quarta-feira, 4 de março de 2015

Dia 13: todos às ruas e defender a Petrobras!

no Conversa Afiada
“Defender a Petrobrás é defender um projeto de desenvolvimento do Brasil”
Conversa Afiada reproduz convite de movimentos sociais:


DIA 13 DE MARÇO – DIA NACIONAL DE LUTA EM DEFESA:

- Dos Direitos da Classe Trabalhadora

- Da Petrobrás

- Da Democracia

- Da Reforma Política 



CONTRA O RETROCESSO!

TODOS NA PAULISTA
Avenida Paulista, 901
Horário: a partir das 16h00

Um dos maiores desafios dos movimentos sindical e social hoje é defender, de forma unificada e organizada, o projeto de desenvolvimento econômico com distribuição de renda, justiça e inclusão social. É defender uma Nação mais justa para todos.

Defender os Direitos da Classe Trabalhadora

A agenda dos trabalhadores que queremos ver implementada no Brasil é a agenda do desenvolvimento, com geração de emprego e renda.

Governo nenhum pode mexer nos direitos da classe trabalhadora. Quem ousou duvidar da nossa capacidade de organização e mobilização já viu do que somos capazes.

Defender os trabalhadores é lutar contra medidas de ajuste fiscal que prejudicam a classe trabalhadora.

As MPs 664 e 665, que restringem o acesso ao seguro desemprego, ao abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença, são ataques a direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora.

Se o governo quer combater fraudes, deve aprimorar a fiscalização; se quer combater a alta taxa de rotatividade, que taxe as empresas onde os índices de demissão imotivada são mais altos do que as empresas do setor, e que ratifique a Convenção 158 da OIT.

Lutaremos também contra o PL 4330, que da maneira como está impostolibera a terceirização ilimitada para as empresas, aumentando osubemprego, reduzindo os salários e colocando em risco a vida dos/as trabalhadores/as. 

Defender a Petrobrás

Defender a Petrobrás é defender a empresa que mais investe no Brasil – mais de R$ 300 milhões por dia – e que representa 13% do PIB Nacional. É defender mais e melhores empregos e avanços tecnológicos. É defender uma Nação mais justa e igualitária.

Defender a Petrobrás é defender um projeto de desenvolvimento do Brasil, com mais investimentos em saúde, educação, geração de empregos, investimentos em tecnologia e formação profissional. 

Defender a Petrobrás é defender ativos estratégicos para o Brasil. É defender um patrimônio que pertence a todos os brasileiros e a todas as brasileiras. É defender nosso maior instrumento de implantação de políticas públicas que beneficiam toda a sociedade.

Defender a Petrobrás é, também, defender a punição de funcionários de alto escalão envolvidos em atos de corrupção. Exigimos que todos os denunciados sejam investigados e, comprovados os crimes, sejam punidos com os rigores da lei. Tanto os corruptores, como os corruptos.  A bandeira contra a corrupção é dos movimentos social e sindical. Nós nunca tivemos medo da verdade.

Defender a Petrobrás é não permitir que as empresas nacionais sejam inviabilizadas para dar lugar a empresas estrangeiras. Essas empresas brasileiras detêm tecnologia de ponta empregada na construção das maiores obras no Brasil e no exterior.

Defender a Democracia – Defender Reforma Política

Fomos às ruas para acabar com a ditadura militar e conquistar a redemocratização do País. Democracia pressupõe o direito e o respeito às decisões do povo, em especial, as dos resultados eleitorais. A Constituição deve ser respeitada.    

Precisamos aperfeiçoar a nossa democracia, valorizando a participação do povo e tirando a influência do poder econômico sobre nosso processo eleitoral.

Para combater a corrupção entre dirigentes empresariais e políticos, temos de fazer a Reforma Política e acabar de uma vez por todas com o financiamento empresarial das campanhas eleitorais. A democracia deve representar o Povo. Não cabe às grandes empresas e as corporações aliciar candidatos e políticos para que sirvam como representantes de seus interesses  empresariais em detrimento das necessidades do povo.

No dia 13 de março vamos mobilizar e organizar nossas bases, garantir a nossa agenda e mostrar a força dos movimentos sindical e social. Só assim conseguiremos colocar o Brasil na rota de crescimento econômico com inclusão social, ampliação de direitos e aprofundamento de nossa democracia.

Estamos em alerta, mobilizados e organizados, prontos para ir às ruas de todo o país defender a democracia e os interesses da classe trabalhadora e da sociedade sempre que afrontarem a liberdade e atacarem os direitos dos/as trabalhadores/as.

Não aceitaremos retrocesso!

CUT – Central Única dos Trabalhadores
FUP – Federação Única dos Petroleiros
CTB – Central dos Trabalhadores do Brasil
UGT – União Geral dos Trabalhadores
NCST – Nova Central Sindical dos Trabalhadores
CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
UNE – União Nacional dos Estudantes
MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
CMP – Central dos Movimentos Populares 
MAB – Movimento de Atingidos por Barragem 
LEVANTE Popular da Juventude 
FAF – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
MNPR – Movimento Nacional das Populações de Rua
FDE – Fora do Eixo
MÍDIA Ninja




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Sem tucano, lista de Janot é Golpe de Estado

no Conversa Afiada
De Luisk2017, no twitter

por José Gilbert Arruda Martins
Falando em golpe. Em Brasília, o "democratas" está usando hoje, com o deputado federal Fraga, o tempo de TV para chamar a população para o golpe.

Na democracia, que esse senhor desconhece, temos que conviver com esse tipo de político e com uma forma de fazer política que amedrontaria Maquiavel.



O site Congresso em Foco adianta alguns nomes da lista Janot/Moro.

Já, antes, o PiG revelou que Aécio Never estava livre como o FHC e o Cerra: são por definição inimputáveis.

Se não tiver tucano na lista de Janot e Moro, o Golpe Mensalão II se concretizou.

Janot é o crime da rua Toneleros.

Ou, mais recente, o Golpe Paraguaio: no Judiciário.

Viva a Globo !!!

Ela ganhou !

Paulo Henrique Amorim




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Campanha antiaborto: entre o desserviço e a hipocrisia

no Portal da Carta Capital
Caso a lei seja endurecida, como pede a ala "pró-vida", tudo continuará como está. Só que alguns pagarão pela dignidade. Outras, se não morrerem na entrada, serão algemadas na saída
Aborto
Ato realizado em novembro passado em Brasília pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto. A quem essa campanha ajuda?
por José Gilbert Arruda Martins
Vamos pensar um pouco. Quantos abortos clandestinos são feitos no Brasil por ano? Segundo as pesquisas 850 mil. Quantas mulheres ricas fazem aborto clandestino por ano no país? Essas, mesmo fazendo aborto clandestino, têm todo apoio e aparato técnico. Quantas mulheres pobres fazem aborto a cada ano no Brasil? As pesquisas trazem percentuais bem acima das ricas, sem apoio, sem aparato técnico, muitas vezes sem acompanhamento de profissionais adequados e, muitas sofrem pelo resto da vida com sequelas.
Os jovens da foto acima, já leram sobre o tema? Onde? Qual escola ou qual professor ou ainda família, debateu?
Como posso ser contra algo, se não tenho conhecimento nenhum?
Esses jovens estão sendo empurrados para essas manifestações por padres e pastores mal intencionados e despreparados?
As pessoas que são a favor ou contra a legalização do aborto no Brasil precisam, antes de fazer os discursos ou de sair para as ruas, ler, conhecer a questão.

Crônica / Matheus Pichonelli

Campanha antiaborto: entre o desserviço e a hipocrisia

Caso a lei seja endurecida, como pede a ala "pró-vida", tudo continuará como está. Só que alguns pagarão pela dignidade. Outras, se não morrerem na entrada, serão algemadas na saída
Estávamos no fim do jantar quando ela decidiu quebrar o silêncio. "Parem de me oferecer vinho. Estou grávida e não posso beber". A insistência diante de uma taça vazia adiantou uma notícia à espera da hora certa. A ideia era chegar em casa na segunda-feira e me presentar com um par de sapatinhos vermelhos comprados na véspera – a senha para o anúncio de que, em breve, seríamos muitos. A surpresa levou meu pai a levantar as mãos para o céu e abrir outra garrafa de vinho – que, a partir de então, só o pai e os avôs, os anfitriões da noite, poderiam beber.
Motivos para celebrar não faltavam. Aos 30 anos de idade, já tinha perdido as contas de quantos aniversários meu pai me telefonara para me congratular e perguntar: "Quando vem meu neto?".
Não sei se existe hora certa para a chegada de um filho, mas a ocasião parecia perfeita. Tínhamos emprego fixo, uma casa com três quartos, um bom tempo de relacionamento. A gente se dava bem e não tinha qualquer vício além do vinho antes do jantar ou a cerveja do fim de semana. Tínhamos confiança um no outro de que seríamos, ou nos esforçaríamos ao máximo, para sermos bons pais. Nenhum de nós corria o risco de refugar e desaparecer no dia seguinte. Tínhamos plano de saúde e alguma economia para consultas em clínicas particulares. E, apesar de nosso grito de independência financeira e emocional em relação a nossos pais, dado uma década antes, sabíamos que, se algo acontecesse com um de nós, haveria uma fila de avôs, bisavôs, tios, tios-avôs e amigos atentos para cuidar da criança em caso de urgência. Os caminhões de fraldas que entupiram nossa casa em poucos dias eram o melhor parâmetro: a barriga que crescia era motivo de alegria, e não de vergonha.
A celebração de nossos pais era a prova de que a nossa decisão não fora tomada entre uma garrafa e outra, mas sim ao longo de quase dez anos. Isso nos deu a segurança necessária para seguir em frente, mais ou menos como os amigos da mesma idade que naquele ano promoveram o maior baby boom de toda a cidade. Alguns deles, para meu espanto, hoje usam a imagem dos filhos, obviamente amados, para levantar a bandeira da hashtag antiaborto. Como se a paternidade, em si, nos garantisse uma reserva moral sobre um mundo fora da nossa janela e nossos parâmetros.
Nessas correntes de solidariedade aparente, insufladas por declarações descabidas do novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), as manifestações são confusas. Já li, por exemplo, algo como “Eu amo meu filho e sou contra o aborto”. Me pergunto, já sem a mesma paciência cristã, o que isso – um sentimento particular – diz sobre um debate que é, em si, político. É mais ou menos como dizer “sou a favor da aposentadoria porque gosto do meu pai”. Em um caso como o outro, o meu sentimento não diz nada sobre o debate a não ser a mim mesmo.
Ainda que não pareça, meu exemplo particular de menino branco de classe média com relação estável e casa em condomínio não me autoriza a escrever, nas linhas acima que, ao celebrar a chegada de um filho, eu decidi dizer “sim” à vida. É mais ou menos o inverso: a vida me permitiu dizer sim. Ser mãe ou pai não é exatamente padecer no paraíso, mas é bem mais fácil chegar a ele quando tudo conspira a favor – a começar pela taça de vinho erguida ao alto, em sinal de alegria e apoio, pelos avós. Em outras condições, seríamos enxotados da casa. Pois aquela alegria poderia se converter em desespero com uma única mudança de variável. Por exemplo, a idade. Uma coisa é dar a notícia aos 30. Outra, aos 14. Entre uma idade e outra, perdi as contas de quantas vezes eu e os amigos da mesma idade fomos pegos por algum lapso de métodos contraceptivos. Alguns correram para a farmácia. Outros, aos chás abortivos. Outros comemoraram com urras o exame negativo. Com o tempo e a maturidade, muitos deles se tornaram bons pais - e muitos, talvez esquecidos dos apertos de um passado recente, agora se engajam na campanha após as declarações de Eduardo Nem Debaixo do Meu Cadáver Cunha.
Vendo essas manifestações, volto ao jantar com meus pais, quando souberam que seriam avôs, e penso que bastaria que um de nós estivesse desempregado para que a notícia transformasse o vinho da noite em vinagre. Ou que o emprego de um de nós corresse risco em razão da gravidez - nem todo mundo tem carteira assinada, direito a férias ou licença-maternidade; entre ser mãe e não ter dinheiro durante os meses de gestação e amamentação, há quem não tenha margem para escolhas morais. Bastaria também que um de nós tivesse de abrir mão de uma oferta irrecusável de estudo ou trabalho em outra cidade ou país. Ou que um de nós estivesse em tratamento contra drogas ou álcool. Ou que não tivéssemos nossa casa - e anunciássemos que nossos pais teriam de cuidar de três crianças num mesmo cômodo a partir de então. Ou que o "sim" à vida era apenas (e não apenas) uma ferramenta para evitar o rompimento de uma relação baseada em chantagens ou agressões. Ou que os pais fossem estranhos um para o outro (em vez de sete anos, poderíamos ter sete dias de namoro). Ou - pior – que a gravidez era resultado da violência de uma relação não consensual.
Todos estes fatores podem pesar e não ser preponderantes na hora da decisão - e julgar se são razões suficientes para interromper uma gravidez cabe, ou deveria caber, apenas aos sujeitos da decisão: os que podem calcular, pesar, medir, sentir e suportar as dores da própria condição. Reduzir essa escolha a uma vocação ou vontade é uma contribuição tão rica para o debate quanto publicizar o próprio amor. Isso diz mais sobre o manifestante, e sua (pouca) vontade de mudar uma realidade perversa, do que sobre a causa em si. Nessa realidade, é possível tapar os olhos ou não, mas não vai evitar que todos os anos milhares de mulheres sejam empurradas para o abismo da ilegalidade. Pois com ou sem as âncoras do moralismo barato, elas seguirão decidindo sobre o próprio destino.
Quando damos ao Estado a prerrogativa de decidir por nós, damos a ele o direito de uma imposição. Com ele, o direito de tabelar a vida alheia em primeiras, segundas e terceiras categorias. Caso as leis antiaborto sejam endurecidas, como pedem as manifestantes "pró-vida", tudo continuará como está. Só que alguns pagarão pela dignidade. Outras, se não morrerem na entrada, serão algemadas na saída. Em outras palavras: apesar dos bons sentimentos por nossos bebês, a ojeriza antiaborto publicizada em rede serve apenas para deixar tudo como está: ricos recorrem a clínicas clandestinas equipadas; pobres (as mães e os filhos) morrem no beco. Se isso não é digno da nossa ojeriza é porque a nossa humanidade é um conceito natimorto.
Em tempo: Fortalecido pela eleição ao comando da Câmara, Eduardo Cunha mostrou a que veio ao tirar da gaveta projetos que dificultam a adoção de crianças por homossexuais e que ofendem a comunidade LGBT com a instituição do Dia do Orgulho Hetero.
O deputado é um craque do mundo político: cavou seu espaço em meio a uma guerra fratricida entre PT e PSDB sem romper ou se aliar necessariamente com nenhum dos lados. Mas de gente ele nada entende. Cunha, como tantos, se aferra em pressupostos verdadeiros para atingir conclusões falsas (ou desonestas) acerca da ideia de liberdade. Esta pressupõe um mundo em condições iguais – e simétricas – de direitos. Sendo assim, se gays e negros podem sair às ruas manifestar o seu orgulho, heteros e brancos também podem, certo? Poder pode, mas isso não os iguala em condições.
Afinal, quais direitos, como jovem branco e hetero, posso pedir em uma exortação pública de orgulho à minha cor ou sexualidade? Em minha vida, jamais fui enquadrado como elemento suspeito. Nem vi as portas de entrada para a escola ou o mercado de trabalho se reduzirem à minha frente: os professores, os amigos, os diretores e a propaganda da Margarina sempre me deram a sensação de acolhimento – um acolhimento normativo e monocromático. E, em que pese as brincadeiras por meus hábitos religiosos da infância, ninguém me abordou com lâmpadas e correntadas no meu rosto quando andava nas ruas com a Bíblia ou de mãos dadas com a namorada.
Movimentos de afirmação são movimentos para combater o mal-estar da invisibilidade. Esta invisibilidade decorre do aniquilamento e do confinamento de determinados grupos a determinados espaços – quase sempre longe do centro, das escolas, das empresas, dos centros culturais, dos governos, etc.
Quem jura ver racismo em ações afirmativas ou privilégio em dia de orgulho gay não sabe o que é ser invisível. De minha parte, dispenso um dia em minha homenagem, e me solidarizo com as reações ao escracho agora patrocinado pela maior autoridade da Câmara. Nos debates sobre aborto e direitos das minorias, a ingenuidade e a má-fé andam juntas. São a argamassa do mundo tal como está: uma ilha de privilégios cercada de sangue.

22 fotos que mostram por que ser mãe ou pai é a 'profissão' mais difícil do mundo

no Catraca Livre
Uma das experiências mais transformadoras e fantásticas do mundo é ter um filho. Porém, quem é mãe ou pai sabe que também essa é uma tarefa bem desafiadora, que inclui conviver com muita bagunça pela casa.
O site Distractify reuniu 22 fotos divertidas que mostram quão árdua pode ser essa tarefa e como também as crianças podem ser criativas na hora de brincar. Veja:
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Foto: Reddit
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Conheça Lucy e Maria: as irmãs gêmeas totalmente diferentes

no Catraca Livre
Todo nós sabemos que os irmãos gêmeos podem não ser tão semelhantes, mas essas duas jovens britânicas estão chamando atenção por não terem nenhuma característica parecida.
As gêmeas Maria e Lucy Aylmer, 18 anos, não têm problemas de serem confundidas na rua, isso por causa de uma condição muito rara que fez com que uma nascesse ruiva de olhos azuis e a outra negra de cabelos encaracolados. As informações são do Terra.
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oto: The Mirror / Reprodução
As britânicas são filhas de mãe jamaicana e pai inglês. Desde o dia de seu nascimento, todos da família ficaram surpresos com as diferenças entre elas. Em entrevista ao The Mirror, as jovens relatam que já tiveram de mostrar seus documentos para provar aos amigos que são gêmeas.
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Foto: The Mirror / Reprodução
As gêmeas também são diferentes em relação a gostos e características comportamentais. Além disso, enquanto Lucy estuda Arte e Design na Universidade de Gloucester, Maria é estudante de Direito, na Universidade de Cheltenham. A condição que as tornou opostas é rara e a chance de ocorrer é apenas uma em um milhão.
Veja mais fotos:

terça-feira, 3 de março de 2015

Dilma, o único antídoto contra o fundamentalismo é o confronto

no Socialista Morena
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Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Entendo que Lula deseje pacificar Dilma com o PMDB para que, afinal, eles não acabem participando da trama do impeachment. Entendo que a própria presidenta queira isso. Mas há PMDBs e PMDBs. Não existe mais a possibilidade de Dilma dialogar com o PMDB que Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, representa. O PMDB dos fundamentalistas religiosos, dos que querem transformar o País numa teocracia. Esta gente odeia Dilma, odeia tudo que ela representa. E quer tomar o seu lugar.
A história do PT o empurra para a obrigação de deter a escalada dos fundamentalistas, cujo alvo principal é a presidência da República. Ou Dilma e Lula têm a ilusão de que em 2018 terá este PMDB a seu lado novamente? Em nome da tal governabilidade, o PT dilapidou seu patrimônio ético e político ao longo dos anos que está no poder. Para agradar setores à direita, eliminou os “radicais” do partido, quando em muitos aspectos eles eram o que de melhor o PT tinha. Que falta eles fazem hoje!
Será que o PT acalenta o sonho de permanecer no poder em 2018? Ou melhor: será que o PT será reeleito em 2018? Tenho minhas dúvidas. Mas tanto para permanecer no poder quanto para se preparar para deixá-lo, o partido deveria começar a fazer o que tem de ser feito. Dar ao Brasil de presente a entrada no primeiro mundo de fato, onde a civilidade supera a barbárie. Neste quarto mandato à frente do País, o PT precisa garantir seu lugar na história, como fez Pepe Mujica no Uruguai e mesmo Barack Obama nos Estados Unidos. E acredito que Dilma sairá fortalecida se o fizer. O PT cresce quando confronta.
O contra-ataque no Congresso deveria se basear em quatro projetos basicamente:
1. Imposto sobre grandes fortunas: é um assunto que conta com o apoio de grande parcela da população. Só é polêmico, na verdade, para quem possui grandes fortunas.
2. Legalização da maconha para uso medicinal: segundo pesquisa Datafolha de novembro do ano passado, 56% dos brasileiros se manifestaram contrários à venda da maconha para uso medicinal. Mas e os outros 44%? Uma boa campanha não seria capaz de modificar o pensamento de quem se opõe? Se o próprio ex-presidente FHC, que é da oposição, participa de campanhas a favor… Este é um tema caro à esquerda brasileira, tão menosprezada pelo PT nos últimos anos. E o ideal é que fosse um projeto que abarcasse também o uso e o plantio para consumo próprio, o que elimina o narcotráfico.
3. Reforma política: um projeto próprio e avançado, com tudo que o PT sempre quis colocar em pauta. Voto em lista, financiamento público de campanha e aumento da participação da mulher. Nada mais perfeito para mostrar quem está mesmo preocupado com a ética na política.
4. Criminalização da homofobia: pesquisa do Ibope de setembro do ano passado mostrou que 53% dos brasileiros são contra o casamento gay, mas 40% são a favor. Trata-se de uma parcela muito significativa da população que se mostra partidária da tolerância com o semelhante e que precisa ser atendida em seu desejo de que o País avance no combate ao preconceito. Sem contar que os cidadãos LGBTs votaram em Dilma, ela lhes deve isso.
Ao apresentar estes projetos no Congresso, Dilma iria recuperar imediatamente a simpatia da parcela mais progressista do eleitorado, que é formadora de opinião e foi importantíssima para sua reeleição. E, assim como Obama fez, dará um xeque-mate no conservadorismo religioso, porque é uma dessas ocasiões em que, mesmo se for derrotada, Dilma ganha. Se perder, o Congresso sairá com uma imagem extremamente retrógrada não só diante do Brasil como do mundo. A presidenta, ao contrário, sairá como a mulher que tentou colocar o País no rumo das nações mais civilizadas do planeta e foi derrotada por políticos atrasados, dignos de república de bananas.
Aposto que seria uma boa briga e que só faria bem à popularidade da presidenta. Um antídoto contra o golpismo dos fundamentalistas, que dificilmente conseguiriam levantar a cabeça de novo. Se, em vez disso, o PT e Dilma resolverem baixar a cabeça, cedendo cargos e espaço no governo para o conservadorismo, nada mais farão que dar um tiro no próprio pé e enterrar o partido de vez. Além de colocar o Brasil no rumo das trevas.
Ninguém aguenta mais a covardia que o PT está demonstrando no governo. Afinal, a presidenta tem coração valente ou era só truque de marketing? Vai para cima deles, Dilma!
(Mais para o final do mandato, a presidenta Dilma deveria apresentar ao País um bom projeto para a legalização do aborto. Está mais do que na hora e ela é a pessoa certa para fazê-lo e passar à história. Tenho certeza disso.)

Arthur Fitz: De Getúlio a Dilma, Petrobras e golpe

no Portal Vermelho

Este texto não é um texto acadêmico. Nem foi concebido para sê-lo. Ele é resultado de preocupações e consequentes reflexões sobre o atual momento brasileiro, em que pese duas questões centrais: a evidente construção de um clima pré-golpe e a questão que está levando ao esgotamento da Petrobras, numa clara tentativa de privatizá-la e, particularmente, internacionalizar o pré-sal.

Por Arthur Fitz, publicado no Jornal GGN

 
Obviamente é impreciso e mesmo falso examinar os eventos históricos a partir de uma monocausalidade. Mais impreciso ainda seria atribuir à questão do petróleo e da Petrobras uma relação direta de causa e efeito com os eventos e, em particular com as crises políticas.

A realidade é muito mais complexa. A preocupação é “juntando as peças”, tentar ver como elas se articulam. É certo que no texto existem muitas lacunas e omissões e é possível que haja imperfeições, também é certo que trata de forma superficial uma questão muito complexa, mas acredito que, como um todo, ele é coerente, preocupantemente coerente. Repito: não é um texto acadêmico, mas penso que vale como reflexão.

A trajetória do petróleo no Brasil começa já no século XIX. Em 1892 foi feita uma prospecção e perfurado um poço de 488 metros de profundidade em Bofete (SP). Os resultados, porém, revelaram apenas água sulfurosa.

Negação ao petróleo

Em 1930 o engenheiro Manoel Inácio Bastos, ao ouvir falar de uma “lama preta” usada como combustível pelos moradores de Lobato, na Bahia chama a atenção das autoridades para a possível existência de petróleo na região. Bastos é desacreditado, chamado de “maníaco”.

Iniciava-se uma campanha que negava a existência de petróleo no Brasil. Esta campanha iria se estender por um bom tempo no Brasil. Havia interesse por parte de grupos estrangeiros que forneciam combustível ao Brasil que não se fizesse exploração de petróleo no país.

Cinco anos depois, Monteiro Lobato (o sobrenome do escritor e a região da Bahia são apenas coincidência) passa a advogar publicamente a questão da prospecção e exploração de petróleo no Brasil. Envia duas cartas ao presidente Getúlio Vargas.

Na primeira se refere às “manobras da Standard Oil para senhorear-se das nossas melhores terras potencialmente petrolíferas”. 

Cia Petróleos do Brasil

Na segunda carta, após uma audiência com Getúlio, em que este aparentemente se comprometeu a criar por decreto a Cia Petróleos do Brasil, Monteiro Lobato denuncia as pressões para que o decreto não se concretize: “há alguém interessado em embaraçar a ação da Cia Petróleos do Brasil, dificultando a obtenção da autorização para que ela siga seu curso natural”. E segue afirmando: “há gente paga por estrangeiros para que o Brasil não tenha nunca o seu petróleo. Em vez de, pelas funções de seus cargos, esses homens tudo fazerem para que tenhamos petróleo, quanto antes, tudo fazem para que não o tenhamos nunca.”

Em 1936 Monteiro Lobato publica “O escândalo do petróleo no Brasil”. Neste texto, acusa o governo de não perfurar, nem deixar que se perfure. O livro foi sucesso editorial. Em menos de um mês, esgotou-se a edição do livro (cinco mil exemplares). Logo em seguida sai uma segunda edição, que também se esgota rapidamente (ao todo foram lançadas 10 edições).

Incomodado com o teor das críticas o governo de Getúlio manda recolher todas as edições. 

Em 1938, finalmente é criado o Conselho Nacional do Petróleo. O CNP também não avançou muito nas questões relativas à prospecção e extração do petróleo. 

No ano seguinte, novas críticas de Lobato à burocracia e a integrantes do governo, que dificultavam o desenvolvimento de uma política de petróleo no Brasil, levaram-no à prisão, sob a acusação de ser “subversivo e desrespeitoso”. Foi condenado a uma pena de seis meses, mas a mobilização de intelectuais brasileiros conseguiu que fosse indultado e Monteiro Lobato passou “apenas” três meses no Presídio Tiradentes.

Bahia

Já há algum tempo vinha acontecendo uma campanha de desmoralização de Monteiro Lobato. Em 1933 publicara História do Mundo para crianças que foi alvo de censura e perseguição pela Igreja. O padre Sales Brasil escreveu um libelo intitulado A literatura infantil de Monteiro Lobato ou comunismo para crianças. Esta campanha ainda se estendeu por longo tempo: “a edição de 1958, das Edições Paulinas, traz cartas de apoio que vêm do Vaticano e um prefácio que clama como vinda desde 1936 a queixa contra ‘os grande males que poderiam advir, para fé e a educação cristã das crianças, da leitura das últimas obras de Monteiro Lobato’.” 

Em 1939 é encontrado petróleo em Lobato e em 1941 ocorre a primeira extração comercial no município de Candeias, na Bahia. O aproveitamento deste recurso e a ampliação da prospecção e extração ocorreram muito lentamente. Não se faziam investimentos significativos.

O final do estado Novo viu surgir uma intensa disputa entre grupos políticos que foram denominados de ”nacionalistas” e “entreguistas”. Enquanto os primeiros advogavam a causa do fortalecimento da economia legitimamente nacional, os segundos representados politicamente pela União Democrática Nacional (UDN) e pela grande imprensa. Defendiam o ingresso de capital externo no país. No que se refere ao petróleo, isso significava atrair as grandes petroleiras estrangeiras (principalmente americanas) ao Brasil. No governo Dutra essa disputa se torna ainda mais acirrada, inclusive nos círculos militares.

Movimentos sociais: "O petróleo é nosso"

Em 1946 (mesmo ano da promulgação da nova Constituição) é lançada oficialmente a campanha “O petróleo é nosso”, tendo à frente a UNE, sindicalistas, o Partido Comunista, alguns militares, além de individualidades políticas. Obviamente, havia uma identidade com o grupo dos “nacionalistas”. A campanha “O petróleo é nosso” defendia o monopólio estatal do petróleo. Eram promovidos encontros, comícios, alguns de grandes proporções. A campanha ganhou as ruas e acabou por se transformar em uma das maiores mobilizações populares da história do Brasil.

Manifestação em prol do monopólio do petróleo no Brasil promovida pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN) em 1948. Ao fundo, painel com retrato do ex-presidente Artur Bernardes que também defendia essa tese.

Getúlio, agora no início da era populista e em meio à disputa entre “entreguistas” e “nacionalistas”, encampa a ideia. Em 1951 enviou ao Congresso um projeto de lei com o objetivo de estatizar e monopolizar a exploração e distribuição de petróleo no Brasil. Isto desagradou profundamente o governo norte-americano e, ato contínuo, convida o governo brasileiro a mandar tropas à Guerra da Coreia (1950-1953). Era uma maneira de forçar Vargas a adotar um posicionamento no cenário político internacional. Vargas, por seu turno, para firmar posição, recusa o convite. Abre-se uma crise com os Estados Unidos e com alguns setores militares.

Essa crise vem acompanhada de tentativas de desestabilização de Getúlio em diversas frentes. Ainda assim, em 1953, a mobilização popular em torno de “O petróleo é nosso”, levou o Congresso a aprovar a criação da Petrobras, que detinha o monopólio da exploração, refino e distribuição de petróleo no Brasil.

No ano seguinte a desestabilização do governo de Getúlio ganhou proporções enormes, conduzida principalmente pela UDN, por setores militares e da classe média, empresários e pela grande imprensa. Destacava-se afigura de Carlos Lacerda, apelidado de “O Corvo”, proprietário do jornal Tribuna da Imprensa. Em agosto de 1954 é dado o golpe. Militares exigem a renúncia de Vargas que se suicida, neutralizando o golpe de estado. 

Símbolo da resistência ao capital extrangeiro

A Petrobras sobreviveu. Sobreviveu e se tornou um símbolo da resistência ao grande capital internacional e à evasão de riquezas do Brasil para o exterior. 

Timidamente a Petrobras começa a produzir comercialmente na década de 1960, ganhando grande impulso na década de 1970 (durante a ditadura militar), como resposta à crise do petróleo de 1973, a criação a OPEP e a monumental alta do petróleo no mercado internacional.

Em 1974 é descoberto petróleo na Bacia de Campos (litoral do estado do RJ) mais especificamente no campo de Garoupa. No ano seguinte o governo federal autoriza a participação de empresas estrangeiras na prospecção, mediante contratos de risco, mas a exploração continuava a cargo da Petrobras. Em 1977 entra em operação o Campo de Enchova.

Daí em diante a Petrobras ganha um impulso considerável. Em 1984 é descoberto o campo gigante de Albacora, no ano seguinte o campo gigante de Marlim, ambos na Bacia de Campos.

Agora a Petrobras passa a investir também pesadamente no desenvolvimento de tecnologia. Em 1994 começa a operar a primeira plataforma semissubmersível (P-18) totalmente desenvolvida pelos técnicos da Petrobras – portanto com tecnologia brasileira -, no Campo de Marlim, na Bacia de Campos (RJ). O aperfeiçoamento tecnológico passou a ser uma das marcas da empresa. Em 1996 é encontrado mais um campo gigante na Bacia de Campos: o Campo de Rocador.

A viabilidade de exploração de petróleo no Brasil e a capacidade de fazê-lo, com tecnologia nacional em uma empresa estatal que crescia vertiginosamente, ficou plenamente demonstrada. Mas, os entreguistas não se entregaram. Em 1994 Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente. No mesmo ano, ainda antes de assumir, FHC fez um discurso no congresso intitulado O fim da Era Vargas, que começava dizendo: “Levamos a cabo a tarefa da transição. Olhando para trás, revendo os obstáculos vencidos, podemos dizer a nós mesmos e ao País, sem jactância, mas com satisfação: missão cumprida.” 

De fato, a missão estava apenas começando. Fernando Henrique deu inicio a um grande projeto de privatizações das estatais. No que diz respeito à Petrobras, iniciou o processo de privatização da mesma, quebrando, com o apoio do Congresso, o monopólio estatal da produção de petróleo em 1997, o que foi saudado entusiasticamente pela grande imprensa brasileira. Nessa ocasião, a Petrobras já era a terceira maior empresa da América Latina.

Simultaneamente, abriu o capital da empresa para investidores estrangeiros, propiciando a entrada da Petrobras na Bolsa de Valores de Nova York. As consequências disso se estendem ao longo do tempo. Em 2002 - devido aos escândalos e fraudes financeiras e contábeis de grande corporações americanas, como a Enron, Xerox, Worldcom e outras - foi promulgada nos Estados Unidos a Lei Sarbanes-Oxley, conhecida por Lei SOx. Agora, a maior empresa brasileira se torna obrigada a submeter-se às autoridades norte-americanas, por força de lei (também americana). 

Ainda em 1997 foi implementado o modelo de exploração por concessão. Com a lei, o petróleo e o gás passariam a ser propriedade privada das empresas que o exploram. O petróleo só pertence à União antes de sua exploração.

Tucanos e a Petrobrax

Mas a coisa não para por aí. No final do ano 2000, o presidente da Petrobras, Philippe Reischtul, anunciou para o ano seguinte a mudança do nome da Petrobras para Petrobrax, com o objetivo de facilitar o processo de internacionalização da empresa. Justificava o ato explicando que a terminação bras, no nome, a identificava com a ineficiência das estatais. A ineficiente Petrobras tinha uma receita de 69,2 bilhões em 2002 e em 2012 esta ineficiente empresa estatal que, – não custa lembrar – havia se tornado a maior empresa e a terceira da América Latina ampliou sua receita para 281,3 bilhões de reais, com lucro líquido de 5 bilhões de reais por trimestre (2014). 

Também cabe lembrar que na época a grande imprensa alardeava de forma uníssona que as estatais eram ineficientes por serem estatais, apesar de os balanços de empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Vale do Rio Doce (privatizada escandalosamente abaixo do seu valor real) e o Banco do Brasil mostrarem exatamente o contrário. O discurso da ineficiência das estatais era a justificativa para a transferência de empresas altamente lucrativas para mão privadas.

Pois bem, apesar de contratar uma empresa, a Und SC Ltda, para fazer a nova logomarca, sem licitação (a lei de 1997 o permitia), ao custo de R$ 700.000,00 à época, a Petrobras continuou sendo Petrobras. Cabe ainda salientar que o custo total do processo de transição ficou orçado em 50 milhões de reais. 

Wikileaks
O presidente da Petrobras, Philippe Reischtul, em frente ao novo logotipo da empresa. Em 2006 a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no pré-sal, a profundidades que vão de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar, com possibilidades de ser a maior reserva de petróleo do mundo. A partir, mais do que nunca, os olhos e os tentáculos das grandes petroleiras voltaram-se para o Brasil e para a Petrobras. Não se poderia deixar tamanha riqueza nas mãos de uma estatal de um país emergente, e ainda por cima governado por um partido de centro-esquerda. 

Em dezembro, após as eleições presidenciais daquele ano, foram revelados pelo Wikileaks, do ex-agente americano da NSA, Edward Snowden, cinco telegramas enviados pelo consulado norte-americano a Washington envolvendo a questão do pré-sal. - A cônsul Elizabeth Lee Martinez se refere ao pré-sal como “uma nova e excitante descoberta” e uma “oportunidade de ouro” para as empresas americanas. Um dos telegramas, bastante extenso, levou o sugestivo título de A indústria do petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal? É uma referência direta à lei que define a Petrobras como operadora única do pré-sal e as outras empresas (coisas da lei de 1997), em regime de partilha, deveriam entregar ao menos 30% do que for explorado à União.

Snowden revelou ainda que nos telegramas que a diretora de relações governamentais da Chevron, Patrícia Pardal, teria dito que o candidato tucano José Serra “teria mudado as regras”, caso fosse eleito presidente nas eleições daquele ano. Já para “a diretora de relações internacionais da Exxon Mobile, Carla Lacerda, a Petrobras terá todo o controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos.” 

O fato é que José Serra não conseguiu mudar as regras porque não foi eleito. Apesar da intensa campanha contras o presidente Lula e as tentativas de desestabilização de seu governo, tendo como pano de fundo a questão do “mensalão” (que não cabe examinar aqui), Lula elege seu sucessor, ou melhor, sucessora: Dilma Rousseff.

Ora, Dilma havia sido justamente ministra de Minas e Energia no segundo governo Lula e tinha uma cadeira no Conselho de Administração da Petrobras. Era, portanto, alguém que conhecia a questão.

Nova revelações

Em setembro de 2013 novas revelações do Wikileaks dão conta de que o governo norte-americano espionava a Petrobras e as contas eletrônicas da Presidente Dilma Rousseff. O fato levou a Presidente a cancelar uma visita que faria proximamente ao presidente Barak Obama. 

Um problema que a política de combustíveis apresenta é o do refino do combustível. Até recentemente, a ultima refinaria construída fora a Getúlio Vargas em 1976, ainda no regime militar. Em 2009 é construída a Refinaria Potiguar Clara Camarão, ainda no governo Lula, o que foi timidamente mencionado pela imprensa. Outras começaram ganhar vulto: a Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, o complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (com obras ainda em andamento), e o início das obras das refinarias Premium I e Premium II no Maranhão. Em outras palavras, a Petrobras é uma empresa forte e em expansão.

Nisto se encaixa a complexa questão da compra da refinaria de Pasadena, na Califórnia. Em 2004 a antiga Refinaria Crown estava praticamente falida, com uma dívida milionária (em 1998 chegou a ter um prejuízo de 829,4 milhões de dólares), quando foi comprada pela Astra Oil. A Astra pagou uma inexpressiva quantia pela refinaria: US$ 45,2 milhões pela refinaria e seus estoques de petróleo, mas assumiu uma dívida de US$ 300 milhões e investiu mais US$ 100 milhões para poder pô-la em operação.

Em 2006, ainda antes da descoberta do pré-sal, antes da construção da Refinaria Potiguar Clara Maranhão e antes da crise de 2008 nos USA, a Petrobras compra 50% das ações da Astra Oil. Naquela ocasião, foram pagos US$ 190 milhões pela refinaria e US$ 170 milhões pela reserva de estoque da refinaria. Um desentendimento entre as duas parceiras (a capacidade de investimentos da Petrobras na refinaria era maior do que a Astra Oil pretendia investir) chegou à justiça americana. Em 2010 a Corte Federal de Houston determina que a Petrobras compre os restantes 50% da refinaria. Num acordo extra-judicial, a refinaria é comprada em 2012.

A Petrobras esclarece que no total, “foram desembolsados US$ 554 milhões com a compra de 100% das ações da PRSI-Refinaria e US$ 341 milhões por 100% das quotas da companhia de trading (comercializadora de petróleo e derivados), totalizando US$ 895 milhões.

Adicionalmente, houve o gasto de US$ 354 milhões com juros, empréstimos e garantias, despesas legais e complemento do acordo com a Astra. Desta forma, o total desembolsado com o negócio Pasadena foi de US$ 1,249 bilhão.” As negociações foram conduzidas por Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa.

Operação Lava Jato
O fato é que a Petrobras foi francamente prejudicada pela justiça norte-americana, primeiro, e pelos valores arbitrados, depois. 

Em março de 2014. A Polícia Federal, investigando as operações de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef (Operação Lava-Jato), chegou a Paulo Roberto Costa, que fora diretor da Petrobras até 2012.

Paulo Roberto Costa, engenheiro mecânico, era funcionário de carreira desde 1978. Desde 1995, durante o governo Fernando Henrique, Costa tem cargos de direção na empresa. Por indicação do próprio tornou diretor da Gaspetro e depois Diretor de Abastecimento da Petrobras. No atual governo, era indicação do PP. Dele dependia a aprovação para a construção de gasodutos, refinarias, plataformas, etc.

Paulo Roberto Costa utilizava-se de Youssef para lavar dinheiro que era fruto de propina paga por grandes empreiteiras. A PF já apreendeu mais de 700 milhões de reais desse dinheiro. As grandes empreiteiras (OAS, Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Galvão Engenharia, IESA Óleo e Gás, Engevis, UTC, Camargo Correa) atuavam de forma cartelizada, sobrefaturando preços. Para poder agir livremente, pagavam propina a Costa.

Nestor Cerveró curiosamente também tem cargos de diretoria na Petrobras desde 1995, sob o governo Fernando Henrique. Cerveró é acusado de ter recebido 15 milhões de dólares de propina do Estaleiro Samsung Heavy Industries da Coréia do Sul para comprar um navio para a Petrobras.

A grande imprensa fez e ainda faz sobre essa questão um alarde extraordinário. Não que não merecessem destaque. Mas confundiu-se a atuação individual de pessoas corruptas com a instituição Petrobras e com o governo. O objetivo parece evidente: desacreditar a Petrobras e atingir a Presidente Dilma, que, em 2006 era do Conselho de Administração da empresa. Fabricam-se crises políticas a partir de atos individuais. Em uma orquestração envolvendo o grande capital internacional e interesses nacionais mesquinhos, articula-se a desestabilização do governo e articula-se um golpe. 

Moody's

Na última semana, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da Petrobras para grau especulativo. Com isso, as ações da empresa despencaram. A Petrobras não está quebrando. Estão tentando quebra-la, ou pelo menos enfraquecê-la para privatizá-la e internacionalizar seu capital. Para isso é necessário também a desestabilização política.

Aqui, os entreguistas (que por acaso também são os que articulam a desestabilização política) continuam na ativa. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos mais ferozes, apresentou um projeto (PLS 214/2014) para acabar com o sistema de partilha na exploração do pré-sal. Na prática, isto significa abrir a exploração do pré-sal para as grandes corporações estrangeiras.

A quem interessa a crise? Quando os governos não correspondem aos interesses dos poderosos, esses governos devem cair. Os golpes, hoje, tendem a ser “golpes brancos”, com menor uso da força, geralmente numa atuação conjunta do judiciário, imprensa e setores conservadores do parlamento. 

Os exemplos estão aí: Manuel Zelaya, Honduras (2009), acusado de “desobedecer leis”; Fernando Lugo, Paraguai (2012), acusado de “mau desempenho”. Em ambos os casos fabricou-se uma crise política que levou a uma desestabilização e a derrubada do poder. Em outros casos as tentativas de desestabilização ainda não surtiram efeito: Rafael Correa no Equador, Hugo Chaves e Nicolás Maduro na Venezuela, Cristina Kirchner na Argentina e, Lula e Dilma no Brasil.

No nosso país os velhos entreguistas continuam vivos. Os herdeiros da UDN e de Carlos Lacerda estão aí, abrigados em novas siglas, preparados para dar o bote. O faminto capital internacional saliva diante da Petrobras. 

É necessário que todo cidadão consciente assuma a luta pela Petrobras e reúna toda a força que puder para evitar o golpe.

Ricardo Arthur Fitz
março de 2015