sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Petrobras: e se a saída for reestatização total?

no Outras Palavras
aratuonline-brasil-Petroleiro-da-Bahia-é-eleito-para-o-Conselho-de-Administração-da-Petrobras
Novo representante dos funcionários no Conselho de Administração propõe: diante de pressões da mídia, governo deve recomprar ações, democratizar gestão da empresa e afastá-la do “deus-mercado”
Por Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual 
Em 12 de maio, o técnico de segurança Deyvid Bacelar, 34 anos, completará nove na Petrobras, onde entrou por concurso. É funcionário da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), a primeira refinaria nacional de petróleo, instalada no Recôncavo Baiano. “Surgiu antes da Petrobras”, lembra Deyvid, baiano de Feira de Santana. A RLAM foi criada em 1950, enquanto a empresa veio três anos depois, em meio a campanhas nacionalistas pela produção de petróleo no Brasil e a descrença de muitos.
Assim, a crise atual não surpreende Deyvid. “Isso acontece desde que a Petrobras é Petrobras”, lamenta, criticando o que considera falhas de comunicação da empresa no esclarecimento à sociedade e atacando o papel da mídia tradicional na cobertura das denúncias. Tudo isso, para ele, atinge moralmente os funcionários da empresa, que acabam incluídos na vala comum da corrupção.
Maior participação dos trabalhadores nos processos de decisão poderia evitar, talvez, a ocorrência de parte dos recentes episódios envolvendo a Petrobras. Mas há também muita omissão de informação sobre os resultados obtidos pela companhia, que, muito longe de “quebrar”, como afirmam opositores, segue apresentando bom desempenho.
Eleito com 6.864 votos (57,83% dos válidos), Deyvid Bacelar será a partir de abril o representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da empresa. Coordenador do Sindicato dos Petroleiros da Bahia, ele teve apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP). O atual representante, Sílvio Sinedino, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), teve 5.006 votos. No total, 12.246 funcionários participaram do processo eleitoral. O conselho tem dez integrantes, sete indicados pela União. Dois representam os acionistas e um é eleito pelos empregados.
Em momento de maior pressão política e do mercado financeiro envolvendo a companhia, Deyvid levará ao Conselho uma proposta que vai na contramão do que gostariam de ouvir os chamados analistas, que já se decepcionaram com a indicação do substituto de Graça Foster na presidência, Aldemir Bendine. “Vamos pautar a reestatização da Petrobras”, diz. Ele lembra que já existe uma proposta nesse sentido parada no Congresso: o Projeto de Lei 5.891, de 2009, assinado pelo deputado Fernando Marroni, do PT gaúcho, e mais 21 parlamentares, que restabelece o monopólio estatal no setor.
O próprio Deyvid tem ações da empresa. Muitos outros petroleiros também têm, acreditando, como ele diz, que “a Petrobras é maior do que tudo que está na mídia”.
O técnico pertence à “geração Lula”, como ele mesmo diz. Funcionários que entraram depois de 2003, quando o ex-presidente iniciou o seu primeiro mandato. Foi quando os concursos foram retomados. De acordo com o relatório social da companhia, em 2013, de 62.692 funcionários da Petrobras, 62% tinham menos de dez anos de empresa. Incluindo controladas, subsidiárias e coligadas, a companhia fechou o ano com 86.111 empregados. Deyvid passou em outros quatro concursos, inclusive de nível superior – é graduado em Administração, com especializações em SMS (Saúde, Meio Ambiente e Segurança) e Gestão de Pessoas –, mas disse preferir o cargo técnico na Petrobras.
A nova leva de funcionários é um dado relevante na companhia, mas Deyvid demonstra preocupação com a saída de mais de 8 mil trabalhadores, após um programa de demissões voluntárias na empresa, em 2014. Não há garantia de reposição. Ele teme, na verdade, ampliação da terceirização. Hoje, a proporção é de aproximadamente quatro terceirizados para um funcionário próprio. E quase 90% das mortes decorrentes de acidentes acontece entre funcionários de empresas terceirizadas, como aconteceu nesta semana, em um navio-plataforma no Espírito Santo.
Deyvid critica os ataques especulativos à Petrobras, mas avalia que a própria empresa não se comunicou como deveria. Ele considera que a ex-presidenta Graça Foster não deu as informações necessárias sobre a refinaria de Pasadena e a respeito do último balanço trimestral da campanha. “Eu pessoalmente fiz essas críticas. Cada declaração era uma desgraça. Às vezes (ela) solta uma informação não incorreta, mas sem os detalhamentos necessários”, comenta.
A FUP lançou recentemente um manifesto em que defende o patrimônio representado pela companhia, ao mesmo tempo em que pede punição de corruptos e corruptores, com a ressalva de que esse processo “não pode significar a paralisia da Petrobras e do setor mais dinâmico da economia brasileira”. O próximo representante dos trabalhadores no Conselho de Administração pede transparência e mais participação. E no lugar do “deus mercado”, como ele diz, o Estado.
Leia alguns tópicos da entrevista.

Clima entre os funcionários

É importante destacar que isso, infelizmente, acontece desde que a Petrobras é Petrobras. É claro que se intensifica nos governos militares, Collor, Sarney, FHC. A grande diferença foi o trabalho sujo que a mídia faz, dando ênfase demasiada a um problema que sempre existiu, com algumas informações distorcidas. Devido a isso, os trabalhadores petroleiros se sentiram afetados. Eles sabem que estão em uma grande empresa, que participam do desenvolvimento do país. Mas ele teve a moral atingida. Ouve piadinhas na rua, teve até marchinha, como se todos fossem corruptos.
TEXTO-MEIO
Esse desgaste, essa moral ferida, se deu também pela falta de comunicação da própria empresa. Para o público interno e, muito mais ainda, externo. Somente agora ela vem com uma campanha de defesa, e mesmo assim dando dinheiro para a Globo e para as mídias que sempre a atacaram. O blog Fatos e Dados (mantido pela Petrobras) também já teve uma utilização muito maior.

Participação dos trabalhadores na governança

A lei (12.353, de 2010, sobre participação dos trabalhadores nos conselhos das estatais) dá pelo menos esse espaço. Mas a Petrobras não divulga da maneira que poderia a importância dessa participação. Que poderia ser maior, já que hoje o trabalhador não pode participar de reuniões que discutam pautas trabalhistas e previdenciárias (existe na Câmara um projeto de lei, o PL. 6.051, de 2013, que acaba com essa restrição). Além disso, a gente tem um viés (criado pelo atual coordenador da FUP, José Rangel) de um comitê SMS. É uma linha para aumentar o interesse e a participação das pessoas.
(Ontem, 12, a FUP solicitou uma reunião extraordinária com o novo presidente da empresa, Aldemir Bendine, para discutir mudanças na política de SMS da companhia.)

Acidentes

Tivemos um em janeiro na Bahia (uma explosão na RLAM deixou três feridos), e agora esse no Espírito Santo (explosão em navio-plataforma, com cinco mortes e 25 feridos confirmados até agora). Isso tem de ser discutido pela alta administração. Só em 2014, foram 15 mortes. Isso demonstra a falta de compromisso dos gestores.

Terceirização

A relação é de quatro para um dentro da empresa. São 85 mil funcionários e mais de 300 mil terceirizados. De 85% a 88% das mortes são de trabalhadores terceirizados. A terceirização destrói a relação de trabalho.

Transparência

É um pleito antigo nosso. Há uma proposta antiga dos sindicatos de terem acesso aos processos de contratação. Além de proteger o trabalhador e a trabalhadora, a gente estaria ajudando na fiscalização. Infelizmente, a empresa não dá espaço. Algumas gerências permitem, mas é algo muito pontual. O Conselho poderia criar um comitê específico que se debruce sobre os relatórios. Temos bons auditores internos. Talvez a gente pudesse evitar (alguns dos episódios que agora estão sendo investigados).

Reconstrução

A gestão em si da Petrobras é muito fechada. As decisões acabam sendo muito concentradas. É o que se chama de top-down, sempre de cima para baixo. Essa linha hierárquica é muito pesada. Mas aquilo que vem de cima não tem participação da base, daqueles que estão construindo a empresa todos os dias. E a empresa moderna prevê isso. A gestão deveria ser mais participativa, mais democrática. Tem ferramentas para isso. Para que o trabalhador participe do planejamento estratégico da companhia. É notório que essa estrutura não se sustenta mais. Quem conhece de fato os problemas é o trabalhador na ponta. Essa construção se dá, a nosso ver, na maior participação dos trabalhadores na gestão.

Novo presidente

Há uma falta de participação nas questões decisórias. Para uma indicação dessas, deveria se ouvir o mínimo possível as pessoas que trabalham na companhia. Nesse caso, da forma como foi escolhido, não há participação  nenhuma. Deveria pelo ser feito de uma forma que um perfil fosse direcionado pelos trabalhadores. Mas esse é o mundo ideal. Como a gente não tem, (a outra alternativa) eram os acionistas minoritários, com o deus mercado impondo seu presidente. Apesar de não haver essa participação (dos trabalhadores), a categoria sentiu um alívio por não ter sido o deus mercado que indicou o presidente. Foi pelo menos uma sinalização positiva.

Governança/nova diretoria

Infelizmente, as sinalizações até então foram todas essas. Primeiro, a gente já questiona a direção de Governança [em janeiro, o Conselho de Administração aprovou a indicação de João Adalberto Elek Junior para o cargo recém-criado de diretor de Governança, Risco e Conformidade]. Segundo, a forma de escolha, de buscar uma pessoa de fora, ligada ao mercado, para tratar da segurança de informações estratégicas. Nossa esperança (com Bendine) é que se tenha um maior equilíbrio em relação a isso.

Exclusão de empresas

Se for para punir alguém, tem de ser os gestores. Se tem um problema de contratos, que se melhore a fiscalização. Toda uma cadeia produtiva está sendo afetada. É uma decisão absurda [excluir empresas brasileiras de novas licitações]. A gente espera que a nova diretoria, o novo conselho, mude essa decisão. Se vierem a parar os estaleiros, vai atingir de 70 mil a 80 mil pessoas. Se a decisão for mantida, é muito ruim para o país.

No Conselho

Uma proposta que a gente vai pautar é a da reestatização da Petrobras. Agora que o valor das ações está baixo, o governo deveria estar comprando ações do jeito que fosse necessário. Basta ter interesse e não ceder às pressões do mercado. Até porque tem um projeto de lei de iniciativa da FUP, construído com as centrais, que não anda (o PL 5.891). Se a sociedade tomar consciência da importância disso, de uma reserva de 23 bilhões de barris, do retorno que o pré-sal vai trazer, esse projeto estaria sendo aprovado. Na capitalização da Petrobras, o governo comprou muitas ações. Eles (opositores) veem a possibilidade de o Congresso acabar com o regime de partilha. Petroleiros têm comprado ações. Essas 85 mil pessoas que acreditam na empresa, que sabem que ela é mais do que está na mídia. É hora do governo fechar o capital da empresa, 100% estatal.

A empresa “quebrou”?

Tem a questão política. Mas é omissão de informação, na verdade. Em 2002, a empresa tinha 36 mil empregados. Não se fazia concurso há 15 anos. Em 2014, chegou a 85 mil. Saiu de um valor de mercado de US$ 15 bilhões (2002) para US$ 108 bilhões. O pior é que a sociedade acaba se contaminando. As pessoas não sabem que o pré-sal já produz 700 mil barris por dia, que a empresa bateu recordes de produção nos últimos três anos [em 2014, a Petrobras obteve marca histórica na produção total de petróleo e gás]. Nenhuma petrolífera do mundo faz isso. Mas o trabalhador sabe que tudo isso não passa de um grande jogo político. E sabe que o que está por trás de tudo isso é o financiamento empresarial de campanhas políticas. Não adianta a gente fazer todo essa discussão agora se não vai no cerne da discussão, que é a reforma política.

App da Livraria Cultura vem com mais de 40 mil livros gratuitos

no Catraca Livre
Conhecimento, cultura e diversão estão ao alcance de um clique: o Kobo é um aplicativo que contém mais de 40 mil livros digitais totalmente grátis, além de todos os outros ebooks pagos.
São best-sellers, histórias infantis, clássicos, lançamentos, entre outros livros.
O app pode ser baixado gratuitamente nas plataformas iOSWindowsAndroid, em dispositivos Blackberry, no Google Play ou no seu Mac ou PC.
Wikipedia
Pensando no seu conforto, o app Kobo ainda possui recursos que te ajudam a ler de onde estiver. Está indo dormir? Diminua o brilho da tela. A iluminação do metrô é fraca? Basta aumentar o brilho. Você ainda pode optar por diferentes estilos de fonte para minimizar a fadiga ocular.
Conheça alguns modelos de tablets e leitores de livros digitais da Kobo aqui e aqui. Saiba mais sobre o app aqui.

Sobre a marcha dos sem-teto e projeto interrompido

POR ANTONIO MARTINS no Outras Palavras
O protesto, às 19h: contra segregação hídrica, propostas certeiras e um possível caminho para tirar esquerda das cordas
O protesto, às 19h: contra segregação hídrica, propostas certeiras e um possível caminho para tirar esquerda das cordas
Protesto convocado pelo MTST para hoje diz muito sobre gestão da crise hídrica em SP – mas, também, sobre “apagão” da esquerda brasileira
Por Antonio Martins | Foto: Mídia Ninja
Nada como a experiência para dirimir grandes dúvidas, pessoais ou políticas. Milhares de trabalhadores sem-teto, mobilizados pelo MTST, marcharão esta tarde até o Palácio do Governo de São Paulo, em protesto contra a falta d’água – já gravíssima na periferia da capital e em seu entorno. Ao fazê-lo, colocarão a nu a política segregadora adotada pelo governador Geraldo Alckmin (com a cumplicidade da velha mídia) para lidar com a estiagem e o esvaziamento das represas do Estado. Mas revelarão também que há um caminho viável para enfrentar a paralisia e o caos em que mergulharam setores da esquerda, desde a reeleição de Dilma Roussef. As duas questões estão imbricadas.
“O racionamento na periferia já começou faz tempo”, diz o MTST na convocação para a marcha de hoje. O alerta contradiz o discurso oficial e midiático sobre o tema, além de jogar luz sobre certa política. Ao dizer que tentará poupar a população do enorme desconforto provocado pelo corte de água, o governador mente. A política que a Sabesp, empresa estadual de abastecimento, adota desde o final de 2014 já significa privação e sofrimento para a grande maioria dos moradores da Grande São Paulo – aqueles cuja dor não sai no jornal.
Para evitar o esvaziamento completo dos dois principais sistemas de represas da região (Cantareira e Alto Tietê), a Sabesp reduziu a vazão, em ambos, à metade do normal – de 31 para 16 metros cúbicos por segundo. Para fazê-lo, rebaixou a um décimo do recomendado a pressão com que a água é bombeada na rede de encanamentos. A medida poupa os sempre privilegiados. Ricos e boa parte da classe média possuem, em prédios ou casas, fartas caixas d’água (em certos bairros, usam-se mesmo piscinas, ou se constroem, às pressas, novos tanques sob os estacionamentos…). A queda de pressão passa totalmente despercebida, pois o reservatório privado é reabastecido por completo, no momento em que a água volta aos canos públicos.
Na periferia, não. Multiplicam-se os relatos sobre bairros que passam cinco ou mais dias inteiramente à seca. Mesmo quando isso não ocorre, a queda de pressão é manejada pela Sabesp de modo que a água chegue nas torneiras apenas tarde da noite, quando se dorme após trabalho exaustivo. Mas, como de praxe numa sociedade cindida, o drama suburbano não tem destaque algum nos jornais e na TV.
TEXTO-MEIO
O MTST construiu, para a marcha de hoje, uma pauta que toca no fulcro do problema. Quer distribuição de caixas d’água e construção de poços artesianos nas periferias. Reivindica o rompimento dos contratos “de demanda firme”, por meio dos quais a Sabesp estimula grandes empresas a consumirem mais água, “premiando-os” com preços muito abaixo dos normais. Exige “isonomia no rodízio”. Espera-se que ao menos dez mil pessoas participem do protesto. Não serão apenas sem-teto. Além de outros movimentos sociais, a convocação sensibilizou gente como a cartunista Laerte, a ex-candidata a presidente Luciana Genro, os deputados Adriano Diogo e Jean Wyllys. O significado político é óbvio. Assim como no Paraná, onde avança a mobilização socialcontra o “ajuste fiscal” do governador Beto Richa, está surgindo em São Paulo uma trilha para enfrentar a turbulência política criando sentidos de luta contra as injustiças e desigualdades.
* * *
Na série de contradições e incoerências que marca o início do segundo governo Dilma, uma se destaca – tanto por bloquear qualquer correção de rumos quanto por comprometer politicamente as ações de toda a esquerda, dentro ou fora do poder. Diante de um cenário econômico adverso, a presidente optou por um “ajuste fiscal” que impede um possível passo adiante do chamado “lulismo” e – muito pior – alimenta os setores das elites que sempre desejaram sufocar as mudanças dos últimos doze anos.
Dilma nomeou Joaquim Levy ministro da Fazenda e deu-lhe ampla liberdade para cortar despesas públicas e abrir espaço, no Orçamento, para mais transferências aos rentistas. Imaginou que, assim, serenaria a aristocracia financeira, ala mais poderosa e barulhenta dos que se opunham a seu primeiro mandato. Ao contrário: os super-ricos embolsaram três altas seguidas das taxas de juros, mas a mídia associada a eles joga sobre as costas do governo – e da esquerda – as consequências do “ajuste”: restrições ao seguro-desemprego, veto à correção da tabela do Imposto de Renda, cortes na Educação. Projeta-se como heróis personagens como o deputado Jair Bolsonaro – que ontem, a pretexto de defender a “greve” dos caminhoneiros, discursou na Câmara Federal em favor do golpe de 1964 e comparou seu contexto à situação atual do Brasil.
A espiral de fatos negativos e de erros bizarros acelerou-se, esta semana. Como havia, no Congresso, sinais de resistência ao “ajuste fiscal”, o governo optou por colocar Joaquim Levy em negociação direta com as bancadas do PMDB. No primeiro momento, esse partido apoiou o ministro — e pediu ainda mais espaço no governo… Agora, já fala que só defenderá as medidas impopulares se o PT também as apoiar. O próprio Lula já teria se comprometido com o enquadramento da esquerda institucional. Nesta quarta (25/5), circula a informação de que Dilma teria decidido apertar ainda mais o corte de gastos públicos – cujas proporções governo e imprensa encarregam-se de manter desconhecidas. Além disso, pressionada pelo sistema financeiro internacional, com o rebaixamento de sua “nota”, a Petrobras teria sido orientada pelo governo a pedir apoio às próprias instituições que a atingem para vender parte de seus ativos…
Num debate recente, Guilherme Boulos, integrante da coordenação nacional do MTST, afirmou, enfático: “para ser defendido, o governo precisa tornar-se defensável”. Aparentemente, nem Dilma nem Lula deram-se conta da necessidade deste passo. Talvez a marcha de hoje os ajude a enxergar um caminho – ou indique que eles, no momento, buscam outro rumo…

Um mapa dos grandes danos ambientais

no Outras Palavras
mapa bru
Estudo alemão identifica países mais afetados por eventos climáticos extremos ligados ao aquecimento global. Estados-ilhas são os mais prejudicados
Por Juliana Winkel, da Agência Jovem de Notícias*
A COP19 — reunião global de países que se declaram interessados em enfrentar o aquecimento da atmosfera — sediou nesta terça-feira (12/11) a discussão a respeito do Índice Global do Risco Climático, um vasto relatório apresentado pela organização não-governamental Germanwatch. Um de seus produtos é o mapa que analisa onde e como têm ocorrido os principais danos ambientais dos últimos anos, em especial ligados a fenômenos bruscos e de consequências violentas (inundações, tufões, ondas de calor e outros). Foram divulgados os dados mais recentes apurados pela organização, abrangendo o período entre 1993 e 2012.
Em primeiro lugar na categoria de risco estão os países insulares ou mais próximos à costa: Honduras, Mianmar e Haiti. No último ano, os mais afetados foram as Filipinas, Paquistão e novamente o Haiti. Outros países com índices altos de incidência ou risco de catástrofes, na América Latina, são Nicarágua, República Dominicana e Guatemala – dividindo a classificação com Bangladesh, Vietnã, Mongólia e Tailândia.
O Brasil está em zona de risco moderado – entre 51 e 100, em uma escala que vai de zero (o  índice de maior ameça) a 100, embora também apresente potencial de risco, especialmente em suas áreas litorâneas.

*A Delegacão Jovem do Brasil na COP19 é composta por 
Aliança Mundial das ACMsEngajamundoFederação Luterana Mundial e Viração Educomunicação.

Aquela de que (sempre) falamos

no Outras Palavras
150224_projeto_ancora2-601x275
Já é hora de pensarmos Educação como projeto coletivo libertador; um direito e não privilégio; não homogênea, porque democrática
por José Gilbert Arruda Martins
A educação como solução. "Discurso para inglês ver?"
Todos defendem a educação. "Todos pela educação". É lema de Ong, é tema de debate, é discurso fácil na boca de "autoridades".
Apesar dos avanços dos últimos anos. A educação brasileira, especificamente, a educação pública, vive, na maioria dos Estados e municípios do país, uma crise profunda.
Para citar alguns locais mais conhecidos do grande público: no Paraná, até hoje, dia 27 de fevereiro de 2015, 100% dos estudantes estão sem aula. Em Brasília, capital da República, após a Assembléia do dia 23/02, a categoria decidiu por paralisar as aulas até hoje, dia 27/02, esperando uma resposta concreta do GDF, mais de 460 mil estudantes estão sem aula. 
Sem destacar, por enquanto, as questões de falta de salário digno e de todo tipo de material, na grande parte da escolas, principalmente, nas micro e pequenas cidades do país como um todo.
Enquanto os filhos e filhas dos trabalhadores (as) estão sem frequentar a escola. As escolas particulares funcionam "normalmente" desde a última semana de janeiro. Quem irá ficar para trás na corrida pela formação e pela sobrevivência profissional?
Em Brasília, o "novo" governo do PSB - Partido "Socialista" Brasileiro, não pagou até hoje, 13° salário, mês de janeiro, 1/3 de férias, rescisão contratual dos professores em regime de Contrato Temporário entre outras pendências financeiras.
Para mostrar que a Educação Pública é "prioridade", o GDF - Governo do Distrito Federal -, entrou com o pedido na justiça para que os professores e professoras voltem às salas de aula. O TJDFT - Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que não atendeu ao pedido do Sinpro-DF para que o determinasse que governo pagasse nossos salários atrasados, protocolado desde o início de janeiro, de pronto atendeu ao governo e determinou a volta às aulas, do contrário o sindicato será multado em R$ 50 mil/dia por escola parada.
A categoria, de dezembro ao dia de ontem já fez várias atividades de pressão: fechamento de ruas, acampamento na praça do Buriti em frente ao palácio, apitaço na rodoviária e em dezenas de pontos do DF, caminha, várias reuniões de negociação, pressão aos deputados distritais, comunicados na TV , assembléia; ontem,  participaram ativamente e presentemente da Sessão deliberativa na Câmara Legislativa do Distrito Federal, com a participação dos professores e professoras, estudantes, representante dos pais e mães, sinpro-df, sae-df e todos os deputados.
Quando a educação será concretamente notada?
Quando os professores e professoras serão concretamente respeitados?
Quando iremos deixar os discursos fáceis e ir para a prática?
Parabéns professor Carlos Eduardo Rebuá pela bela matéria.

Antes de ontem, o governo entrou na "justiça"
Por Carlos Eduardo Rebuá* | Imagem: Projeto Âncora
De todos os nomes evocados pelos discursos hegemônicos, seja no âmbito da pequena ou da grande política; do foro privado, público ou privilegiado; seja no Brasil ou na Guiné Equatorial, a educação é sem dúvida a “entidade” mais popular e eficaz. Para ficarmos apenas no exemplo mais recente e mais citado na grande mídia e nas redes sociais, temos o lema da “Pátria Educadora”, encampado pelo governo após a mais acirrada disputa presidencial desde 1989: “Ao bradarmos ‘Brasil, pátria educadora’, estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades (…) só a educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero (…)” [1].
Se pegamos como panorama apenas as últimas duas décadas, como não lembrar da irmã do piloto Ayrton Senna, no mesmo ano de sua morte (1994), anunciando a criação do Instituto que leva o nome do ídolo brasileiro, ONG que integra o Movimento Todos pela Educação [2] e que busca produzir conhecimentos“para melhorar a qualidade da educação, em larga escala”? Quem não se recorda do senador Cristovam Buarque, primeiro ministro da Educação de Lula, em sua candidatura própria à presidência em 2006, contra Lula, empunhando a bandeira da “Revolução da Educação”, encarada como a solução imediata para todas as mazelas sociais da nação (e por isso virando piadas virais internet afora)?
Qual cidadão não viu ou ouviu matérias jornalísticas nos últimos anos a exaltar a Coreia do Sul e sua educação de ponta, capaz de alçar um país asiático de pouca relevância econômica há algumas décadas a modelo de desenvolvimento econômico-científico (mais educação = menos desigualdade)? Se alguém nos perguntar numa pesquisa de opinião o que propomos para a melhoria do país dificilmente responderíamos algo diferente de “investir em educação”, para além de sua quase irmã siamesa “saúde” e suas primas de primeiro grau “segurança”, “moradia”, “assistência social”.
Como mantra e solução redentora a educação desempenha por aqui e em quase todo o mundo um papel de “Código de ‘A Vila’ às avessas”: o filme de M. Night Shyamalan, de 2004, retrata uma hipotética comunidade estadunidense do final do século XIX fundada sob códigos de conduta estabelecidos por um Conselho de Anciãos, que “cimentam” aquele grupo de pessoas a partir do medo e da iminência da punição. A vila não permite que ninguém “de fora” entre e que ninguém “de dentro” saia: não há comunicação com o mundo externo à comunidade. Uma destas “regras coletivas” era a proibição de adentrar a floresta, habitada por Aqueles de Quem Não Falamos” (“Those We Don’t Speak Of”), criaturas monstruosas capazes de matar quem ousasse ultrapassar os limites daquele espaço. A submissão às proibições (usar vermelho, por exemplo) é vista como algo natural, na tensão diuturna entre desejo de desafiar os tabus e punição. Na verdade a vila foi construída no tempo presente dentro de uma reserva florestal, por ex-habitantes da cidade, indivíduos que sofreram diferentes traumas e perdas por conta da violência dos grandes centros urbanos e que decidiram construir uma utópica sociedade harmônica, cercada pelo medo e por códigos de conduta impostos pelos fundadores do vilarejo, os anciãos.
De uma das dimensões – dentre outras – fundantes da vida social, a educação é alçada, cotidianamente, ao posto de principal agente da transformação, de fonte inesgotável e automática da garantia de novas formas de sociabilidade, de outros padrões civilizatórios numa dupla costura ideológica que associa imediatamente – sobretudo a partir da teoria do capital humano de matriz estadunidense – educação a desenvolvimento econômico, ao aumento das taxas de lucro do capital, conferindo à primeira o caráter de qualificadora do segundo, ao mesmo tempo que reforça uma concepção etapista dos processos educativos, onde se tornar uma Inglaterra ou Alemanha está ao alcance de todos, mediante a aplicação dos manuais vindos de fora.
Há exatos 140 anos, em 1875, um certo filósofo alemão – outro de quem costumeiramente não devemos falar o nome – defendia num de seus textos mais brilhantes [3], ainda relativamente pouco conhecido do público mais geral, que não é o Estado o agente da educação popular, mas o contrário: é justamente o Estado que necessita receber do povo uma educação muito rigorosa. A História nos ensina que as tentativas de educar o Estado, a partir dos subalternos, de forjar epistemes vinculadas às suas demandas e projetos de mundo provocaram (como na repressão feroz à Comuna de Paris de 1871 ou aos projetos de educação popular de Paulo Freire no início dos anos 1960) a ira das elites, sobre quem devemos falar: aqueles que se organizam a todo tempo na construção de suas próprias escolas, universidades, institutos e na dissolução dos espaços de saber que ousam avançar florestas adentro, questionando as vilas cinicamente harmônicas e alcançando a cidade, lugar do conflito, da memória, da experiência.
Já é hora de refutarmos o “abre-te, Sésamo” da educação redentora e falarmos (sempre) da educação como projeto coletivo libertador, como práxis político-pedagógica, que não pode ser privilégio porque direito e que não pode ser homogênea porque democrática. Falar da educação não como solução, mas como problema já altera significativamente nossa relação com criaturas, medos e respostas fáceis, que sempre encontram na “chave-mestra” da educação a resolução das misérias de todo tipo.
* Professor, historiador, doutorando em Educação pela UFF.
[1] Disponível em: http://www.brasil.gov.br/governo/2015/01/dilma-toma-posse-e-anuncia-lema-do-novo-governo-201cbrasil-patria-educadora201d. Acesso em fev. 2015.
[2] Movimento criado em 2006 que reúne quase 80% do PIB nacional (Itaú, Bradesco, Vale, Monsanto, Globo, Abril, Odebrecht, Faber-Castell, Gol, HSBC, Natura, Santander etc.) em torno de um projeto que visa fazer o Brasil alcançar “a Educação que precisa”, através de cinco metas “simples, específicas e focadas em resultados mensuráveis”, onde uma se destaca (Meta 5): “Investimento em Educação ampliado e bem gerido”. Disponível em: http://www.todospelaeducacao.org.br/quem-somos/quem-esta-conosco/. Acesso em fev. 2015.
[3] MARX, Karl. Crítica do Programa de Gotha. São Paulo: Boitempo, 2012.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sessão deliberativa na CLDF debate a educação no Distrito Federal

Por Luis Ricardo no Portal do Sinpro-DF
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza nesta quinta-feira (26), às 15h, uma sessão deliberativa para debater a questão da educação no DF, em especial a paralisação das atividades. Foram...
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza nesta quinta-feira (26), às 15h, uma sessão deliberativa para debater a questão da educação no DF, em especial a paralisação das atividades. Foram convidados representantes do Sinpro, da associação de pais e mestres, do Sindicato dos Auxiliares de Educação (SAE) e o secretário de Educação do GDF.

Os professores e professoras poderão acompanhar a sessão da galeria da Câmara Legislativa. Compareça!


Nota de esclarecimento

Por Maria Carla no Sinpro-DF

IMG_7418 756

Informamos que até o presente momento o Sinpro-DF não recebeu nenhuma notificação da Justiça e esclarecemos que a decisão da assembleia geral realizada na segunda (23) não foi pela deflagração de greve, e sim pela suspensão das atividades até a próxima assembleia geral a ser realizada no dia 27 de fevereiro. Caso o Sinpro-DF seja notificado, o Sindicato irá recorrer.
Na assembleia geral realizada na segunda-feira (23), data que seria o início do ano letivo das escolas da rede pública do Distrito Federal, a categoria avaliou ser inviável iniciar as atividades escolares sem que o GDF quitasse todos os débitos que acumula com os(as) professores(as).
Os débitos são referentes aos salários não pagos: abono de férias, 13º salário dos aniversariantes de dezembro, rescisão contratual dos contratos temporários, diferenças de 13º dos que fizeram aniversário entre janeiro e agosto.
Importante destacar que o início das aulas, previsto para o dia 9 de fevereiro, havia sido adiado sem nenhum motivo pelo novo governo que, arbitrariamente, alterou o calendário escolar definido ainda em 2014, reduzindo períodos de recesso escolar e prorrogando o ano letivo até o dia 29 de dezembro de 2015.
Ressaltamos que a categoria, durante assembleia geral de 23 de fevereiro, decidiu suspender as aulas para aguardar a decisão da próxima rodada de negociação, agendada pelo próprio GDF para o dia 27 de fevereiro às 10h. Em seguida, à tarde, os(as) professores(as) vão se reunir na assembleia prevista a fim de avaliar a proposta do GDF.

Quebrar o Brasil, o projeto da direita para derrubar Dilma

Autor: Fernando Brito no Tijolaço
quebrar
Lamento informar ao Ministro Joaquim Levy: os problemas de nossa economia não estão vindo tanto da falta do “ajuste fiscal” – embora, sim, seja necessário cortar gastos nos momentos de dificuldade – mas no projeto da direita brasileira de quebrar a economia nacional como forma de criar, mais adiante, o clima político para o que deseja desde a noite em que foi proclamado o resultado das eleições e confirmada a vitória de Dilma Rousseff.
O que está acontecendo aqui é que, de um lado, recrudesceu a campanha política selvagem para demonstrar que a economia brasileira entrou em colapso e, de outro, o medo paralisante de nosso Governo de enfrentar esta ofensiva e estabelecer a controvérsia, a polêmica, ao discurso do “fim do Brasil”
Economizar R$ 1 bilhão em despesas é dificílimo; já perder R$ 1 bilhão em receitas é algo que se faz “num cuspe” com a perda de confiança na economia.
E vamos mal assim?
Um dado apenas mostra que não: as viagens de avião – especialmente as de férias – cresceram 12,5% nos destinos domésticos no primeiro mês do ano: 9,7 milhões de passageiros este ano, mais de um milhão a mais que em 2014. Nas viagens mais caras, as internacionais, mesmo com a alta do dólar, a demanda medida em passageiros por quilômetro voado cresceu absurdos 32,9% sobre janeiro de 2014.
Mas isso é meia-verdade, porque vamos derrubar ainda mais (porque já caíram ano passado) os investimentos públicos por conta do caso Petrobras e das suas “desejadas” extensões para outras áreas daquilo que só funciona com dinheiro estatal (eletricidade, transportes urbanos, portuários, ferroviários, rodovias, habitação, etc).
E com eles, toda a cadeia produtiva da construção, especialmente a pesada, que avançou mais, muito mais, do que o PIB durante a última década e que representa quase um décimo de toda a produção de riqueza no Brasil.
Com o ajuste fiscal, em princípio, corta-se aqui e gasta-se no custo financeiro da dívida pública, ampliado pelas altas exigidas pela taxa de juros dos títulos.
O Governo brasileiro parece acreditar que a tempestade será como as chuvas são hoje no Brasil: podem até ser fortes, mas não duram muito tempo.
Pode ser, porque a economia mundial não recomenda adivinhações.
Mas a postura passiva, desconhecendo a imensa capacidade de o Estado brasileiro ditar o ritmo da atividade econômica aqui deixa o país ao sabor das “ondas” que se constroem  na política e na mídia.
Que amedrontam, retraem, paralisam.
E erodem o poder de um governo eleito de sustentar-se ante o tsunami midiático-judicial que se desfechou contra ele.

MARANHÃO - Fernando Furtado toma posse na Assembleia Legislativa

no Portal Vermelho
 
Militante do PCdoB, o sindicalista Fernando Furtado tomou posse na Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (24). O mais novo parlamentar do Partido Comunista no Maranhão é pescador e tem base política na Baixada Maranhense, uma das regiões mais pobres do Estado. 

Durante o discurso de posse, Furtado destacou a importância do PCdoB no processo de transformação do Estado: “Como membro do PCdoB, espero junto com os companheiros honrar os compromissos, fazer com que a gente possa juntos, unidos e junto com o Governo do Estado, novo Governo, um novo momento, que a gente possa melhorar a qualidade de vida do nosso povo, melhorar o nosso Estado, tirar o nosso Estado do atraso”, destacou.

Membro da Central dos Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil (CTB), Fernando Furtado disse que levantará a bandeira em prol da causa dos trabalhadores, em especial a dos pescadores: “O Maranhão, que tem o segundo maior litoral e que tem a maior reserva de manguezal em áreas contínuas do mundo, grandes berçários e nós não conseguimos fazer com que os pescadores, as pescadoras, marisqueiros, catadores, toda cadeia produtiva da pesca tenha uma vida mais digna. Essa será minha bandeira, a minha luta aqui dentro desta Casa”. 

Fernando Furtado obteve 17.472 na eleição do ano passado.

HSBC: “furo” do UOL saiu há 14 dias em Portugal!

no Conversa Afiada
A explicação do Fernando Rodrigues merece um Nobel do Jornalismo PiGal !
De Fernando Brito, no Tijolaço:

OS CRITÉRIOS (ATRASADOS) DO UOL PARA A LISTA DO HSBC SÃO OS MESMOS PARA TODOS?




Fernando Rodrigues, colunista do UOL que é “dono” da lista das contas secretas do HSBC na Suíça solta mais um pedacinho da sua “verdade seletiva”.

Desta vez, empresários de ônibus, à frente dele a figura emblemática de Jacob Barata.

Aquele que casou a filha numa festança suntuosa no Copacabana Palace, com direito a cenas de Maria Antonieta e Gilmar Mendes, o lento,  de padrinho.

O dono da lista justifica a publicação das contas de Barata e não de outras.

“Há interesse público na informação: as linhas de ônibus no Brasil são concessões do Estado”.

Mesmo aceitando o “critério” de Rodrigues – o que é uma tolice, porque todo empresário tira a sua fortuna do público, seja como concessionário, seja como vendedor de produtos e serviços (não dá para comprar um sabonete com o desconto do dinheiro mandado para fora pelo “saboneiro”) fica a pergunta:

E os concessionários de rádios e emissoras de televisão, não são concessionários?

Será o sr. Rodrigues capaz de dizer que não há concessionários da mídia no “listão da evasão”?

A Globo, por sinal, mantinha uma empresa de fachada na mesma Road Town, Ilhas Virgens, onde Barata sediava a empresa que operava a conta no HSBC.

Ou será que Rodrigues publicou o “furo de reportagem” porque, há duas semanas, o Diário de Notícias, de Portugal, já tinha publicado a informação de que Barata era titular de uma conta no banco suíço, republicando informações de um jornal angolano?

Ou seja, é uma “novidade de segunda mão”.

Que os nossos “jornalões”, neste instante, repercutem furiosamente.

Será que vamos depender dos jornais lá de fora para que o “interesse público” exista aqui?


Leia mais:

HSBC: JORNAL FAZ EMPRÉSTIMO E SE CALA​



AMAURY CAI FORA DO HSBC DA FEL-LHA



HSBC: MPF VAI INVESTIGAR O SWISSLEAKS

Para um terço dos alemães, capitalismo leva à pobreza e à fome

no Diário do Centro do Mundo
override-if-required

Mais de 60% dos alemães consideram que não há uma democracia verdadeira na Alemanha. A culpa seria da influência da economia, que teria mais força do que os eleitores. Esse é o resultado de uma pesquisa de opinião realizada pelo instituto Infratest Dimap, a pedido da Universidade Livre de Berlim, e publicada nesta terça-feira (24/02).
Segundo o relatório, uma a cada três pessoas está convencida de que o capitalismo inevitavelmente leva à pobreza e à fome. Além disso, 37% dos residentes do lado ocidental da Alemanha e 59% do lado oriental classificam o comunismo e o socialismo como uma boa ideia, mas que, até agora, foi mal executada.
Um quinto da população alemã pede por uma revolução, sob o argumento de que as reformas políticas não melhoraram as condições de vida. Devido ao aumento da vigilância dos cidadãos, a Alemanha estaria no caminho de uma nova ditadura, responderam 27% dos entrevistados.

Nogueira: Por que ninguém deu foto em que petista aparece apanhando?

no Portal Vermelho

A questão é esta: por que os sites das grandes empresas jornalísticas deram apenas fotos em que aparecem apanhando os antipetistas que foram atazanar os manifestantes pró-Petrobras ontem no Rio?

Por Paulo Nogueira*, no Diário do Centro do Mundo

 

por José Gilbert Arruda Martins

Fazer Política para quem sempre mamou nas tetas do Estado como a elite branca do Brasil é isso que todos estão vendo estampado na "grande" mídia.

Se os barões da mídia hoje, que representam os interesses dos abastados daqui e de fora, ficassem sozinhos chorando a derrota nas urnas pelos cantos, não seria tanto problema. A questão muito preocupante é o uso e a absurda manipulação dos ANALFABETOS POLÍTICOS.

Quem são os analfabetos políticos?

O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Bertolt Brecht

O grande pensador alemão, se referia principalmente aos lacaios do grande capital da época, atualizando a ideia, podemos incluir aí, os coxinhas médicos aecistas, os professores e professoras que estão em sala de aula e nunca leram um único livro sobre materialismo histórico ou um tratado sobre sociologia, donas de casa da elite que não sai de frente da novela da globo, os assinantes da falida revista veja...

São muito e variados. Estão em toda parte e, esse é um fato preocupante. A esquerda parece não entender ou enxergar isso. O governo também não.

Fazer Política debatendo de forma democrática as grandes questões humanas e sociais do país os abastados não querem. Por que?

Pensa, você que é leitor do G1, da Veja, do Falha de S Paulo, estadão...pensa! a quem interessa esse suposto caos?

O golpe militar de 1964 inaugurou no país uma ditadura que violentou todos os direitos democráticos de toda a sociedade. Fechou partidos, fechou o congresso, fechou universidades e escolas, prendeu ilegalmente, torturou e assassinou.

Onde estava a "grande" mídia e seus barões na época?
De que lado ficaram?
Que interesses defendiam?
Pensa. Essa violência toda pode chegar a você, à sua casa, à sua família. 
Faça Política, não faça guerra.

Nogueira: Por que ninguém deu foto em que petista aparece apanhando?

A questão é esta: por que os sites das grandes empresas jornalísticas deram apenas fotos em que aparecem apanhando os antipetistas que foram atazanar os manifestantes pró-Petrobras ontem no Rio?

Por Paulo Nogueira*, no Diário do Centro do Mundo

Isso se chama torcida. Isso se chama descaro. Isso se chama trapaça. Isso se chama antijornalismo.

O objetivo é transmitir a analfabetos políticos vítimas de manipulação a sensação de que o Brasil está se transformando numa Venezuela.

A rigor, o que aconteceu foi o seguinte. Imbecis parecidos com os que hostilizaram Mantega no Einstein – sem a menor consideração pela mulher que se trata de câncer – foram vandalizar num ato que não era para eles.

Como os ânimos estão exaltados, houve brigas. As fotos que circulam na internet (não nos sites) mostram gente de vermelho – petistas – batendo e apanhando.

O que é uma aberração é que só foram publicadas fotos em que os petistas apareciam como agressores.

É como se num jogo de futebol duas torcidas brigassem. Corintianos e são-paulinos, por exemplo. E só chegassem aos leitores imagens de corintianos atacando.

Falei outro dia do diretor de mídia digital da Globo, Erick Bretas, um sem noção que prega no Facebook a cassação de 54 milhões de votos de Dilma com argumentos que incluem “reportagens” – logo de quem – da Veja.

O principal produto digital da Globo é o G1, e então é presumível que Bretas o comande de perto.

Como um militante antipetista edita um artigo sobre o confronto de ontem?

Bem, é só ver o G1.

E qual é o mundo retratado por alguém que queira abertamente a deposição do governo?

É a distopia infernal que você vê todos os dias no G1. A escolha dos assuntos é inacreditavelmente mórbida. Quem leva a sério – e os analfabetos políticos são presas fáceis – conclui que o Brasil acabou.

Só há coisas ruins. Disse outro dia: se fosse uma pessoa, o G1 seria diagnosticado facilmente com depressão cava.

Navegue por portais que são referência no mundo. Em nenhum deles você vai encontrar tanta notícia ruim concentrada.

Pode haver um pouco de inépcia editorial aí, mas o grosso mesmo é manipulação.

Você pode observar, hoje, a Globo se encaminhando para onde a Veja está já há alguns anos.

Nem sempre a Veja foi este simulacro abjeto de jornalismo. Num certo momento, a revista começou a publicar colunas de Diogo Mainardi, textos digitais de Reinaldo Azevedo – e terminou no lixo que é.

A Globo parece ir pelo mesmo caminho. O pudor vai sendo deixado de lado, e é neste quadro que você vê a ascensão de “jornalistas” como Bretas e a supressão de fotos que ajudam a entender os lastimáveis confrontos de ontem.

A culpa quase irreparável do PT foi não ter feito nada, em doze anos, para coibir o serviço sujo da mídia.

Sequer o dinheiro copioso e fácil da publicidade federal foi submetido a uma revisão.

O resultado é que, mesmo com audiências cada vez menores em face da internet, foi crescendo o dinheiro publicitário oficial em empresas como Globo e Abril.

Esse dinheiro financia o pelotão de colunistas, editores, comentaristas dedicados a defender privilégios e mamatas que levaram o Brasil a ser um campeão mundial da desigualdade.

O PT não quis brigar com os barões da mídia. O problema é que a recíproca jamais foi verdadeira.

Publicar fotos seletivas das brigas de ontem é apenas uma demonstração a mais do espírito bélico dos barões – que aliás estão muito mais para coronéis do que para qualquer outra coisa.

*Paulo Nogueira é jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.