terça-feira, 3 de março de 2015

Lula diz que é hora de disputar a comunicação para derrotar golpismo

no Portal Vermelho

Luiz Inácio Lula da Silva participou de jantar com a bancada do PT no Senado, nesta quarta-feira (25), e, de acordo com parlamentares, o ex-presidente reafirmou a necessidade das lideranças disputarem a batalha da comunicação, assim como a presidenta Dilma Rousseff tem aconselhado seus ministros. 

Ex-presidente participou de encontro com a bancada do PT no Senado
Ele também rechaçou a campanha de criminalização do PT em que a doação legal para o partido é roubo, mas para o PSDB é compromisso ideológico das empreiteiras.O ex-presidente enfatizou que esses ataques não podem ficar sem resposta, pois o objetivo é colocar o partido na “vala comum”. “Essa visão de que se aparecer um monte de bandido do PSDB ou de outro partido resolve o problema, não é assim. O PT tem que dizer que isso que estão querendo nos imputar é falso. Não dá para assistir esses caras bancando as vestais”, disse Lula.

“Eles querem criminalizar as doações legais, mas por que as que eles recebem de empresas que estão envolvidas no trensalão de São Paulo e contribuíram para a campanha deles não tem nada a ver com propina e com o que aconteceu no passado e acontece no presente e no nosso caso as doações que recebemos são fruto de propinas? No nosso caso é roubo, no deles é compromisso ideológico das empreiteiras?", completou.

Sobre os ajustes econômicos, o senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, disse em entrevista ao jornal O Globo, que o ex-presidente ressaltou que “é preciso dizer que isso (o ajuste fiscal) está sendo feito para o país se equilibrar”. “Está faltando esse link, senão parece que a gente é igual aos outros, que está aí para aprofundar as desigualdades”, disse Costa.

De acordo com outros parlamentares entrevistados pelo Globo, Lula teria enfatizado que é preciso explicar ao povo por que o governo está tomando tais medidas. “É para o emprego voltar a crescer? É para retomar o crescimento econômico? É para a adoção de outras políticas sociais? Falta dizer que o ajuste fiscal não é um fato isolado”, teria dito o ex-presidente que deve se encontrar nesta quinta (26) com parlamentares do PMDB, segundo fontes.

Da redação do Portal Vermelho, com informações de O Globo

TV Globo tenta desqualificar mobilização com comentários ofensivos e notícias erradas

Por Maria Carla no Portal do Sinpro-DF


https://www.google.com.br/search?q=imagem+do+Partido+da+imprensa+golpista

por José Gilbert Arruda Martins

Você sabe, pelo menos os professores e professoras, deveriam ter conhecimento do significado da sigla PIG e as consequências das ações desse "partido" para a Classe Trabalhadora.
A globo local, como todos sabemos, é uma afiliada da rede globo, os "jornalistas" e apresentadores, são pagos com dinheiro dos anúncios, e aí, entram anúncios de empresas e dos governo, inclusive do GDF, que na primeira semana de governo, disponibilizou milhões à imprensa aqui de Brasília.
A rede globo e suas afiliadas, passa para o grande público, através de suas novelas, programas de auditório e, principalmente, projetos como o "criança esperança", que têm preocupação com o bem estar e o desenvolvimento da sociedade brasileira e da Classe Trabalhadora, é puro engodo, os os projetos de cunho social escamoteiam os verdadeiros objetivos da empresa que é o lucro e a manutenção da sociedade como ela é, excludente, racista, homofóbica, elitista.
Na realidade a rede globo defende os interesses das elites e usa o povo para ganhar seus lucros.
Alexandre Garcia, que desrespeitou profundamente a Classe de Professores do Brasil e de Brasília, quando afirmou que o movimento era um "movimento de lesa futuro", é a "pérola " da globo nacional, colocado no ar em momentos previamente pensados, planejados, com palavras e frases sorrateiramente definidas para ludibriar e enganar os expectadores, fazendo deles pessoas alienadas, que não enxerguem as verdades sobre os fundamentos e causas da pobreza, da fome, dos maus políticos, da imoralidade pública e privada.
Jornalistas como o Alexandre Garcia, fazem um jornalismo denominado de "esgoto". São profissionais que cresceram amparados, muitas vezes, em histórias que hoje tentam esconder. A Ditadura Militar brasileira (1964-1985), nascida a partir de um golpe que derrubou do governo um presidente eleito democraticamente, teve cinco generais/presidentes, o último deles foi João Figueiredo, Alexandre Serviu a ditadura como porta-Voz. "Na Presidência da República, foi Porta-Voz do último ditador do Brasil, General João Batista Figueiredo." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Figueiredo).
A "pérola" do PIG, o jornalista Alexandre Garcia, como já destacado, entra quase que diariamente nos telejornais locais, principalmente, nos jornais do meio dia. Suas "sábias" palavras, são muitas vezes "bebidas" pela população, inclusive os mais pobres, sem pestanejar. 
O "pérola" serve como o "ideólogo" do caos, escolhe palavras e frases para expor ao grande público. Sempre fecha suas participações com uma frase impactante. Essas "verdades" entram na cabeça das pessoas e transformam-se em outras "pérolas" de "verdades" e "virtudes".
A Classe Trabalhadora já entendeu. Os professores e professoras já entenderam. Alexandre Garcia é um lacaio das grandes empresas e dos abastados desse país. Alexandre Garcia fala no limite da sua competência, não tem muito o que mostrar e falar. Não se pode esperar nada de quem é reconhecidamente pobre de ideias que possam ajudar a sociedade a crescer em democracia e justiça.

TV Globo tenta desqualificar mobilização com comentários ofensivos e notícias erradas

A Rede Globo decidiu atacar a mobilização dos(as) professores(as) com informações erradas e comentários despropositados, incitando a população a se revoltar contra uma categoria que não recebe o salário por trabalho já realizado há pelo menos três meses.
Na edição do DFTV desta quarta-feira (25) os apresentadores atacam a mobilização dos(as) professores(as). O âncora Alexandre Garcia critica a categoria por estar com as atividades escolares suspensas, informa erradamente que os(as) professores estão em greve e usa o velho discurso emocional para instigar a população contra a organização dos(as) professores(as) dizendo que magistério é missão.
Esclarecemos que o magistério não é sacerdócio e, por isto, informamos que a opinião de Alexandre Garcia emitida no DFTV desta quarta-feira (25) sobre a docência ser antes de mais nada uma missão é uma forma de tentar jogar a sociedade contra trabalhadores e trabalhadoras sem salários.
No DFTV de segunda-feira (23), Garcia disse que a categoria só havia deixado para negociar os atrasados na segunda, no dia da assembleia. Informamos que desde dezembro de 2014 a diretoria colegiada e a comissão de negociação do Sinpro-DF vêm dialogando e participando de várias negociações com o Governo do Distrito Federal (GDF) para que o pagamento dos atrasados seja creditado nas contas dos(as) trabalhadores(as).
Além de a comissão de negociação do Sinpro-DF ter participado das reuniões com o governo, a categoria realizou várias manifestações durante dezembro de 2014, janeiro e fevereiro de 2015, passando até mesmo por mais de uma semana acampada em frente ao Palácio do Buriti para forçar uma negociação. Quem não negociou e quem está devendo o pagamento dos salários é o GDF.
Informamos que, além de ser uma das categorias com os menores salários dentre as que compõe as carreiras públicas de Estado do Distrito Federal, os(as) trabalhadores(as) da Educação só têm esse salário para viver e sustentar suas famílias.
Esclarecemos ainda que a função do jornalismo é veicular notícia com qualidade e a missão é informar verdades. O código de ética dos jornalistas define que a atividade deve ser executada por um jornalista, o qual deve relatar os fatos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade. Os fatos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

Volta às aulas, mas com mobilização permanente

Por André Barreto no Portal do Sinpro-DF
Confira, a seguir, como ficou a proposta do GDF – apresentada em documento composto por sete compromissos:
compromisso gdf
Apesar de o Governo do Distrito Federal (GDF) continuar em débito com os(as) professores(as), a categoria deliberou pela volta às aulas nesta
segunda-feira (2/3) -, após uma semana de paralisação – em assembleia realizada na sexta-feira passada.
Mas os(as) professores(as) continuam mobilizados, tanto que decidiram realizar nova assembleia no dia 9 de abril, com indicativo de greve. O objetivo é manter a categoria organizada para a defesa do pagamento de parcela do reajuste previsto no plano de carreira, em março. Ou seja, pelo que está disposto na Lei 5.105/2013, esta parcela deverá estar em conta-corrente até o quinto dia útil de abril.
Além disso, o GDF deve assegurar o cumprimento do que foi negociado na sexta-feira, como a antecipação da quitação dos pagamentos atrasados para este mês. Caso o governo não cumpra o estabelecido em documento e nem pague o reajuste previsto no plano de carreira, os(as) docentes poderão reavaliar a situação e entrar em greve.

Imigração seletiva à la Japão

por Marc Humbert  no Le Monde Diplomatique Brasil
O primeiro-ministro Abe Shinzo e seu partido liberal-democrata ganharam as eleições legislativas de dezembro de 2014. Apesar do recorde de abstenções (47,4%), durante os próximos quatro anos eles estarão livres para desenhar reformas estruturais impopulares, entre as quais uma nova política de imigração restritiva


por José Gilbert Arruda Martins

É uma lástima afirmar que os problemas econômicos que se transformam, muitas vezes em crises profundas, sejam originados, no caso japonês, europeu ou estadunidense, na migração.

A crise que a Europa vive, principalmente desde 2008, não tem ligação direta com a imigração, muito menos, acredito a japonesa.

Ao contrário, os imigrantes são, na maioria das vezes, brutalmente explorados, vejam o que acontece com os bolivianos em São Paulo.

Quais os fundamentos da crise grega, espanhola, portuguesa, brasileira, estadunidense e japonesa?

Não precisa ser especialista para perceber que as origens e fundamentos estão em outro patamar.

Por exemplo, pode estar no modelo heterodoxo, atrasado, rentista de enxergar o desenvolvimento econômico. Os grupos ricos desses países, cerca de 1% da população total, acumularam mais riqueza dentro da crise que em todo o século XX, cadê então a crise?

Quem, sofre os efeitos da suposta crise, são os trabalhadores e o povo em geral. Não as elites.

Por isso, talvez, todas as vezes que o Japão, o Brasil, Os EUA ou a Europa, vão fazer ajustes fiscais, atacam quem é mais frágil, a Classe Trabalhadora.

O que aconteceu com a Europa, mas precisamente com a Grécia, mostra claramente os equívocos em seguir as políticas neoliberais. Passou da hora de trilhar outros caminhos. O neoliberalismo, que engorda os já gordos, não é a única alternativa. existe um outro mundo

NECESSIDADES DEMOGRÁFICAS, RETICÊNCIAS CULTURAIS
Imigração seletiva à la Japão
O primeiro-ministro Abe Shinzo e seu partido liberal-democrata ganharam as eleições legislativas de dezembro de 2014. Apesar do recorde de abstenções (47,4%), durante os próximos quatro anos eles estarão livres para desenhar reformas estruturais impopulares, entre as quais uma nova política de imigração restritiva
por Marc Humbert


Diante dos parcos resultados de sua política liberal destinada a “revitalizar o Japão”, chamada “abenomics”, o primeiro-ministro Abe Shinzo decidiu, em novembro de 2014, pedir o consentimento das urnas para prosseguir com seu programa. Os eleitores votaram sob o slogan Kono michi shikanai (“Existe apenas esse caminho”) – um derivado do célebre Tina (There is no alternative, “Não há alternativa”), entoado pela dirigente britânica Margaret Thatcher. Se por um lado Abe desistiu de aumentar pela segunda vez o imposto sobre o consumo, por outro pretende atirar a terceira flecha de suas “abenomics” – as reformas estruturais – após ter lançado as duas primeiras: rodar a máquina de fazer dinheiro e reforçar o serviço público.1
Entre todas as medidas impopulares em vista, há aquelas que permitem a entrada de trabalhadores estrangeiros para responder à penúria da mão de obra não qualificada. Essa lacuna afeta principalmente o setor da construção e de obras públicas, já sobrecarregado pela reconstrução de Fukushima após a catástrofe. Em breve, também deverão ser iniciados os trabalhos para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. Enquanto isso, há sete anos a população declina, e essa queda demográfica tende a se acentuar. Em 2000, eram 3,6 trabalhadores ativos para cada aposentado; em 2025, a perspectiva é de que essa relação se reduza a 1,9 trabalhador para cada aposentado.
Abe começou a abordar o problema antes das eleições, ao empreender uma campanha para aumentar a taxa de atividade das mulheres (será um árduo trabalho) e mencionar a possibilidade de trazer mão de obra estrangeira. Em fevereiro de 2014, diante do comitê de orçamento da Câmara dos Deputados, ele afirmou que a “aceitação ou não de mais imigrantes é uma questão essencial para o futuro do país e as condições de vida do nosso povo”.2
Partindo dessa premissa, especialistas foram mobilizados e convidados a participar de um encontro em sua residência oficial, em abril, quando a imprensa também foi acionada para divulgar o cenário de combate à queda populacional. Em vez de cair de 127 milhões em 2010 para 87 milhões em 2060, como preveem os estudos japoneses, a população se estabilizará ao redor de 110 milhões se a taxa de fecundidade for 2,07 em 2030 (atualmente é 1,39, contra 2,1 na França) e se o Japão acolher, a cada ano, 200 mil imigrantes. Abe entoou o mesmo discurso na televisão no fim de abril, defendendo-se: “Não se trata de uma política de imigração. Queremos que os estrangeiros trabalhem, ganhem dinheiro por um período de tempo limitado e depois voltem para seu país”.3
No mês seguinte, ele confirmou o sentimento geral reticente diante de uma eventual política de imigração: “Nos países que empreenderam projetos semelhantes, há muita tensão e insatisfação tanto da parte dos novos habitantes como da população já presente no país” (Japan Times, 2 jun. 2014). A versão revisada de sua “Estratégia de revitalização do Japão” publicada no fim de junho de 2014 retomou a ideia de acolher maciçamente trabalhadores não qualificados, sem falar em números.
Sem acesso aos empregos públicos
Em seguida, a economia decaiu, o aumento do imposto sobre o consumo de 5% para 8% em abril de 2014 não foi bem aceito e Abe mergulhou em sua campanha eleitoral deixando essa questão em suspenso. No entanto, ela retornaria às discussões porque, como indicava o jornalista Yoshida Reiji, do Japan Times, já no título de seu artigo, “o sucesso das ‘abenomics depende da política de imigração’” (10 maio 2014).
Organizar a chegada anual de um grande número de trabalhadores não qualificados pode apresentar dificuldades, pois a medida entra em contradição com o princípio estabelecido pelo Japão desde o pós-guerra: não à imigração. Se esse princípio foi parcialmente contornado em 1985, tanto as entradas como a naturalização dos imigrantes permaneceram baixas em relação às dos principais países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo a instituição, o Japão contava com 1,6% de estrangeiros em 2008 (últimas estatísticas divulgadas), contra 5,8% na França, 6,7% nos Estados Unidos e 8,6% na Alemanha. O índice de mão de obra nascida fora do país entre os trabalhadores ativos é irrisório (0,3%), enquanto na França chega a 5,6%, na Alemanha a 9,4% e nos Estados Unidos a mais de 15%. Além disso, as naturalizações são concedidas em conta-gotas: 0,5% dos estrangeiros se naturalizaram japoneses em 2013 (dos quais 43% eram coreanos), contra 2,6% na França, por exemplo.
Os coreanos já somam quatro quintos dos estrangeiros presentes no Japão há muito tempo. A colonização da Coreia, a partir de 1910, foi um dos focos do imperador, que a anexou; e os coreanos, uma vez presentes em solo nipônico, adquiriram o direito de voto, mas tornaram-se oficialmente estrangeiros quando o Japão recuperou sua soberania diante dos Estados Unidos, em 1952. O governo adotou uma lei que definia a nacionalidade japonesa, excluindo qualquer outro povo, inclusive o coreano.
Aos mais de 2 milhões de coreanos que viviam no Japão naquele momento foi dado o direito de voltar à pátria de origem, liberados do jugo nipônico. Cerca de 620 mil deles permaneceram em solo japonês, mas foram vítimas de discriminações ainda mais acentuadas que no passado. Apesar disso, quiseram continuar a viver no Japão – cujo idioma eles e seus filhos dominavam – e manter seus próprios costumes, mas também se beneficiar dos mesmos direitos que os japoneses.
Eles até poderiam solicitar a nacionalidade japonesa, mas até 1985 precisavam renunciar à coreana. Até essa época, apenas 150 mil coreanos tinham se naturalizado. Desde então, é possível ter dupla nacionalidade, mas as condições continuam drásticas e as naturalizações, escassas.
À exceção de seus centros culturais e escolas, os coreanos se fundem na população e nem sequer são notados até mostrarem seus documentos. Apesar de inúmeras famílias japonesas temerem que um de seus filhos se case com um coreano, o amor aflora entre os dois povos e os casamentos mistos são numerosos. De acordo com um estudo do sociólogo Yasunori Fukuoka de 1995,4 a cada onze casamentos dos coreanoszainichi(residentes no Japão) ou oldcomers(antigos imigrantes), sete são com pretendentes japoneses; portanto, somente quatro casamentos a cada onze são celebrados apenas entre coreanos. Os casamentos mistos são ainda mais numerosos se contabilizados os newcomers(recém-chegados) provenientes da Coreia do Sul, em número crescente desde a década de 1980. Atualmente, os newcomerssomam cerca de 180 mil – o dobro dos zainichi(coreanos residentes).
Ao longo do tempo, a situação dos coreanos no Japão melhorou: obtiveram um estatuto especial de residentes de longo prazo (em 1991) e, após uma série de manifestações e protestos, foram dispensados da necessidade de ter as impressões digitais em suas cartas de residência (1993). Essa última medida foi estendida a todos os residentes em 2000 – para sete anos depois ser revogada novamente, em nome da luta contra o terrorismo. Alguns direitos sociais, como a aposentadoria, foram acordados. Apesar de serem, em certa medida, cidadãos de segunda classe (sem direito a voto ou acesso a cargos públicos e não raro discriminados pela população), eles alcançam sucesso profissional e social tanto quanto os japoneses, segundo o sociólogo Kim Myung-soo.5
Desde o fim dos anos 1980, os coreanos perderam o posto de quase única comunidade estrangeira presente no país. Não pela naturalização acelerada, e sim porque o número de estrangeiros – até então estável – começou a crescer. Sob pressão internacional, o Japão acolheu refugiados da Indochina. Além disso, empresas que criaram postos de trabalho não qualificado com baixos salários incitaram as autoridades a flexibilizar as condições de entrada de trabalhadores estrangeiros, em particular asiáticos.
O governo, então, lançou dois dispositivos: em 1993 criou um sistema de estágio para aprendizes técnicos, que perdura até hoje com algumas evoluções; essa cobertura formal permitiu a imigração de jovens trabalhadores pouco qualificados por uma duração-limite de três anos.6 No fim de 2013, havia no Japão 53 mil aprendizes, dos quais dois terços eram chineses.
O segundo dispositivo se apoiou na criação de um visto para pessoas de origem japonesa. Adepto do princípio do direito sanguíneo, o Japão abriu suas portas não a trabalhadores, mas aos nikkeijin, descendentes de japoneses oriundos dos países para onde seus pais imigraram no início do século XX, como o Brasil. As empresas fazem seus recrutamentos in loco, mas oficialmente isso era tratado como um “retorno ao país”. Esses jovens possuem sangue e traços japoneses, e parecem prontos para se fundir com a população local. A realidade, porém, é diferente.
O número de nikkeijin, principalmente brasileiros, rapidamente aumentou de 15 mil, quando a lei foi votada em 1989, para mais de 300 mil em 2007. Concentraram-se em seis dos 47 departamentos: Aichi, Shizuoka, Mie, Gifu, Gunma, Kanagawa (situados entre Tóquio e Kyoto). Uma pequena cidade como Oizumi (42 mil habitantes) abrigaria 12% de estrangeiros, quase dez vezes mais que a taxa média do Japão. A concentração também se deu na moradia, em razão da discriminação do setor imobiliário privado em relação aos estrangeiros.
Esses brasileiros se parecem com os japoneses sem falar japonês e, por isso, são considerados analfabetos. Cidadãos criaram associações de apoio para acompanhá-los em seu desenvolvimento e aprendizado do idioma. As municipalidades envolvidas instituíram auxílios para facilitar a vida desses estrangeiros em suas cidades. Alguns municípios, como Kawasaki e Tóquio, organizam uma participação política local específica, criando instâncias como conselhos consultivos de residentes estrangeiros. Um movimento a favor do direito de voto local aos estrangeiros nasceu.
Durante a crise de 2008, muitos dos nikkeijin se formaram, e o governo criou um auxílio para que voltassem ao Brasil, em troca de não poder voltar ao Japão nas mesmas condições.7 Hoje, não passam de 80 mil.

“Uma nação, uma língua, uma raça”
Em 2005, com o plano de controle de imigração, o governo absorveu iniciativas locais e os estrangeiros passaram a não ser mais considerados cidadãos, e sim seikatsusha, que significa mais ou menos “pessoas da vida cotidiana”.
Os ministérios do Interior e das Comunicações delegaram à população a decisão de promover uma tabunka kyosei, ou seja, uma “coexistência multicultural”. Os estrangeiros não são mais exclusivamente objetos de controle.
Nem todos gostam da iniciativa. A extrema direita continua mobilizada contra os coreanos e todos os estrangeiros, e formou os coletivos zaitoku-kai contra os considerados “privilégios” que recebem. Entoam palavras de ordem racistas e ameaças em lugares onde há uma proporção significativa de estrangeiros.
Ainda que a grande maioria da população japonesa reprove esse comportamento, permanece uma inquietude em relação aos estrangeiros, considerados uma ameaça potencial à ordem pública em um país onde a criminalidade é baixa – quatro roubos para cada 100 mil habitantes, contra 181 na França e 133 nos Estados Unidos; 1,1 estupro a cada 100 mil habitantes, contra 16,2 na França e 28,6 nos Estados Unidos; e 0,5 morto a cada 100 mil habitantes (contra 1,4 na França e 5 nos Estados Unidos).8 A opinião pública tende sempre a responsabilizar estrangeiros, notadamente os que não possuem documentos.
Os japoneses são inclinados a pensar que, se o país é uma espécie de porto da paz social e civil, isso se deve à homogeneidade da população. De fato, estudos sobre a diversidade genética, linguística e religiosa nos países da OCDE classificam o Japão como abaixo da média, tanto em 2000 como em 1985.9
Poderíamos multiplicar as declarações de políticos do alto escalão que encorajam esse apego à identidade única, homogênea, e grande trunfo da grandeza do Japão – e que não pode ser maculada pela imigração. Assim, Aso Taro, então ministro da Educação, declarou em 2005: “O Japão é uma nação, uma civilização, uma língua, uma cultura, uma raça”. Essa atitude é alimentada por toda uma corrente ultranacionalista e culturalista que data do pré-guerra, mas persiste até hoje.
Será preciso que a quantidade de pessoas sob essa influência seja drasticamente reduzida para que o projeto de trazer ao país 200 mil estrangeiros por ano possa ser levado adiante e contribuir com o sucesso das “abenomics” – cujos desafios vão muito além da questão da imigração.




Marc Humbert
*Marc Humbert é professor de Economia Política da Universidade de Rennes I, ex-diretor da Casa Franco-Japonesa de Tóquio (2008-2011) e diretor adjunto do Centro de Pesquisa sobre a Cultura Japonesa de Rennes (França).


Ilustração: Adão Iturrusgarai

1  Ler “La triple ambition du Japon” [A tripla ambição do Japão], Planète Asie, 21 out. 2014.
2  Declaração de 13 de fevereiro de 2014 registrada pelo Japan Times, Tóquio, 18 maio 2014.
3  Propostas defendidas no dia 20 de abril e citadas pelo Japan Times, 18 maio 2014.
4  Yasunori Fukuoka, Lives of young Koreans in Japan [A vida de jovens coreanos no Japão], Transpacific Press, Melbourne, 2000.
5  Kim Myungsoo, “Les caractéristiques de la xénophobie au Japon” [As características da xenofobia no Japão], Hommes et Migrations, n.1302, Paris, abr.-jun. 2013.
6  Ler Anne Roy, “Petites mains chinoises pour industrie nippone” [Pequenas mãos chinesas para a indústria nipônica], Le Monde Diplomatique, dez. 2008.
7  Essa disposição restritiva foi abolida em 2013.
8  “Crime and criminal justice statistics” [Estatísticas de crime e justiça criminal], Escritório das Nações Unidas sobre as Drogas e o Crime, 15 maio 2014. Disponível em: .
9          Cf. Natalka Patsiurko, John L. Campbell e John A. Hall, “Measuring cultural diversity: ethnic, linguistic and religious fractionalization in the OECD” [Medindo a diversidade cultural: cisões étnicas, linguísticas e religiosas na OCDE], Ethnic and Racial Studies, v.35, n.2, Routledge, Londres, fev. 2012.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Stedile: sociedade não aceitará golpes do Congresso ou Poder Judiciário

no Portal do MST
Em entrevista, membro da coordenação do MST afirma que cabe aos movimentos sociais cobrar do governo as mudanças sociais necessárias.

Da Carta Capital

Em entrevista, João Pedro Stedile, membro da coordenação do MST, afirma que cabe aos movimentos sociais cobrar do governo as mudanças sociais necessárias, e que a campanha de Impeachment articulada pela direita é "uma tática para acuar o governo. Para que ele tenha medo de fazer as mudanças que o povo votou e quer no segundo mandato".

Confira abaixo a entrevista:

O senhor se perfila entre aqueles representantes dos movimentos sociais que se sentem traídos pelo governo Dilma Rousseff?

Não. Sou parte daqueles que fizeram a campanha pela reeleição, a fim de garantir mudanças para melhorar as condiçoes de vida do povo. Espero, e ainda há tempo, de a presidenta e seu governo entenderem o recado das urnas.

Como a presidenta poderia recuperar a confiança do eleitorado que optou por manter o PT no poder por mais quatro anos?

Infelizmente, o governo Dilma começou mal, pois deu sinais de aceitar as pressões da direita e a agenda neoliberal.

Errou ao compor um ministério com representações conservadoras e ao anunciar cortes de direitos dos trabalhadores.

Ao aceitar o projeto de lei que abre para o capital estrangeiro a área de saúde. Errou ao demorar em tomar uma atitude mais incisiva e demitir a diretoria da Petrobras, instalar uma comissão da sociedade para uma auditoria e salvar a empresa da sanha de quem quer privatizar o acesso ao pré-sal.

Tudo isso leva à perda da base social que a havia apoiado no segundo turno. Espero que o governo se recupere. Da nossa parte, nos mobilizaremos para reverter essas medidas equivocadas.

O Brasil parece prostrado, mergulhado em um impasse de difícil solução. Como chegamos a este ponto, depois de viver um período de esperança em relação ao futuro?

O Brasil vive uma crise econômica por falta de investimentos pesados na indústria e na infraestrutura social das cidades.

Uma crise social, por falta de iniciativas mais claras para enfrentar o problema da moradia, da Reforma Agrária, da universalização do acesso à universidade.

E uma crise politica, pois a democracia brasileira foi sequestrada pelas empresas. As dez maiores financiaram 70% do Parlamento. Os deputados representam seus financiadores, não programas ou partidos.

Qual a saída?

A única saída é política, ou seja, uma reforma que devolva ao povo a confiança na democracia. O ministro Gilmar Mendes, do STF, precisa criar vergonha e devolver o processo que proíbe o financiamento privado de campanha, e o Congresso precisa aprovar os dois projetos em tramitação por lá.

Um, proposto pela coalizão democrática de entidades brasileiras, pede mudanças no sistema e outro sugere um Plebiscito para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte. Este recebeu o apoio de 8 milhões de brasileiros.

O senhor vê no horizonte um clima a favor de um processo de impeachment contra Dilma Rousseff?

O anúncio do impeachment é uma tática da direita para pressionar e acuar o governo. Para que ele tenha medo de fazer as mudanças que o povo votou e quer no segundo mandato.

A tática é sangrar o governo, desgastá-lo para colher os frutos em 2018. O processo de impeachment não tem base legal. Não há responsabilidades da presidenta em nenhum crime.

É uma tática burra, inclusive, pois daria motivos para a sociedade se mobilizar em defesa da democracia e da legalidade.

E daria aos movimentos o direito de pedir o impeachment de todos os governadores acusados de fraudes, de todos os prefeitos. Ninguém sabe no que daria.

Há disposição dos movimentos sociais de saírem às ruas em defesa do governo ou do projeto por ele representado?

Os movimentos populares estão dispostos a se mobilizar e lutar contra os ajustes neoliberais do governo, as tentativas de retrocesso, a privatização da Petrobras, da Caixa, do sistema de saúde.

Ao governo cabe ter juízo e honrar o programa que o elegeu. A sociedade, acredito, não aceitará nenhuma aventura golpista, via Congresso ou Poder Judiciário.

Existe uma liderança capaz de apaziguar a situação e conduzir o Brasil por um caminho que o tire desse impasse?

A gravidade do tema não se restringe a lideranças, que sempre são fruto de processos de mobilização de massa, e não o contrário.

O Brasil precisa de um amplo debate a respeito de um projeto capaz de mobilizar os cidadãos, os movimentos, a favor das reformas estruturais necessárias, a começar pela política, mas sem deixar de lado a dos meios de comunicação e a tributária, que pune os assalariados e premia as grandes fortunas e o capital financeiro.

O STF golpeará a Constituição e os Povos Indígenas em benefício do ruralismo?

no Portal do MST
Uma eventual confirmação da decisão do STF seria uma sinalização para os povos indígenas de que a guerra é um mecanismo, mais do que legítimo, necessário.


Por Cleber Buzatto* Do Cimi 

Recentes decisões da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) restringem, de forma violenta e radical, o alcance do conceito de terra tradicionalmente ocupada pelos povos indígenas consignado no Artigo 231 da Constituição brasileira.

Ao decidir o caso da Petição 3388, o Pleno do STF designou a data da promulgação da Constituição como referência para caracterizar a referida tradicionalidade, destacando, porém, que o fato dos indígenas não estarem na posse da respectiva terra devido à ocorrência de “renitente esbulho” por parte de não indígenas seria a garantia de que o direito desses povos sobre suas terras estavam mantidos.

Ao dar provimento ao Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 803.462, relativo à Terra Indígena Limão Verde, do povo Terena, MS, em dezembro de 2014, o ministro Teori Zavaski, seguindo o ministro Gilmar Mendes - intelectual orgânico do ruralismo dentro do Supremo e redator dos acórdãos de outros dois agravos, também da 2ª Turma, que anularam portarias declaratórias de terras dos povos Guarani-Kaiowá, MS, e Canela-Apãniekra, MA -, caracterizou, a nosso ver de maneira reducionista e antiindígena, o conceito de “renitente esbulho”. 

Para ele, “Renitente esbulho não pode ser confundido com ocupação passada ou com desocupação forçada, ocorrida no passado. Há de haver, para configuração de esbulho, situação de efetivo conflito possessório que, mesmo iniciado no passado, ainda persista até o marco demarcatório temporal atual (vale dizer, a data da promulgação da Constituição de 1988), conflito que se materializa por circunstâncias de fato ou, pelo menos, por uma controvérsia possessória judicializada”. Zavaski fez uso dessa caracterização para negar o direito dos Terena à sua terra tradicional. Leia aqui.  

Na prática, tal interpretação do Artigo 231 da Constituição reduz o direito dos povos às suas terras tradicionais a duas situações hipotéticas absurdamente limitadas. Ou seja, para terem o direito às suas terras, os indígenas teriam que estar fisicamente sobre elas em 5 de outubro de 1988 ou, na hipótese de não estarem fisicamente sobre as terras, deveriam estar disputando judicialmente ou em “efetivo conflito possessório”  com os fazendeiros na mesma data.

Diante dessa decisão, cumpre-nos perguntar: era a intenção do Constituinte, ao grafar o Artigo 231 na Constituição brasileira, reconhecer, aos povos indígenas, o direito restrito apenas àquelas terras que eles já detinham a posse física na data da promulgação da Constituição ou que estivessem disputando essa posse judicialmente ou por meio do conflito deflagrado, ou seja, em estado de guerra, com os fazendeiros invasores? É óbvio que não.

Estamos diante de uma situação profundamente sensível. Uma eventual confirmação dessa decisão pelo Pleno do STF seria uma sinalização evidente, para os povos indígenas, de que a guerra é um mecanismo, mais do que legítimo, necessário para que mantenham o direito sobre suas terras tradicionais. É esse mesmo o sinal que o STF está disposto a dar para os povos indígenas do Brasil?

A mesma decisão seria, concomitantemente, uma sinalização evidente, para os históricos e novos invasores de terras indígenas, que o mecanismo da “desocupação forçada” dos povos é, mais do que legítimo, conveniente e vantajoso para os seus intentos. É esse mesmo o sinal que o STF está disposto a dar aos inimigos dos povos indígenas do Brasil? 

Rogamos que os ministros do Supremo usem o bom senso e o senso de justiça como alicerces de suas decisões e revoguem a decisão em questão propalada pela 2ª. Turma. A Suprema Corte do Poder Judiciário brasileiro não pode ser transformada num lavatório das mãos daqueles que as sujaram e sujam com o sangue dos povos e lideranças indígenas de nosso país.

* Cleber César Buzatto é Secretário Executivo do Cimi

Editorial O suicídio do Brasil

no Portal da Carta Capital
Aqui estão os responsáveis pela crise, após séculos de predação e escravidão
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Sempre pretenderam ficar a esta mesa

Com a maior urgência o Brasil haveria de implorar por um New Deal para enfrentar a gigantesca crise em que o meteram. Caso se desse conta da necessidade, ainda assim faltariam um Roosevelt e um Keynes brasileiros para executá-lo. Convém admitir, por outro lado, que, nos começos dos anos 30 do século passado, o presidente americano e seu extraordinário inspirador britânico, se não careciam de coragem para desafiar a elite dos Estados Unidos, não se viam, entretanto, às voltas com uma Operação Lava Jato.
Na entrevista a CartaCapital publicada na primeira edição deste ano, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, ao afirmar que o Brasil tem de recuperar o crescimento, entendia como medida essencial investimentos em infraestrutura. “São portos – dizia Gabrielli –, estradas, ferrovias, aeroportos e, no caso do petróleo, estaleiros, sondas, plataformas...”
Gabrielli não nos brindava com uma revelação, e sim com uma constatação. O New Deal significou um enorme investimento em infraestrutura, em benefício do trabalho e do emprego. É o que se recomenda neste momento de recessão brava, com óbvia tendência a se acentuar, mais e mais. Nem por isso, a despeito das evidências, outras são as receitas sugeridas, ou reclamadas com veemência.
Duas saltam aos olhos, apresentadas como antídotos seguros ao desastre iminente. Uma, a do impeachment de Dilma Rousseff, como se, uma vez afastada a presidenta, o sol da ordem e do progresso voltasse a raiar. Trata-se, obviamente, de uma hipótese não somente golpista, mas também estúpida. Outra, defendida inclusive por sábios do jornalismo nativo, parece supor que, uma vez atingidos os corruptos por punições exemplares, o País reencontraria seu eixo. Nada impede que as duas receitas sejam tidas como complementares.
No primeiro parágrafo deste editorial, aludia ao Brasil como vítima. De quem? De Dilma? Da corrupção? Do Partido dos Trabalhadores? Vejamos. Dilma foi reeleita com vantagem de 5% dos votos sobre Aécio Neves. Vitória clara. A corrupção é doença crônica no País. O PT não cumpriu o que prometia e no poder portou-se como os demais. Ou seja, aqueles que mantêm a tradição partidária brasileira, vetusta ao contrário do tempo de vida do PT, nascido depois da reforma criada pela ditadura em 1979, e capaz, por mais de duas décadas, de se parecer com um partido de verdade, na melhor acepção democrática e republicana.
O combate à corrupção tem todas as justificativas, mas a Operação Lava Jato é apenas o último (espera-se, se ainda houver espaço para esperanças) ato de um longo enredo. Juscelino conferiu às empreiteiras um papel determinante, a ditadura o fortaleceu e ampliou. Desde o primeiro ato, a peça desenrola-se ao sabor da corrupção. E de muita incompetência até na hora de roubar. E de prepotência e manobras escusas, e da insuportável conciliação das elites.
Não são poucos os brasileiros competentes e honestos. São, porém, minoria absoluta, e não podem fazer a diferença. Campo livre para a chamada elite, cujo empenho total foi e é manter de pé a casa-grande e a senzala. Ou, por outra, uma Idade Média dotada de computadores e celulares de infinitas serventias. A Operação Lava Jato, ao mirar nas empreiteiras, sem entrar no mérito das razões que a movem e exigem justas condenações, precipita o impasse paradoxal.
A nossa elite, a turma do privilégio, os correntistas do HSBC da Suíça e de quem sabe quantos mais paradeiros de dinheiro lavado e sonegado, é a única, inescapável vilã do entrecho. Sem empresas adequadas à tarefa, Roosevelt e Keynes não teriam condições de levar a cabo o New Deal salvador. Aqui, com o processo às nossas empreiteiras, assistimos ao suicídio imposto ao Brasil por cinco séculos de predação e três séculos e meio de escravidão.
Apelo ao perdão não é admissível, está claro. Registre-se, apenas, o desfecho de uma tragédia, que parece até agora não percebida em toda a sua imponência por quem a provocou e por quem a sofre. E ainda mais sofrerá, vítima anunciada o tempo inteiro.
Dois episódios desta semana são o perfeito retrato da sociedade que condena o Brasil ao suicídio. Trata-se dos moradores da casa-grande e de quantos sonham em chegar lá e já agem como se fossem inquilinos. O juiz que se apossa do carro do réu. Os apupos dos frequentadores do Hospital Albert Einstein de São Paulo dirigidos contra o ex-ministro da Fazenda em visita a um amigo enfartado.
Exemplos eficazes e aterradores, reveladores de uma sociedade que ostenta, a par de suas grifes, ignorância, parvoíce, vocação de trapaça, incapacidade crônica para a ironia e o senso de humor, prepotência e arrogância sem limites, hipocrisia e desfaçatez, velhacaria e vulgaridade. São estes os brasileiros que impõem o suicídio a um país favorecido pela natureza como nenhum outro.

Provas da privataria tucana da Vale do Rio Doce se perderam para sempre?

no Maria Frô
A Vale do Rio Doce é uma das maiores mineradoras do mundo criada na Era VargasQuando foi privatizada na era da Privataria tucana era a maior mineradora de ferro do mundo.
Nunca foi feita uma auditoria sobre o escândalo da privatização da Vale, patrimônio do Povo Brasileiro dado de presente ao capital internacional pelo governo de FHC.
Conheça um pouco a história deste crime de lesa-pátria praticado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso:
 
Lúcio Flávio Pinto nos informa sobre uma notícia aterradora na matéria reproduzida abaixo.
por José Gilbert Arruda Martins
Cadê a esquerda desse país? Vai ficar, como sempre, brigando pelo governo, enquanto a direita mais reacionária - Dem e PSDB -, aprontam de tudo para derrubar o governo Dilma Roussef?
A esquerda, o governo, as centrais sindicais, os sindicatos, o MST, o MTST, a OAB, os juízes sérios e a sociedade organizada precisa tomar pé e sair do ar condicionado.
A direita, capitaneada pelo PSDB, entregou na década de 1990 o patrimônio público brasileiro ao grande capital internacional, no maior e mais profundo desmonte que um Estado já experimentou, usando dinheiro público do BNDES, com leilões, possivelmente, marcados, com todo tipo de irregularidades, o Ministério Público não fez nada, o Supremo Tribunal Federal não fez nada, a esquerda não soube agir, e tudo foi arquivado e, agora incendiado, no caso específico dos documentos da Vale do Rio Doce. É impressionante.
A reação a toda essa situação de arquivamentos, incêndios a documentos importantes, a discursos golpistas, precisa sair dos gabinetes.

Provas da privataria tucana da Vale do Rio Doce se perderam para sempre?


Por Maria Frô
Que documentos foram queimados neste incêndio? Quem, o quê o provocou? Por que documentos tão importantes como estes estavam num depósito no interior de Minas Gerais? Sobrou algo para um dia, quando este país tiver coragem para investigar os crimes da privataria tucana contra o patrimônio do povo brasileiro se fazer uma verdadeira auditoria?
Atualização: O leitor Marco Aurélio Neves posta um link: Comprador da Vale do Rio doce no governo FHC é um dos 8 mil sonegadores da HSBC que coloco aqui em observação.
Existe uma equipe de jornalistas fazendo trabalho voluntário para tornar pública a listas dos sonegadores do HSBC, banco que, aliás, recebeu de presente na era da Privataria tucana o Bamerindus com recursos do PROER. 
O fogo e o silêncio
Um comunicado quase anônimo, de aparência amadora, publicado discretamente na edição do dia 13 do jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, informou sobre uma tragédia histórica: boa parte dos documentos da antiga Companhia Vale do Rio Doce pegaram fogo em um galpão na cidade de Contagem, na região metropolitana da capital mineira.
Os mais antigos documentos remontavam à fundação da CVRD, em 1942, em plena ditadura do Estado Novo e durante a Segunda Guerra Mundial. Os mais recentes eram de outubro do ano passado. Um dos capítulos mais importantes da história econômica do país estava registrado nesses documentos.
Na nota, inusitadamente pobre de conteúdo, a Vale não diz se essa documentação já foi digitalizada no todo ou em parte. Não explica também por que acervo tão precioso foi entregue a uma “guarda terceirizada”, e foi parar num galpão em Contagem. Não informa sequer quando exatamente aconteceu o incêndio, quais as providências adotadas para combatê-lo e para salvar o que tivesse sido possível da documentação. Limitou-se a comunicar que informou a polícia sobre o fato e um inquérito policial foi instaurado.
Apesar da evidente gravidade da perda, nada saiu na imprensa e nenhuma autoridade responsável se manifestou. Parece que o incêndio aconteceu na Guiné Equatorial.

domingo, 1 de março de 2015

A PARTIR DE HOJE - Cartilha apresenta novas regras do seguro-desemprego e do abono salarial

por Agência Brasil no Rede Brasil Atual
Trabalhador terá de comprovar vínculo com o empregador pelo menos por 18 meses nos 24 meses anteriores à primeira vez em que requerer o seguro-desemprego.
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Trabalhador demitido até ontem (27) será regido pela legislação anterior

Brasília – Uma cartilha com informações sobre as novas regras do seguro-desemprego e do abono salarial foi lançada ontem (27) pelo Ministério do Trabalho. A partir de agora, o trabalhador terá de comprovar vínculo com o empregador pelo menos por 18 meses nos 24 meses anteriores à primeira vez em que requerer o seguro-desemprego. Na segunda solicitação do benefício, ele terá de ter trabalhado por 12 meses nos 16 meses anteriores. A partir do terceiro pedido, a carência voltará a ser de seis meses.
As alterações no seguro-desemprego foram anunciadas em dezembro do ano passado e começam a valer para quem for demitido a partir de hoje (28). Segundo o ministério, o manual tem o intuito de esclarecer de maneira didática e prática as eventuais dúvidas dos trabalhadores e empregadores, por meio de perguntas e respostas
“Quem sofreu desemprego antes de 28 de fevereiro de 2015, será regido pela legislação anterior, segundo a qual é necessário ter recebido salário relativo a cada um dos seis meses anteriores à data da dispensa, tendo direito, nesse caso, ao benefício”, informa a cartilha.
O manual também informa que a comprovação do recebimento dos salários de forma ininterrupta não será necessária para a primeira e a segunda solicitações. “Essa exigência somente é necessária para a terceira solicitação e para as posteriores, nas quais é necessário comprovar os seis salários recebidos em cada um dos últimos seis meses anteriores à data da dispensa.”
Por isso, o trabalhador poderá usar outros vínculos empregatícios que estejam dentro do período dos últimos 36 meses, contados da data da dispensa atual, como referência para aumentar o número de parcelas.
A cartilha também traz informações sobre as mudanças na concessão do abono salarial. Segundo a publicação, “para o calendário que se inicia este ano, como o ano-base é 2014, as regras que valerão serão as que estavam em vigor anteriormente”. As novas regras “serão exigidas para o calendário de pagamento que tem início em julho de 2016 e que tem como ano-base o ano de 2015”.
Antes, quem trabalhava somente um mês e recebia até dois salários mínimos tinha acesso ao abono salarial. Agora, o prazo será de no mínimo seis meses ininterruptos. Outra mudança será o pagamento proporcional ao tempo trabalhado, do mesmo modo que ocorre atualmente com o décimo terceiro salário, já que, pela regra atual, o benefício era pago igualmente para os trabalhadores, independentemente do tempo trabalhado.
A cartilha com todas as informações está no site do Ministério do Trabalho.