sexta-feira, 22 de maio de 2015

FHC, conte para o seu neto como foi a reeleição

no Conversa Afiada
Para quem comeu calango, não é uma ‘crisisinha’ dessa que vai me perturbar!


Na última quarta-feira (20), em discurso para trabalhadores em São Paulo, o Presidente Lula respondeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que usou o programa eleitoral do PSDB para atacar o petista ao falar em corrupção.

“Se ele [FHC] quisesse falar de corrupção, ele precisaria contar para este país a história de sua reeleição. Eu espero que, com a mesma postura com que ele foi agredir o PT ontem à noite, ele diga – se não quiser dizer para mim não tem problema, eu sei como foi. Senta na frente do seu neto e conta pra ele. Seja verdadeiro” ”, disse Lula no Seminário Nacional de Estratégia para o Ramo Financeiro, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do seguimento, a Contraf-CUT, em São Paulo.

Em 1997, foi aprovada pelo Congresso uma emenda constitucional permitindo a reeleição para cargos executivos: Presidente da República, Governadores e Prefeitos. A decisão beneficiou Fernando Henrique nas eleições de 1998.

À época, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que houve compra de parlamentares em troca do voto favorável à proposta. Antes, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) havia feito a denuncia.

Sobre o tema, o jornalista Palmério Dória escreveu o Principe da Privataria e detalhou o episódio.
Alisson Matos, editor do C Af

Sem prova, Moro e PiG miram no PT e pegam Dirceu​

no Conversa Afiada
Primeiro prende, depois investiga !


Segundo o PiG, o Juiz da Vara de Guantánamo, os procuradores fanfarrões e os delegados aecistasconfessos prenderam um doleiro.

Segundo os próprios protagonistas da 498ª etapa da Lava Jato,

“A única ligação entre Pascowitch e o Partido dos Trabalhadores que temos hoje é através do José Dirceu. A empresa de Milton fez pagamentos à JD entre 2011 e 2012″, disse o delegado Igor Romário de Paula.

Não é isso o que diz a Globo, na manchete:

PRESO DA LAVA JATO ERA ELO ENTRE O PT E A PETROBRAS, DIZ INVESTIGAÇÃO DA PF



“Era” o elo.

A Globo já determinou: ERA !

É o minueto de sempre, que vai transformar essa Lava Jato num castelo de areia: os delegados e procuradores insinuam, passam manteiga para o PiG e o PiG condena o PT.

No caminho, para chegar ao PT, pegam o Dirceu.

Não há prova contra um nem outro, na delatoria desse novo doleiro.

Nem contra o PT nem contra o Dirceu.

Dirceu não estava mais no Governo e já disse, aqui mesmo no Conversa Afiada, que esses serviços prestado não tinham NADA a ver com a Petrobras.

Mas, a munição do Dr Moro começa a escassear.

Ele não quebrou a Petrobras.

O acordos de leniência serão firmados, pois, nem no Nazismo as empresas fecharam.

E as reverberações políticas já estão descontadas – com a progressiva desmoralização das bravatas udenistóides do Fernando Henrique.

A própria Lava Jato vive uma crise profunda de credibilidade.

O delator Youssef é bi-relator e o Ministro Teori não sabia disso.

Moro concedeu ao Youssef o direito de mentir uma segunda vez !

Dr Moro não deixa delator delatar tucano na CPI.

cunhada não era a mulher.

Amada Amante guardava o dinheiro no bum-bum.

E o Janene, quem sabe, o centro da roubalheira, talvez esteja vivinho da Silva em Miami Beach !

(Não deixe de votar na enquete trepidante.)

Mas, o Dr  Moro é candidato.

A que ?

A tudo !

Se a pressão eleitoral recomendar, ele talvez escreva novos prefácios de livros furados – quem sabe uma reedição de “Mein Kampf”? – e dê ordem de prisão ao Dirceu e, depois, ao Lula !

Provas ?

Para que provas ?

As provas estão nos autos.

Que autos ?

As “reportagens” do PiG !

Sem o PiG, o Moro não saía de Maringá !

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: O Conversa Afiada reproduz Nota à imprensa do ex-ministro José Dirceu:



O ex-ministro José Dirceu reitera, conforme já divulgado anteriormente, que o contrato com a JAMP Engenharia, assinado em março de 2011, teve o objetivo de prospecção de negócios para a Engevix no exterior, sobretudo no mercado peruano. O ex-ministro refuta qualquer relação do seu trabalho de consultoria com contratos da construtora com a Petrobras.

No período da prestação de serviços da JD Asssessoria e Consultoria à Engevix e à JAMP, a construtora atuou em estudos para construção de hidrelétrica, projetos de irrigação e linhas ferroviárias no Peru.

Durante a vigência do contrato, o ex-ministro José Dirceu chegou a viajar a Lima para tratar de interesses da Engevix – fato também confirmado pelo ex-vice-presidente da construtora Gerson Almada.  Em seu depoimento à Justiça, Almada afirmou que nunca falou com o ex-ministro a respeito da Petrobras.

“Ele (Dirceu) se colocou à disposição para fazer um trabalho junto à Engevix no exterior, basicamente voltado a vendas da empresa em toda a América Latina, Cuba e África, que é onde ele mantinha um capital humano de relacionamento muito forte”, disse o empresário em seu depoimento. O presidente do Conselho da Engevix, Christian Kok também reconheceu, em entrevista à imprensa, que a Engevix contratou a JD Assessoria e Consultoria para auxiliar em negócios fora do Brasil.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

Congresso - Um beijo gay na Câmara

na Carta Capital
Em meio a polêmica, a cantora Daniela Mercury e a jornalista Malu Verçosa se beijaram na abertura de seminário LGBT
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Daniela Mercury e Malu Verçosa
A cantora Daniela Mercury e sua esposa, a jornalista Malu Verçosa, abriram o XII Seminário LGBT‬ do Congresso, nesta quarta-feira 20, com um beijo. Convidadas especiais, as duas foram parar no centro de uma polêmica na terça-feira 19 depois que o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de tentar censurar o evento.
De acordo com Wyllys, que é colunista do site de CartaCapital, Cunha teria criado dificuldades para a realização do seminário porque o convite para o evento trazia uma foto de Mercury e Verçosa se beijando. De acordo com Wyllys, Cunha teria exigido uma autorização de uso da imagem assinada pela cantora para divulgar o convite e, mesmo depois de o documento ser apresentado, teria se recusado a enviar a convocação usando a estrutura da presidência da Casa, como seria o costume.
Cunha, afirmou Wyllys, também proibiu que fossem colados cartazes sobre o evento nos corredores da Câmara, medida inócua segundo o deputado uma vez que eles já tinham sido espalhados pelo prédio.
Nesta quarta, durante o seminário, Wyllys afirmou que a organização do evento teve de "enfrentar os deputados conservadores", mas que o objetivo é combater o "discurso de ódio" com "empatia e alegria". Para a deputada Erika Kokay (PT-RJ), o seminário "é para reafirmar a humanidade". "A vida exige de nós coragem, coragem de amar, de ser e de transformar esse país para que seja uma pátria mãe gentil", disse.
Evangélico, Cunha é conhecido por seu conservadorismo social, sobre o qual fala abertamente. Em março, durante um culto na Câmara, Cunha afirmou que "a maioria da sociedade pensa como nós pensamos” e que é preciso deixar que “a maioria seja exercida, e não a minoria”.
Desde que assumiu a Casa, Cunha empregou companheiros de fé em cargos importantes. O deputado federal Cleber Verde (PRB-MA) foi designado para gerir todo o sistema de comunicação da Câmara, enquanto a teóloga evangélica Maria Madalena da Silva Carneiro vai comandar a Diretoria de Recursos Humanos da Casa, segundo o site Congresso em Foco.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

SAÚDE PÚBLICA - Novo edital do Mais Médicos recebe 100% de adesão de brasileiros

na Rede Brasil Atual
Agora sem mais necessidade de convocar profissionais estrangeiros, programa chega a 63 milhões de brasileiros que antes não contavam com médicos em unidades básicas de saúde
Mais Médicos
Edital deste ano priorizou municípios com maior vulnerabilidade social e econômica

Brasília – Profissionais brasileiros com diplomas do Exterior preencheram todas as 387 vagas remanescentes do atual edital do Programa Mais Médicos. Com isso, 100% da demanda dos municípios foi atendida, sem que houvesse necessidade de convocar profissionais estrangeiros.
Com a chegada desses profissionais, o governo federal garantirá assistência para 63 milhões de brasileiros que antes não contavam com médico na Unidade Básica de Saúde. Ao todo, serão 18.240 médicos atuando em 4.058 municípios, cobrindo 72,8% das cidades brasileiras, e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei).
De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, os médicos brasileiros convocados nesta fase têm formação em países como Argentina, Uruguai, Portugal, Espanha e Rússia.
"Alcançamos 100% das vagas cobertas por médicos brasileiros. Não haverá abertura de vagas para médicos intercambistas individuais estrangeiros e também não chegaremos à fase do intercâmbio com a Organização Pan-americana de Saúde para trazer médicos cubanos ao Brasil", explicou Chioro.
No último dia 10 de abril, foram abertas 286 vagas remanescentes para médicos brasileiros formados no Exterior – o número acabou aumentando para 387 vagas.
A expansão deste ano priorizou os municípios com maior vulnerabilidade social e econômica, além de integrar os que já contavam com vagas do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab). O Nordeste foi a região com o maior número de novas vagas, com abertura de 1.807 novas oportunidades. O Sudeste solicitou 1.024 médicos, seguido do Sul (523), Centro-oeste (396) e Norte (389).

Avaliação

Como ocorreu nos ciclos anteriores do Programa, os médicos graduados fora do Brasil passarão por período de acolhimento nacional com duração de três semanas, a ser realizado em Brasília (DF) entre os dias 5 e 26 de junho, quando terão aulas e serão avaliados. Somente poderão participar do Mais Médicos os profissionais que forem aprovados na avaliação realizada durante esta fase.
Antes do deslocamento para as cidades, os profissionais ainda passarão por uma semana de acolhimento nos estados, que acontece de 27 de junho a 3 de julho. A previsão é que os médicos iniciem as atividades em 238 municípios e 10 distritos indígenas a partir do dia 6 de julho. Os profissionais com número do CRM do Brasil, selecionados nas fases anteriores, se apresentaram às prefeituras em março e abril e já estão em atuação nas unidades básicas de saúde.
A previsão é que a cada trimestre o Ministério da Saúde lance novas chamadas para os postos abertos em decorrência de desligamentos. Os próximos editais estão marcados para meses de julho e outubro deste ano e janeiro de 2016. As seleções contemplarão as eventuais vagas referentes aos médicos que desistirem nas etapas anteriores.

Qualidade do atendimento

Em abril deste ano, o Ministério da Saúde apresentou o resultado de uma pesquisa realizada com 14 mil pessoas sobre a qualidade da assistência dos profissionais do Mais Médicos.
Do total de entrevistados, 85% disseram que a qualidade do atendimento médico está melhor ou muito melhor após a chegada dos profissionais do Programa Mais Médicos. Um índice alto de usuários (87%) apontou que a atenção do profissional durante a consulta melhorou e 82% afirmaram que as consultas passaram a resolver melhor os seus problemas de saúde.
Os dados foram apresentados na Convenção Internacional de Saúde Pública – Cuba Salud 2015, que reuniu experiências de diferentes países para a promoção do acesso universal à saúde.
O Programa Mais Médicos foi criado em 2013 para ampliar a assistência na Atenção Básica de Saúde, fixando médicos nas regiões com carência de profissionais. Além do provimento emergencial de médicos, a iniciativa prevê ações voltadas à infraestrutura e expansão da formação médica no País.

REFORMA POLÍTICA - Bancada feminina exige cota de 30% para mulheres no Parlamento

na Rede Brasil Atual
Grupo de 51 deputadas e 13 senadoras decide que só vai votar na proposta da comissão especial se emendas que preveem maior participação das mulheres forem contempladas
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Reunião com participação da ministra Eleonora Menicucci redigiu o manifesto que será entregue a Cunha
São Paulo – Hoje (20), às 14h, as 51 deputadas e 13 senadoras do Congresso Nacional entregam para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), documento contra a reforma política que vem sendo construída pela comissão especial. Caso o texto final – previsto para ser votado na segunda-feira (25) no colegiado – não estipule cota para mulheres no Parlamento, o bloco feminino se recusará a votar em qualquer reforma.
A informação foi confirmada pela Procuradoria da Mulher no Senado. A iniciativa resulta de uma reunião de ontem da bancada feminina, que contou com a presença da ministra da Secretaria de Política para as Mulheres,Eleonora Menicucci.
A união do bloco feminino no Congresso já havia sido sinalizada pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), em artigo publicado no fim de semana: “As 13 senadoras e 51 deputadas atuarão de forma conjunta durante a discussão da Reforma Política pela aprovação de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs), de números 23 e 24, subscritas por uma lista de senadores”. A primeira emenda assegura vagas para cada gênero nos três níveis do Legislativo, enquanto a outra trata de uma vaga para cada gênero, com a renovação de dois terços do Senado.
“Portanto, a Bancada Feminina no Congresso tem consciência de seu papel histórico ao propor um novo desenho na representação política em nosso país para garantir às próximas gerações esse legado de poder, no qual o rosto do Parlamento seja o rosto da sociedade, ou seja, meio homem, meio mulher”, escreveu Vanessa.
Confira a íntegra do documento:

Sem mulher não tem reforma política

Nós, deputadas federais e senadoras, representantes de 17 partidos políticos, reivindicamos que a Reforma Política que está prestes a ser apreciada no Congresso Nacional contemple a cota de 30% de vagas para as mulheres nos Parlamentos, independentemente do sistema político a ser adotado.
Somos mais de 52% da população, atualmente 10% da Câmara Federal e 17% do Senado Federal e consideramos que não haverá uma verdadeira reforma política sem a reserva de 30% das vagas nos Parlamentos para as mulheres.
Desse modo, comunicamos que não votaremos nenhuma proposta de Reforma Política que não contemple a referida cota. Uma reforma que não assegure a participação efetiva das mulheres não nos representa e nela não votaremos!

HISTÓRIA - Malcolm X. A voz rouca dos guetos

na Rede Brasil Atual
Para Malcolm X, sonho americano foi erguido sobre o pesadelo dos negros. Seu assassinato, há 50 anos, eliminou um ícone da resistência ao racismo e um projeto alternativo à “democracia” norte-americana
por Cida de Oliveira
Malcolm X
Malcolm falava a língua dos operários, sem-teto, prostitutas, viciados, que saíam dos guetos e se transformavam em soldados
Em uma manhã fria de novembro de 1929, homens encapuzados da organização racista Ku Klux Klan jogaram gasolina e atearam fogo no sobrado da família Little, no subúrbio de Lansing, no estado norte-americano de Michigan. As lembranças das chamas consumindo a casa rapidamente e os gritos desesperados marcariam a memória do pequeno Malcolm, na época com 4 anos, conforme contaria em autobiografia, lançada em 1965. Dois anos depois, seu pai, Earl Little, um pastor batista que além de religião pregava a luta contra a discriminação racial, foi espancado até a morte e teve o corpo colocado numa linha de bonde, sendo esquartejado.
Episódios assim eram constantes entre a população negra dos Estados Unidos numa época em que não podia votar, frequentar escolas ou outros espaços públicos e muito menos havia lei para impedir linchamentos e enforcamentos de negros em árvores, como denunciou Billie Holiday (1915-1959) na canção Strange Fruit. E forjaram o caráter radical de Malcolm, amadurecido na prisão por assalto a mão armada. Com a internação psiquiátrica da mãe, após o assassinato do pai, ele foi separado dos irmãos e ingressou na criminalidade. No ginásio, quando disse querer ser advogado, ouviu do seu professor preferido que o Direito não era realidade para negros, e sim atividades braçais, como a marcenaria.
Seu ódio contra os brancos foi cristalizado com a doutrinação por seguidores de Elijah Muhammad, criador e líder de uma seita chamada Nação Islâmica (NOI, da sigla em inglês). Consistia de uma releitura muito particular do Islamismo, sob medida para fazer seguidores principalmente entre os presidiários negros. Pregava o ódio, até mesmo a violência se preciso fosse, aos brancos, considerados demônios, e fundamentava a ideia de Malcolm, que sonhava com uma pátria para os negros. “Tenho o direito de me defender, mesmo que, para isso, tenha de usar armas”, dizia.
Leitor voraz e autodidata, fez o ensino médio por conta própria nas celas. Estudou diversas áreas do conhecimento, inclusive retórica, e se revelou grande pregador, ouvido até pelos carcereiros. “Criou na prisão uma nova Nação do Islã. Em 1954, quando saiu em liberdade condicional, a NOI tinha 400 seguidores. Em 1965, quando foi assassinado, tinha atraído 400 mil”, diz o escritor Jeosafá Fernandez Gonçalves, autor do livro prestes a ser lançado O Jovem Malcolm X (Editora Nova Alexandria). “Em dez anos, transformou o grupo na maior força política negra engajada, maior que a liderada pelo pastor batista Martin Luther King. Falava a mesma língua dos operários, sem-teto, prostitutas, viciados, que saíam dos becos e guetos e se transformavam em ‘soldados’ da NOI”.

TIME LIFE PICTURES/GETTY IMAGESMalcolm na cadeia
Na cadeia, Malcolm conheceu a NOI. Estudou e virou pregador. Foi acolhido e respeitado pelos grandes líderes de sua época
Contra a guerra

Para esse “exército”, Malcolm recrutou o boxeador Cassius Clay, que lutava também contra o racismo. Um dos melhores esportistas do século 20, ele se converteu, adotou o nome de Muhammad Ali e se recusou a lutar na Guerra do Vietnã: “Nenhum vietcongue me chamou de preto, por que eu lutaria contra ele?”. A amizade dos dois esfriou quando o líder rompeu com a NOI.
Lapidado pela leitura incessante, o ex-traficante e assaltante extrapolava os limites do fanatismo de Elijah, que não comportava mais em sua consciência. Passou a viajar pela África e Europa, sendo recebido por líderes e chefes de Estado, mas tratado como negro norte-americano – e não africano, como sonhou. Foi à Meca. Viu gente de todas as raças cultuando um mesmo Islã, ortodoxo, que nada tinha a ver com aquele pregado pela NOI. Estudiosos contam que o rompimento foi bilateral.
De um lado, o criador da Nação do Islã corroído pela inveja de sua cria, corrompido em seus valores e interlocutor secreto das estruturas racistas que dizia combater. De outro, uma liderança em consolidação, aberta e sensível, para quem a fé que o livrou da criminalidade era uma seita fanática que funcionava para 400 seguidores em pequenos cultos nas prisões e salões dos arredores da cidade. Com as posições passadas a limpo, deixou para trás o papel de boca nervosa da NOI contra os demônios em pele branca. “Quando comprova o envolvimento de Elijah com jovens da seita, com quem tinha filhos, Malcolm se desliga e passa a ser caçado dentro da própria NOI”, conta Gonçalves.
E fora da Nação do Islã também. Apoiador de todas as revoluções africanas, tivessem elas o caráter que fosse, se aproximou de lideranças como Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que presidiu o Egito entre 1956 e 1970, a então República Árabe Unida. Nasser ofereceu um cargo no seu governo para proteger a vida em risco do amigo nos Estados Unidos. Outro foi Fidel Castro, que contou com seu apoio na Revolução Cubana, com quem esteve no famoso encontro num hotel do Harlem, em Nova York, durante uma visita do comandante à sede da Organização das Nações Unidas (ONU).
E até mesmo o pastor Martin Luther King, que comandava um rebanho de classe média e tinha a simpatia dos brancos devido à sua doutrina religiosa inspirada na não violência do líder indiano Mahatma Gandhi (1869-1948). Passou então a ser visto como traidor da doutrina de Maomé, porque estaria frequentando cultos protestantes, e como comunista.

Socialismo

“É de Malcolm a célebre frase ‘não existe capitalismo sem o racismo’”, diz o historiador Vladimir Miguel Rodrigues, professor e autor do livro O X de Malcolm e a Questão Racial Norte-Americana (Editora Unesp). Na autobiografia, o líder não afirma essa suposta simpatia pelo socialismo. Porém, seu discurso dialoga com a esquerda ao criticar o capitalismo. “Chegou a afirmar que o homem branco americano não é um racista, mas o ambiente político, econômico e social americano, que acalenta uma psicologia racista no branco.”
Rodrigues acredita que, mesmo sem ter estudado a fundo o marxismo, Malcolm buscou na história, na sociologia e na economia a explicação para o racismo e para a situação de inferioridade do afro-americano, que vendia barato, quase de graça, sua força de trabalho para os brancos, detentores dos meios de produção.
O caráter atribuído a Malcolm de comunista, libertário, violento, pacifista, muçulmano radical negro, tocou mais que as multidões de oprimidos que paravam para ouvir suas pregações. Chegou mais tarde às periferias de outros países, às quebradas de São Paulo. “No princípio eram trevas/ Malcolm foi Lampião/ Lâmpada para os pés negros de 2010/ fãs de Mumia Abu-Jamal, Osama, Sadam/ Al-Qaeda, Talibã, Iraque, Vietnã/ Contra os boys/ Contra o GOE/ contra a Ku Klux Klan”, canta o rapper Mano Brown em Mente de Vilão. E inspira jovens negros que encontram no Islã, crescente nas periferias brasileiras, que não se identificam com a pregação das igrejas evangélicas neopentecostais. Como X, os jovens desamparados, vítimas da violência buscam resgate e a vida nova que creem começar com um novo nome, adotado durante a conversão. Como o X de Malcolm no lugar de Little, um protesto contra a identidade africana roubada ainda na África, pelos caçadores de escravos.

BETTMANN CORBIS/LATINSTOCK.Pregacao Malcolm X
No Harlem, em 1963, a plateia negra e pobre o acompanha: conteúdo libertário iria contagiar a periferia esquecida de vários países
Inimigos

Polêmico entre os negros por defender a força, era odiado pelos brancos e visto com desconfiança pelos muçulmanos negros por dividir espaço e poder com o líder Elijah. A lista de inimigos crescia à medida que enxergava a justiça acima da cor, da religião e do espaço. E que a luta por ela deveria ser travada onde nasceu e cresceu, por meio da articulação entre pobres e excluídos, fossem brancos ou pretos. “Ele caminhava para a organização de uma força política de base operária contra o liberalismo americano, transformando-se em alternativa política que assustava o Departamento de Estado americano e inspirou a criação dos Panteras Negras”, conta Jeosafá Gonçalves.
De orientação marxista, os Panteras eram um partido político criado na Califórnia, que articulava luta de classes com luta racial. Reivindicava indenização pelos anos de escravidão em que foi formada a riqueza da potência. Defendia a luta armada e por isso tornou-se ameaça à segurança interna no país. Perdeu expressão ao longo dos anos 1970 e 1980 devido a prisões e disputas internas.
Em plena Guerra Fria, os americanos consolidavam a opção pela eliminação de alternativas políticas. Articulou-se o assassinato do então presidente John F. Kennedy, em novembro de 1963. Liberal, de cujas doutrinas nasceram os golpes de Estado na América Latina, Kennedy tinha firmado compromisso com uma legislação para os negros e foi visto como fraco em relação a Cuba e por ter permitido a ascensão do movimento pelos direitos civis e dos Panteras. O serviço secreto norte-americano, segundo Vladimir Rodrigues, foi eliminando as lideranças negras, numa tendência de conservadorismo que chegaria ao ápice na década de 1980, com Ronald Reagan. Não havia espaço para ideias progressistas.
Para Gonçalves, a história mostra articulações entre Nação do Islã, CIA e Departamento de Estado norte-americano, que a mando de Elijah e com o amém das autoridades do governo assassinaram Malcom em fevereiro de 1965. Ele completaria 40 anos em maio. O negro que em 1954 deixava a prisão, esperança dos companheiros de cela, negros e pobres, afirmou que o sonho americano era construído sobre o pesadelo dos negros. A consciência social e política avançada caminhava para uma aliança com Martin Luther King. “Seria a base operária de Malcolm com a classe média de Luther King, sobretudo negra. Por isso King foi calado três anos depois. Estavam liquidadas as alternativas”, diz o autor.
As ideias de Little, no entanto, não desceram com ele à sepultura. Malcolm foi responsável direto pela aprovação da Lei dos Direitos Civis Estados Unidos, em julho de 1964. Proposta por Kennedy, pôs fim aos sistemas estaduais de segregação racial, que permitiam linchamentos de negros. Na esteira da lei vieram ações afirmativas, como as cotas em universidades, que já não existem mais enquanto competência federal.

Mas o debate persiste. Para os brancos, as cotas já duraram o suficiente para corrigir distorções e reduzir as desigualdades. Os negros, porém, ainda ganham menos. E como acontece no Brasil, são as maiores vítimas da atuação policial. Eric Garner, 43 anos, morto em julho do ano passado em Nova York, depois de receber uma “gravata” de um policial branco que acabou absolvido. E o jovem Michael Brown, 18 anos, assassinado em agosto passado, em Ferguson, Missouri, por um policial branco igualmente inocentado. A luta de Malcolm continua.

Brasil e China quebram o monopólio do Canal do Panamá

no Conversa Afiada
Não é só ligar à China, mas a toda a Ásia !

Olha lá: o FHC daria o dedo mindinho da mão esquerda para estar nessa foto com a gente!


O PiG deve estar paralisado entre a perplexidade e o ressentimento, com o sucessoretumbante  da visita do primeiro-ministro chinês Li Keqiang.

O PiG foi apanhado de calças curtas em seu sentimento neo-colonial e, tivesse lido os jornais e agências chinesas, desde sábado, saberia que o Governo chinês não vinha ao Brasil cumprir uma formalidade diplomática.

O PiG joga o jogo da Copa: não vai ter Copa !

Ele torce pelo fracasso.

E teve China.

O anuncio da ferrovia Transcontinental, que vai levar o Brasil e a China ao Peru pelo interior do Brasil – ou seja, carregar grãos e manufaturas nas composições – é de superior importância estratégica.

Que os colonistas neo-coloniais, desses que vão à festa do Man of the Year não conseguem captar.

Por que ?

Porque a Transcontinental vai tirar o monopólio do Canal do Panamá !

Há cem anos, o presidente americano Woodrow Wilson realizou a o sonho de Theodore Roosevelt e chegou ao Pacífico sem precisar vir ao Rio e a Buenos Aires.

Ir de Nova York à Califórnia sem vir ao Rio …

(O que foi uma tragédia para o Rio…)

Cem anos depois, Brasil e China resolvem ligar o Atlântico à Ásia em cima de trilhos e com comida em cima !

Não só à China, mas, vejam bem ! – a toda a Ásia !

É uma revolução !

Ah !, não vai ficar pronto, dirão o dos chapéus e a Urubóloga.

Claro, não vai ficar pronto como a reforma do Maracanã, como Itaipu, a ferrovia Norte-Sul e Belo Monte  !

Ah !, dirão os céticos, mas a China tenta rasgar o território da Nicarágua e construir lá em cima, nas barbas dos americanos, uma alternativa ao Canal do Panamá.

Sim, mas qual a segurança institucional que a Nicarágua pode oferecer, ali, na marca do penalty dos americanos ?

Aqui, não. 

Aqui tem Supremo, Moro, Vara de Guantánamo, Executivo, Legislativo, Cunha e PiG 100% contra !

E o Brasil sobrevive, institucionalmente !

Além disso, é bom ressaltar que a Caixa e o Banco Industrial e Comercial da China tem um prazo de 60 dias para definir empreendimentos de infra-estrutura que serão financiados ou dinamizados a partir de um capital conjunto de US$ 50 bilhões.

É mais do que dinheiro para investimento direto e, sim, recursos que podem ser uma alavanca para levantar recursos.

Outro ponto estratégico central nesse conjunto de acordos foi um up-grade na operação para ao lançamento de satélites.

O empreendimento começa a sair da troca de Ciência e Tecnologia para a fase propriamente comercial.

Os dois países passarão, breve, a  vender satélites e a tecnologia para lançá-los.

O PiG vai se armar para anunciar amanhã, quarta-feira 20/5, que “não vai ter Copa”.

“Os chineses prometem, mas não entregam.”

“Mas, quanto é que os chineses vão despejar aqui ?”

“Com números ?”

O briefing realizado pelo Itamaraty e transmitido pela NBR não foi suficientemente claro para explicar o óbvio:

1) não tem um numero que some tudo;

2) não tem um numero que reúna tudo porque são acordos que estão por se definir e que podem mobilizar mais recursos do que os previstos agora;

3) como chegar a um número se não se sabe quais são as parcelas ?

4) quanto vai custar a Ferrovia Transoceânica ? Nem a Urubóloga e sua furiosa equipe produtora de gráficos mortíferos seria capaz de calcular.

Portanto, virem-se, podia dizer o embaixador Graça Lima !

Os colonos não mudam.

Os colonistas são contra o Brasil !

Simples !

E, no Brasil, os colonistas e os jornalistas são piores que os patrões – diz o Mino carta.

Não aceitam que o Canal do Panamá venha a perder o monopólio.

Porque, para eles, o que interessa é vestir smoking para ver o Príncipe da Privataria falar em pseudo-inglês e defender os interesses americanos, no Waldorf-Astoria.

Nem a embaixada americana leva mais eles a sério.

É a turma que acha que os irmãos Wright é que inventaram o avião.

Inclusive o jatinho do João Dória .

Paulo Henrique Amorim

Por 52 a 27, Fachin e Dilma dão uma surra

no Conversa Afiada
A Casa Grande é a metade do Senado! Do Senado!
Fachin fez uma defesa heróica na CCJ e mereceu vitória por goleada

Nesta terça-feira (19), o  jurista Luiz Edson Fachin, indicado pela Presidenta Dilma Rousseff para ocupar a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), foi aprovado pelo Senado Federal para o posto.

Na semana passada,  na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, teve o nome aprovado por 20 votos a 7.

Fachin contou com 52 votos. Ele precisava de 41.

O advogado gaúcho vai ocupar a vaga do ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou em julho de 2014.


Navalha
O Ataulpho, o Aloysio 300 mil, o Cássio, o Ferraço, o Caiado e a Urubóloga, na honrosa companhia de Magno Malta, mereceram a sonora surra!
Nessas horas, o Cerra se esconde…
Paulo Henrique Amorim

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Com quem o Ataulpho conversou para prever a derrota do Fachin?
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terça-feira, 19 de maio de 2015

Líder do "Vem Pra Rua" assume que durante três meses batia ponto na Câmara e ia para casa

no Blog dos Amigos do Presidente Lula
O secretário-geral eleito do PSDB de Vitória, Armando Fontoura, eleito no último domingo, não negou nesta terça-feira (19) o fato de ter batido o ponto na Câmara Municipal de Vitória e ido para casa. Porém, ele assinalou que a atitude foi orientada pelo vereador para qual prestava assessoria à época Luiz Emanuel (PSDB).

“Em janeiro de 2013 fui convidado pelo então Vereador Luiz Emanuel para fazer parte de sua equipe de assessores na Câmara de Vereadores de Vitória  disse  o secretário-geral do PSDB em Vitória Armando Fontoura. Armando Fontoura faz parte do Movimento Vem Pra Rua, contra a presidente Dilma...E pelo visto, também gosta de meter a mão no cofre publico, ganhando sem trabalhar. E ainda tem coragem de gritar fora Dilma

FHC fala mal do Brasil nos EUA

na Carta Maior

Os cínicos ataques ao Brasil e a postura servil diante do império - típica dos que sofrem do complexo de vira-latas - confirmam a triste trajetória de FHC.

Altamiro Borges
Marcos Oliveira/Agência Senado
Durante o seu triste reinado, FHC sempre foi um capacho dos Estados Unidos. Adotou a política do “alinhamento automático” ao império, quase entregou a base militar de Alcântara (MA) aos militares ianques e defendeu o tratado neocolonial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Agora, como ex-presidente rejeitado e detestado pelos brasileiros, ele segue servil aos interesses dos EUA. Nesta semana, FHC foi a “estrela” de midiáticos eventos em Nova York. Na terça-feira (12), ele recebeu o prêmio “Pessoa do Ano”, concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Na sequência, participou de um convescote promovido pelo grupo Lide, do empresário-trambiqueiro João Doria Jr.
 
Em suas “palestras” e entrevistas, FHC fez questão de criticar a atual situação econômica do Brasil – logo ele que deixou o país de joelhos diante do Fundo Monetário Internacional (FMI) e que quase levou a nação à falência. Para ele, o Brasil está “paulatinamente voltando à expansão sem freios do setor estatal, ao descaso com as contas públicas, aos projetos megalômanos que já haviam inviabilizado o êxito de alguns governos do passado”. Segundo relato do jornal Estadão, que adora bajular o “príncipe da Sorbonne”, o ex-presidente agradou os ricaços presentes ao jantar oferecido no hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos:
 
“O discurso caiu bem em uma plateia de tucanos, como os senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, além de simpatizantes do partido. O único político presente de fora do PSDB era o ex-senador José Sarney (PMDB). Do setor financeiro, estavam os presidentes do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco; do Itaú, Roberto Setúbal; e do BTG Pactual, André Esteves, além de José Olympio, do Credit Suisse... Os empresários Rubens Ometto e José Luís Cutrale também foram convidados para o jantar, que teve wrap de salmão defumado e cherne com camarões e aspargos e ingressos a partir de US$ 1 mil. Quando o homenageado subiu ao palco, ouviu-se um grito: “Volta presidente”. O publicitário Nizan Guanaes foi na mesma linha em seu discurso. ‘Temos saudades de você, presidente’, disse, sob aplausos”.
 
Já para agradar a plateia de empresários estadunidenses, FHC voltou a destilar seu veneno contra a política externa soberana adotada pelo Brasil a partir do governo Lula. Neste trecho, o vaidoso fez questão de discursar em inglês. Ainda de acordo com o colonizado Estadão, “o ex-presidente criticou a omissão do governo brasileiro diante das violações de ‘práticas democráticas’ na Venezuela e atacou o que considera uma tímida repulsa ao terrorismo. ‘Não há sequer como pensar em negociar com quem exibe cabeças cortadas dos ‘infiéis’, declarou, em referência indireta ao discurso de Dilma na Assembleia-Geral da ONU do ano passado, no qual ela defendeu o diálogo para solução da crise gerada pela emergência do Estado Islâmico”.
 
Os cínicos ataques ao Brasil e a postura servil diante do império – típica dos que sofrem do complexo de vira-latas – confirmam a triste trajetória de FHC. Mais do que isto, indicam que os que tucanos voltam a pedir benção aos EUA. Não é para menos que o evento em Nova York foi “prestigiado” pelo cambaleante Aécio Neves e pelo governador paulista Geraldo Alckmin, dois presidenciáveis do PSDB para 2018. A homenagem mereceu amplo destaque da mídia oposicionista, com manchetes e reportagens de pura bajulação. Um dos poucos veículos a criticar a postura do ex-presidente foi o Jornal do Brasil, que atualmente tem adotado uma linha mais crítica. Vale conferir o seu petardo: 
 
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Em evento nos EUA, FHC critica economia do Brasil e diz que teme por retrocesso
 
Causa perplexidade que um ex-presidente fale mal de seu próprio país no exterior
 
Durante a entrega do prêmio Person of the Year, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e realizado na noite de terça-feira (12), no The Waldorf Astoria, em Nova York, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso teceu críticas ao Brasil em seu discurso, afirmando que teme que os avanços conquistados a partir da Constituição de 1988 possam “desfazer-se no ar”.
 
O evento, que contava com uma plateia de 1.200 pessoas, entre empresários, diplomatas e a alta cúpula do PSDB, e cujos ingressos variavam entre US$ 10 mil a US$ 18 mil dólares (na mesa), e US$ 1.000 (assento individual).
 
Ao ser premiado, FHC fez uma alusão ao bordão usado pelo ex-presidente Lula e disse que essa “construção” de décadas foi feita por gerações e não permite que se diga “nunca neste País antes de mim fez-se tal e tal coisa”; “Um país não se constrói senão pondo tijolo sobre tijolo, obra de gerações.”
 
Acompanhado por uma comitiva que incluiu os senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, além do ex-senador José Sarney (PMDB), FHC também fez críticas à política econômica adotada após a crise mundial de 2008.
 
“O governo interpretou o que era política de conjuntura como um sinal para fazer marcha à ré”, observou. “Paulatinamente fomos voltando à expansão sem freios do setor estatal, ao descaso com as contas públicas, aos projetos megalômanos que já haviam caracterizado e inviabilizado o êxito de alguns governos do passado.”
 
Causa perplexidade que um ex-presidente fale mal de seu país no exterior
 
O evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos acontece desde os anos 1970. Neste período, foram homenageados os brasileiros Rubens Ometto Silveira Mello, Luciano Coutinho, André Esteves, Fábio C. Barbosa, Henrique Meirelles, José Sérgio Gabrielli, Yolanda Vidal Queiroz, Manoel Felix Cintra Neto, Roger Agnelli, Jorge Gerdau Johannpeter, Luiz Fernando Furlan, Maurilio Biagi Filho, Pedro Moreira Salles, Luiz Felipe Lampreia, Mauricio Novis Botelho, Ivo Pitanguy, Paulo Tarso Flecha de Lima, Leo Kryss, José Ermirio de Moraes Filho, João Havelange, Erling S. Lorentzen, Carlos Guilherme Fischer, Roberto Civita, Sérgio Coimbra, Paulo Fontainha Geyer, José Luis Cutrale, Ozires Silva, Luis Eulálio de Bueno Vidigal Filho, Angelo Calmon de Sá, Mário Garnero, Ernane Galvêas, Luiz Eduardo Campello, Leonídio Ribeiro Filho, Roberto Marinho, Paulo D. Villares, Hélio Beltrão, Jorge Wolney Atalla, José Papa, Jr., João Paulo dos Reis Velloso, Augusto Trajano de Azevedo Antunes, Caio de Alcântara Machado, Horário Sabino Coimbra, Mário Gibson A. Barbosa, Antonio Delfim Netto. 
 
Em todos estes anos, os discursos feitos pelos homenageados brasileiros destacavam a importância do país, enfatizavam suas conquistas e avanços. Este foi a primeira vez em que se faz uma homenagem a um homem da oposição, que em seu discurso critica seu país, e que o faz cercado por banqueiros e de políticos que supostamente fazem campanha pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. É de causar perplexidade que um ex-presidente da República fale mal do país fora do Brasil.
 
Tudo isso deixa claro que aquele palco pode ser considerado como a sede da conspiração contra o Brasil. Estes senhores passaram um recibo escancarado. 
 
É triste para a história de um país ver um ex-presidente fazer parte de um grupo que joga contra os interesses do Brasil, e que seu discurso atinja a economia - que é a verdadeira veia que irriga o desenvolvimento - mostrando ao mundo que não se deve investir no Brasil. 
 
E a reunião foi tão desprezível que o americano homenageado - Bill Clinton -, talvez por não querer se envolver e não querer se transformar num Lincoln Gordon do momento, chegou faltando cinco minutos para acabar.


Créditos da foto: Marcos Oliveira/Agência Senado