Além da Operação Anáfora: a oposição precisa de um projeto, não apenas de holofotes
A Polícia Federal cumpriu seu papel ao escancarar, mais uma vez, o modus operandi do clã que trata Duque de Caxias como um espólio particular. Ver R$ 450 mil escondidos embaixo de um sofá é a grotesca síntese de um sistema que suga a 18ª cidade mais rica do Brasil enquanto deixa a população refém de hospitais sucateados, ruas esburacadas e um desenvolvimento que nunca chega.
No entanto, que fique claro: investigação e prisão são remédios para o sintoma, não a cura para a doença. Se a oposição local acredita que o simples fato de ocupar o palanque ou se beneficiar da decadência alheia é suficiente, está profundamente enganada. O momento exige unidade de ação, mas não uma unidade vazia e fisiológica. Exige coragem para enterrar de vez as vaidades pessoais e apresentar à cidade um verdadeiro projeto de desenvolvimento local sustentável.
Cuidado: qualquer movimento que se limite a lançar nomes ou coligações sem lastro programático é apenas uma farsa. Se o plano for apenas "tirar um para colocar outro", estaremos apenas trocando de mãos a chave do cofre e mantendo a mesma lógica predatória. A troca de gestores não pode significar a perpetuação do atraso, nem a substituição de uma oligarquia por outra que se alimenta da mesma boiada fiscal.
O que se exige da oposição – e de toda a sociedade civil organizada – é um compromisso explícito com a transparência radical, com a revisão dos contratos superfaturados e, acima de tudo, com um plano de desenvolvimento que integre a pujança econômica do polo gás-químico e do comércio com a dignidade humana. Chega de migalhas e emendas eleitoreiras. A riqueza gerada no chão de Caxias precisa ser devolvida ao povo por meio de educação de ponta, saneamento básico universal e geração de emprego qualificado.
Aos líderes da oposição: parem de olhar para o retrovisor e de medir forças no ringue das intrigas. Unam-se em torno de um contrato com o futuro. Do contrário, que fiquem todos na mesma berlinda, porque o povo de Caxias não merece ser refém de clãs – merece ser, enfim, o protagonista legítimo da sua própria riqueza.

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