão, promulgada em 1989.

Até outubro de 2007, 20 comunidades quilombolas maranhenses haviam conquistado o título de propriedade de suas terras. Os títulos foram outorgados pelo governo do estado por meio do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma).




TERRAS DE QUILOMBO TITULADAS NO MARANHÃO
(até setembro de 2007)
Comunidades
Hectares
Município
Expedidor
Ano
Eira dos Coqueiros
1.012
Codó
Iterma
1999
Mocorongo
163
Codó
Iterma
1999
Santo Antônio dos Pretos
2.139
Codó
Iterma
1999
Genipapo
589
Caxias
Iterma
2002
Cipó dos Cambaias
2.440
São João do Soter
Iterma
2002
Santa Helena
345
Itapecuru-Mirim
Iterma
2006
Jamary dos Pretos
6.613
Turiaçu
Iterma
2003
Olho D’Água do Raposo
188
Caxias
Iterma
2005
Altamira
1.220
Pinheiro
Iterma
2005
São Sebastião dos Pretos
1.010
Bacabal
Iterma
2005
Usina Velha
1.162
Caxias
Iterma
2006
Agrical II
323
Bacabeira
Iterma
2006
Santo Inácio
1.364
Pedro do Rosário
Iterma
2006
Santana
202
Santa Rita
Iterma
2006
Queluz
256
Anajatuba
Iterma
2006
Rio dos Peixes
542
Pinheiro
Iterma
2006
Imbiral
404
Pedro do Rosário
Iterma
2006
Bom Jesus dos Pretos
217
Cândido Mendes
Iterma
2006
Santa Isabel
838
Cândido Mendes
Iterma
2006
Lago Grande
907
Piritoró
Iterma
2006
20 comunidades
21.935



RESERVA EXTRATIVISTA DO QUILOMBO FRECHAL – A comunidade Frechal teve suas terras transformadas em reserva extrativista por meio do Decreto Federal N° 536/1992. Essa área não consta na tabela de terras tituladas porque a mesma não é de propriedade dos quilombolas. A reserva extrativista é uma categoria de unidade de conservação. É de domínio público com uso concedido às populações extrativistas tradicionais.
O Maranhão é o segundo estado brasileiro com maior número de terras de quilombo tituladas, atrás apenas doPará. Essas e outras conquistas são fruto da árdua luta dos quilombolas maranhenses articulados na Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (ACONERUQ). Nessa trajetória os quilombolas contam com o apoio de valiosos parceiros como o Centro de Cultura Negra do Maranhão, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e o Ministério Público Federal.

Muitas comunidades quilombolas no Maranhão lutam nesse momento pela garantia de seus territórios. Em setembro de 2007, tramitavam no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) 89 processos para a titulação de terras quilombolas situadas no Maranhão.

O cotidiano da maior parte das comunidades é marcado por disputas e conflitos envolvendo seus territórios. Especialmente preocupante é a situação enfrentada pelos quilombolas de Alcântara que, nos anos 1986 e 1987, foram vítimas de deslocamentos compulsórios promovidos pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Segundo o Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos, a expansão do CLA pode resultar no deslocamento forçado de mais 1.500 quilombolas em Alcântara.

Não falta, porém, disposição aos moradores das comunidades para lutar por seus direitos, tampouco alegria de viver. Um símbolo da resistência cultural é o Tambor de Crioula, uma manifestação de várias das comunidades maranhenses e que envolve muita música e dança.

Consulte também: