segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Bresser Pereira busca novo desenvolvimentismo

no Outras Palavras
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Para economista, Brasil vive, desde anos 1990, dois dramas articulados: desindustrialização e valorização dos produtos primários. Para fugir da armadilha, será preciso contrariar mercados 
Por Lilian Milena, no GGN
Há sete anos o ex-ministro da Fazenda e atual professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser Pereira, desenvolve uma nova proposta para a economia desenvolvimentista, consolidada em três obras publicadas ao longo desse período:Macroeconomia da Estagnação (2007); Globalização e Competição (2009) eDevelopmental Macroeconomics (2014).
Durante sua participação no Brasilianas.org (TV Brasil) o economista, declaradamente keynesiano, destacou os principais pontos da sua teoria, apontando a “doença holandesa” como a razão de o Brasil ter parado de crescer desde 1990. Bresser Pereira, inclusive, coloca-se como um dos culpados por isso.
Ele lembrou que participou das discussões para a abertura comercial, entre 1990 e 1991, onde se decidiu acabar com a proteção de 45% dada à indústria nacional. “Estávamos completamente errados, pois cerca de metade dessa porcentagem não era protecionismo e sim neutralizadora da doença holandesa”, afirmou.
A doença holandesa é um termo inspirado nos anos 1960, quando a apreciação dos preços de gás natural aumentou a receita dos Países Baixos, valorizando o moeda local. A apreciação cambial, no entanto, derrubou a exportação dos demais produtos daquelas nações, já que os preços dos bens locais se tornaram menos competitivos no mercado internacional. Esse fenômeno é recorrente em países que tem sua economia baseada na exportação de commodities, como o Brasil.
Como definiu Bresser Pereira, a taxa de câmbio é determinada por aquilo que torna lucrativo a exportação de commodities, e não que torna lucrativo a exportação de manufaturados, prejudicando, assim, o desenvolvimento de uma indústria mais consolidada no país. O professor explicou, ainda, que a taxa de câmbio funciona como um interruptor de luz que, “liga ou desliga as boas empresas” que se tem no país, no mercado externo e também no mercado interno.
O economista destacou que só identificou o problema nos anos 2000. Antes, junto com Yoshiaki Nakano, formulou a teoria da inflação inercial, usada como base no Plano Real, implantado em 1994. “O plano foi bem sucedido, porque foi bem pensado [pelos economistas da PUC-Rio que desenvolveram melhor o programa] e porque os brasileiros não aguentavam mais a inflação”, destacou.
Com a inflação estabilizada, os economistas acreditavam que o Brasil fosse crescer significativamente. Mas o passar dos anos demonstrou que estavam errados. Berrer Pereira acredita que faltou aos governos, desde então, criar mecanismos para neutralizar a doença holandesa. O longo período de valorização da moeda brasileira frente ao dólar apenas desestimulou os investimentos dos empresários locais.
O professor, entretanto, apresentou uma receita para reverter esse quadro, chamada por ele de “novo desenvolvimentismo”, focado na taxa de câmbio. Sua teoria propõe equilibrar os chamados “cinco preços macroeconômicos”, que são: a taxa de câmbio (o mais estratégico dos preços); a taxa de lucros, pois sem lucro não há investimentos e portanto não há desenvolvimento; a taxa de juros, que deve ser a mais baixa possível; a taxa de salários, que deve ser a mais alta possível e compatível com o investimento; e a taxa de inflação; que deve ser baixa.
“Esses são os cinco preços macroeconômicos, e o mercado não equilibra esses preços de jeito nenhum, quer dizer, [portanto, que] o governo tem que administrar para que esses preços sejam equilibrados”, defendeu.
TEXTO-MEIO
A ideia fundamental do Desenvolvimentismo Clássico nasceu na Europa, junto à ONU, no âmbito da crise de 1929, também conhecida como a crise do pensamento ortodoxo neoclássico. O grande sistematizador dessas ideias foi John Maynard Keynes, cujas obras afirmavam que um país, para se desenvolver, precisava primeiramente se industrializar e o papel do Estado era fundamental para induzir a industrialização e como planejador macroeconômico e investidor de infraestruturas.
As propostas do Desenvolvimentismo Clássico no Brasil foram emplacadas pelo ISEB (o Instituto Superior de Estudos Brasileiros), grupo formado nos anos 1950, que influenciou também o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e que teve como cabeças o economista Inácio Rangel, o cientista político Helio Jaguaribe, o sociólogo Guerreiro Ramos e o filósofo Alvaro Vieira Pinto. “Conheci todos eles, que foram fundamentais na minha própria formação”, completou Bresser Pereira.
O professor lembrou que as políticas implantadas por Delfim Neto, então Ministro da Fazenda nos governos militares, foram fundamentais a industrialização e crescimento do país. “Ele [Delfim Neto] montou um sistema em 1967 de neutralização da doença holandesa, que nem era conhecida como doença, dando subsídios às exportações de manufaturados junto com a alta de tarifa de importação”. Segundo Bresser Pereira, com isso as exportações de manufaturados brasileiros, que em 1965 correspondiam a 6% da balança comercial, passaram para 66% em 1985. “Foi uma coisa extraordinária, ou seja, o modelo já não era mais de substituição de importações, e sim exportação de manufaturados que tínhamos na época”.
Durante a Ditadura Militar, Bresser Pereira foi autor de vários artigos criticando Delfim Neto. Hoje o professor explica que as suas críticas, até hoje defendidas, se davam em cima da excessiva concentração de renda causada pelas políticas econômicas da época, reconhecendo, por outro lado, os resultados positivos de Delfin Neto no fortalecimento das exportações de produtos beneficiados brasileiros.
Bresser Pereira explicou que existem duas causas para a permanente apreciação de câmbio em países em desenvolvimento. Ao contrário do que alguns imaginam, não decorrem de comportamentos do consumidor, mas sim de duas políticas. A primeira, de crescimento da poupança externa. “Quando você decide crescer com poupança externa, está decidindo que vai ter um déficit de conta corrente, e que esse déficit vai ser financiado por investimentos diretos, ou por financiamento externos. E foi isso o que Fernando Henrique fez”.
Outra política errada apontada pelo professor, realizada não apenas por Fernando Henrique, mas também por Lula e Dilma, é a de âncora cambial, ou seja, “a política de tentar segurar a inflação apreciando o câmbio”. O “grande equívoco” dos governos Lula foi a apreciação “violenta” da taxa de câmbio. “Ele [Lula] teve um grande mérito em fazer a distribuição de renda, especialmente através do aumento do salário mínimo, mas cometeu um erro brutal que foi deixar o câmbio em um nível alto”, ponderou.
E essa foi a herança “maldita” de Lula entregue à Dilma. O professor defendeu que hoje, a primeira coisa que o governo Dilma deveria fazer para reaquecer a economia é restabelecer, minimamente, o equilíbrio macroeconômico, reduzindo pela metade o déficit público, hoje em 5% do PIB. Ele também sugeriu a redução da taxa de juros básica (Selic), entendendo que o nível adequado deve ser de 1% a 2%.
Segundo Bresser Pereira, em termos econômicos, o governo de Dilma começou mal por ter recebido como herança um câmbio “escandalosamente apreciado”. A presidente teria sido corajosa, no início de governo, ao promover uma redução forte da taxa básica de juros, a Selic. “A taxa de juros real no Brasil foi a 2,5%, há anos não se via isso no país. Além disso, ela depreciou o câmbio em 20%, o que foi ótimo, mas não o suficiente”.
O erro cometido por Dilma, na visão do professor, foi ter deixado de fazer um ajuste fiscal nas contas públicas, junto com a depreciação do câmbio. Isso, por conta da pressão inflacionária, que ocorre automaticamente quando se deprecia o câmbio.
Nessa mesma fase, do primeiro mandato, a demanda por commodities começaram a cair internacionalmente. A receita gerou o famoso “pibinho”, e o governo Dilma, sensível aos ataques da grande mídia, começou a recuar aumentando a taxa básica de juros e mantendo o câmbio.

Carta aberta à comunidade

Por Luis Ricardo em 20/fev/2015

 

Manifesto Contra a Precarização da Educação Pública do DF
Mais uma vez, assistimos ao ato de se jogar nas costas da Educação Pública a conta a ser paga pelo Governo do Distrito Federal. Quando a receita é cortar gastos da Máquina Pública, de onde se tira dinheiro em primeiro lugar? Dos recursos públicos destinados à educação dos filhos dos trabalhadores. Ora, sempre que um governante fala em reduzir despesas, o prejuízo recai sobre aqueles que necessitam da prestação dos serviços públicos.
A pretexto de um alegado “rombo” nas contas do GDF, o Secretário de Educação tem feito chegar às escolas públicas uma série de medidas que revelam seu total descompromisso para com a educação pública do Distrito Federal. A começar pelo desrespeito ao início do Ano Letivo determinado pelo Calendário Oficial aprovado pela própria Secretaria de Educação, presenciamos um verdadeiro festival de ações que já trazem graves prejuízos à vida escolar de nossas crianças e adolescentes, pelo fato de inviabilizarem o funcionamento das Unidades Escolares, a saber:
Retirada dos Coordenadores Pedagógicos da estrutura das escolas:
Os Coordenadores são responsáveis pelo Planejamento de todas as ações e atividades pedagógicas a serem colocadas em prática ao longo do Ano Letivo. Sem eles, cada Professor ficará isoladamente responsável pelo planejamento de sua disciplina, o que comprometerá a execução do Projeto Político-pedagógico da Escola, além de representar o fim da Educação Integral nas escolas em que este programa foi implantado e ainda de outras atividades indispensáveis à vida escolar:
Recusa à nomeação de novos Supervisores Pedagógicos e Administrativos para as escolas:
A Escola não se resume à Sala de Aula. Há toda uma estrutura, em torno dela, vital para que seus serviços sejam bem prestados à Comunidade: a Secretaria Escolar, a Coordenação Pedagógica, assim como as Supervisões Pedagógica e Administrativa;
Indefinição de um calendário para a liberação dos recursos que financiam as escolas públicas de Brasília:
O Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) garante recursos indispensáveis para o funcionamento das escolas em seu dia a dia bem como o custeio das suas despesas ao longo do ano. A retirada desses recursos representaria um verdadeiro retrocesso para a escola pública do Distrito Federal.
Retirar as condições mínimas de funcionamento das escolas é promover o sucateamento do Ensino Público de Brasília. Este é o Programa de Governo do GDF para a área de Educação?
Caberia ainda a pergunta em uma “Roda de Conversa”: por que a escola pública não pode ter a estrutura da escola particular?
MÃES, PAIS, COMUNIDADE EM GERAL, JUNTEM-SE A NÓS NA LUTA PELA DEFESA DOS DIREITOS DOS SEUS FILHOS.
COORDENADORES JÁ
SUPERVISORES JÁ!
PDAF JÁ!

Ano letivo tem início na Praça do Buriti

Por Luis Ricardo no Sinpro-DF

O primeiro dia letivo de 2015 está marcado com uma paralisação inédita em Brasília. Pela primeira vez na história da capital federal os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais iniciam...

 

O primeiro dia letivo de 2015 está marcado com uma paralisação inédita em Brasília. Pela primeira vez na história da capital federal os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais iniciam o ano letivo com uma paralisação, dada a gravidade dos não pagamentos de direitos trabalhistas da categoria.
Nos últimos dias o governo do Distrito Federal tem dado entrevistas na imprensa local afirmando que haverá aula nas escolas da rede pública de ensino nesta segunda-feira (23). De fato haverá atividade, já que a categoria iniciará o ano letivo em luta na Praça do Buriti.
As escolas já se manifestaram fortíssima adesão através da fanpage do Sinpro e nas redes sociais.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Um Proer para as empreiteiras

no Conversa Afiada
Nelson Barbosa coordenaria o programa “A Engenharia é Nossa!”​
Amigo navegante que leu “Ainda dá para salvar as empreiteiras” ofereceu as seguintes observações.

(A transcrição não é literal, porque a conversa se deu sem gravador ou anotações, para não espantar a fera.)

Disse ele:

“Em nome do interesse nacional, é preciso salvar as empreiteiras.”

“Não me interessa se empreiteiro ou empregado corrupto de empreiteiro corrompeu empregados corruptos da Petrobras.”

“Cadeia neles !”

“Destruir algumas das maiores empresas de engenharia do mundo, que realizam as maiores obras de infra-estrutura do mundo (fora da China) por causa de meia duzia de larápios ?”

“Para agradar os coxinhas instalados no Ministério Público ?”

“Agradar esses delegados aecistas ?”

“Agradar o Juiz Moro, que demonstrou inclinações tucanos desde os tempos do Banestado ?”

“Aliás, ansioso blogueiro, procure ver, direitinho, o que o Juiz Moro fez quando o PFL e o PSDB se borravam de medo do Banestado ?”

“Quem sabe essa pesquisa com parlamentares da época demonstre, desde ali, que o Juiz Moro tinha certas preferencias partidárias ?”

“Foi o que me confidenciou um parlamentar – gordo, como diz você – do PFL …”

“Mas, de volta ao que interessa, porque ao Moro será destinada a mesma nota de pé de página em que se encontra  outro Messias”.

Quem é que abriu a Bélem-Brasília ? Construiu Paulo Afonso, Tres Marias, Furnas ?”

“Quem fez Itaipu ?”

“Voce sabia que quando o Geisel foi encontrar o Stroessner, o velho ditador do Paraguai, para inaugurar Itaipu, o Stroessner perguntou: ‘mas, cadê don Sebastian ?”. 

“Sabe quem era o don Sebastian, que construiu Itaipu ? O Sebastião Camargo da Camargo Correia”.

“E agora esses coxinhas do Globo e do MP querem fechar quem construiu o Brasil ? Ora, vão … !”

“Quem fez Rio- Niterói? Foi a Haliburton ?

“Quem fez Angra I e Angra II – foi a General Electric ?”

“Quem é que já ligou o Brasil ao Pacifico, por Mato Grosso e a Bolivia ? Quem ligou o Brasil ao Pacifico, pelo Acre e o Peru ? Foi algum Procurador da Republica ?”

“Esses Procuradores que foram à Suíça sabiam que o Brasil pode chegar ao Pacifico por terra ? E que isso foi feito sem a minima colaboração deles ?”


“Ora, vão tomar … !”

“Esses engomadinhos – é como se diz no México, os coxinhas de cabelo com brilhantina – querem jogar no lixo o acervo de conhecimento, tecnologia da Engenharia Nacional para destruir a Dilma !”

“E pra mostrar que são f… !”

“Quem foi que descobriu o pré-sal ? Foi algum Procurador da Republica ? Foi a British Petroleum, ou foi o Estrela – http://www.defesanet.com.br/pensamento/noticia/12610/Pre-Sal—Guilherme-Estrella—O-homem-que-inventou/?”

“E tem mais: o Fernando Henrique e o Gilmar estão certos. A Petrobras não tem nada que fazer licitação. Construir uma ponte não é comprar uma sonda. Construir uma ponte é uma obra publica. Comprar uma sonda é decisão de uma empresa que concorre num mercado capitalista,  global, disputadíssimo. Então, a Petrobras se consome, anos a fio, numa licitação – com TCU, Ibama, Funai, MP,  as ONGs da Marina, o Globo e tudo o que atrasa as obras no Brasil – e as concorrentes americanas nadam de braçada, sem licitação nenhuma ? Ora, vão … !”

“Eu discordo de você, ansioso blogueiro ! Não precisa chamar o Faoro, o Evandro e o Petronio Portella para fazer um acordo e salvar as empreiteiras, em nome do interesse nacional.”

“O Brasil tecnologia disso. O Proer. Não precisa nem chamar o Gustavo Franco, o rei do Proer. E do Real super-valorizado, que destruiu a industria brasileira …”

“Não precisa dele … Basta chamar o Nelson Barbosa. O Ministro do Planejamento. Deixa o Levy fazer o ajuste dele. O Nelson Barbosa é um economista com visão de Estado. Ele sai da casinha do ajuste. “

“Basta mandar o Barbosa coordenar uma operação para salvar as empreiteiras sem salvar os corruptos. Não salvamos os bancos sem salvar os banqueiros e administradores que cometeram “gestão temerária” ou simplesmente roubaram ?”.

“O Brasil sabe fazer isso: ou não foi o Gustavo Franco que entregou o Bamerindus ao HSBC ? …”

“Vamos mudar de assunto para não perder o foco”.

“O que foi mais importante ? Salvar os bancos e o sistema financeiro nacional, ou entregar meia de duzia de larápios à malta de linchadores ?” 

“Em lugar de Proer das Empreiteiras, o Barbosa poderia liderar ‘A Engenharia é nossa’.”


Paulo Henrique Amorim, com a colaboração de um defensor intransigente do “Interesse Nacional” !

UTC doou ao Machão do Leblão também

no Conversa Afiada
Vai ter tucano gordo na lista, Dr Janot ? – PHA
via Fernanda Candal, no facebook



NOTA À VEJA


Mais uma vez a revista Veja levanta inverdades e acusa sem fundamento e provas.

A campanha de reeleição de Dilma Roussef reafirma que toda a sua arrecadação para campanha presidencial de 2014 foi realizada de forma ética e transparente, conforme previsto na legislação eleitoral.

Prova disso é a aprovação por unanimidade das contas da campanha pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após rigorosa auditoria.

A UTC, foi uma das doadoras da campanha presidencial, assim como foi de outras campanhas eleitorais, inclusive do PSDB, que teve como candidato o senador Aécio Neves.

A empresa efetuou doações em três datas diferentes no valor total de R$ 7,5 milhões para a campanha de reeleição da presidenta Dilma Rousseff. As doações da campanha Dilma estão dentro do estabelecido pela legislação, conforme declarado e aprovado pelo TSE.

A campanha da presidenta Dilma Rousseff não recebeu doações da UTC efetuadas por intermédio do Partido dos Trabalhadores.

O deputado denuncia e repudia a tentativa da revista Veja de, a qualquer custo, vincular a campanha da presidenta Dilma às investigações efetuadas na Petrobras, chegando à tentativa de criminalizar doações legais. Sem qualquer fundamento coloca em suspeição as contas de campanha já auditadas e aprovadas pelo órgão máximo da Justiça Eleitoral desse país.

Edinho Silva – Deputado estadual




Leia também:

UM PROER PARA AS EMPREITEIRAS


ABC DOS PROCURADORES FANFARRÕES


Suplicy abre mão de salário de secretário na Prefeitura de São Paulo

no Diário do Centro do Mundo
Do g1:
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A Prefeitura de São Paulo divulgou nesta sexta-feira (20) que o Secretário de Direitos Humanos e Cidadania da cidade, Eduardo Suplicy, abriu mão de receber salários. Em carta ao prefeito Fernando Haddad (PT), o ex-senador justificou a atitude por já receber aposentadoria pelo tempo de 24 anos em que atuou no Senado.
O valor que será doado por Suplicy não foi informado pela gestão municipal em comunicado divulgado no site. O ex-secretário de Direitos Humanos, Rogério Sotilli, que deixou o cargo no último dia 2, tinha vencimento de R$ 19,3 mil.
Segundo a Prefeitura, como não é possível deixar de pagar o salário, previsto na legislação municipal, a saída encontrada foi fazer uma doação para a própria administração. A pedido do secretário, a doação será vinculada para a implementação da Renda Básica de Cidadania.
“Em vista de ter contribuído para o organismo de previdência correspondente, informou-me o Senado que terei o direito de receber a partir de fevereiro o equivalente a 32/35 avos da remuneração de senador”, disse Suplicy na carta.
O salário de senador equivale à de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que é de R$ 33,7 mil. Assim, Suplicy terá uma aposentadoria de cerca de 30,8 mil.

A desgraça da América Latina é que para cada Pepe Mujica existem 50 Antonios Ledezmas

no Diário do Centro do Mundo
Sabotador da democracia
Sabotador da democracia
por José Gilbert Arruda Martins

Quantos Ledezmas o Brasil tem além do falecido Roberto Marinho?

As eleições do ano passado mostraram claramente o que são capazes "nossos Ledezmas".

Golpistas de plantão. Irresponsáveis de sempre.

A América Latina sofreu durante muitas décadas golpes militares violentos patrocinados pelos Estados Unidos da América e seus lacaios locais - no Brasil, você pode encontrá-los no PSDB e DEM -, principalmente.

Quem mais sofreu foi os mais pobres, que viram suas parcas economias "ir para o brejo".

A democracia não pode servir de escudo para golpistas. 

Precisamos fortalecer nossas instituições a partir de uma ética e moral sólida e baseada nos direitos fundamentais da pessoa humana.

Não podemos aceitar mais ditadores e golpistas.

Nossas escolas precisam debater esse tipo de pessoas e comportamento em todas as disciplinas durante todo o ano letivo.

Talvez isso possa ajudar no esclarecimento do Povo em relação a que interesses esses grupos golpistas defendem.

Vamos enquadrar nossos Lezdesmas quando?

A desgraça da América Latina é que para cada Pepe Mujica existem 50 Antonios Ledezmas

A desgraça da América Latina é que para cada Pepe Mujica existem 50 Antonios Ledezmas, o prefeito de Caracas detido sob acusação de conspirar contra a democracia.
Ledezma, 59 anos, é aquele típico político latino-americano cuja ação predatória ajuda a entender por que a região é recordista mundial em desigualdade social.
É um predador.
Seu apelido é Vampiro. Ele foi um dos homens que comandaram o massacre de venezuelanos miseráveis que se insurgiram em 1989 nos protestos que ficaram conhecidos como o Caracazo.
Ledezma tem um histórico golpista notável. Ele foi um dos homens que apoiaram a fracassada tentativa de derrubar Chávez em 2002.
Na ocasião, nas poucas horas que durou o golpe, ele quis tomar a prefeitura do município de El Libertador, na Grande Caracas. Perdera nas urnas, mas não aceitara a derrota.
Recentemente, em fevereiro de 2014, ele estimulou publicamente a violência nos protestos contra Maduro. Morreram 43 pessoas graças a este tipo de conduta.
Agora, pouco antes de ser preso, ele vinha exigindo a renúncia de Maduro. Pior ainda, ele estava publicando articulando um “governo de transição”.
Isto é tramar contra a democracia, isto é tentar um golpe que fraude o desejo do eleitorado que escolheu Maduro – e isto é crime político.
Ledezma sabota a democracia e despudoramente se diz vítima de uma “ditadura”.
A jornalista americana Eva Golinger, radicada na Venezuela, nota uma semelhança entre o que está ocorrendo no país hoje e o que aconteceu no Chile em 1973.
A mídia, diz ela, fabrica uma situação aterrorizante. Fotos de protestos em outros países são usadas para ilustrar o alegado descontentamento do povo.
O objetivo, afirma Eva, é semear uma atmosfera que chancele um golpe.
(Se você vê alguma semelhança entre a atitude da imprensa venezuelana e a conduta da imprensa brasileira, você está certo.)
A Venezuela – como todos os países do mundo, aliás – enfrenta uma crise econômica. Esta é particularmente agravada pela queda abrupta dos preços do petróleo, maior fonte de divisas do país.
Não é diferente o que ocorre na Rússia, outro grande produtor de petróleo.
A questão é que a mídia local tenta atribuir cinicamente ao governo de Maduro toda culpa pelas dificuldades – que de resto aparecem amplificadas.
Isso se chama desestabilização.
Como uma democracia lida com um destruidor como Ledezma?
Façamos um exercício.
Nestes mesmos dias, documentos desclassificados – que perderam a confidencialidade com a passagem do tempo – mostraram a frenética ação de Roberto Marinho contra a democracia brasileira.
Suponha que, alguns meses antes do golpe de 1964, cientificado das ações de Marinho, o presidente João Goulart o tivesse detido.
Jango estaria fazendo o quê? Agindo como um ditador ou defendendo a democracia?
A mesma lógica vale para Ledezma.
Um golpe contra Maduro teria, certamente, consequências. Se a velha elite ligada aos Estados Unidos o abomina, é grande seu prestígio entre as massas chavistas.
Homens como Ledezma, numa guerra civil, a gente sabe o que fazem: voam para Miami.
Ele é, sim, um golpista. E como tal que responder perante a lei.
É um anti-Mujica.
E então repito: a desgraça latino-americana é que para cada Mujica existem 50 Ledezmas.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Blogueira do Globo que ridicularizou pobres explica fim do blog

no Diário do Centro do Mundo
Da blogueira Silvia Pilz:
Resultado de imagem para charge sobre preconceito e discriminação
https://www.google.com.br/search?q=charge+sobre+preconceito+e+discriminação
Sobre o fim do blog Zona de Desconforto. A proposta era trazer ao jornal alguns assuntos que não são naturalmente abordados em jornais e discuti-los aberta e francamente. Dizer o que ninguém tem coragem de dizer. Fazer com que as pessoas reavaliassem hábitos e costumes. O blog foi concebido para tratar de hipocrisia, questionar valores e comportamento.
A proposta funcionou enquanto o debate girava em torno de questões sexuais ou temas da família. Mas desandou quando resolvi abordar com a mesma franqueza temas que envolvem minorias, incapazes, desvalidos e desfavorecidos. O post “O plano cobre”, em que satirizo o deslumbramento e o comportamento do pobre – nova classe média – diante das oportunidades oferecidas pelos planos de saúde, desencadeou uma onda de reprovação inesperada. A situação tornou-se tragicômica e insustentável para a imagem do jornal O Globo.
Depois desse post, que gerou um terremoto nas redes sociais, leitores revoltados foram buscar outros textos no acervo do Blog. A onda de reprovação cresceu e tomou proporções insuportáveis quando começaram as ofensas pessoais. Fui chamada de nazista e fascista por dizer – em um desses posts – que os adultos escondem o desconforto que sentem – por exemplo – quando se deparam com crianças com síndrome de Down ou anões. Enfim, preconceitos velados e disfarçados, de um modo geral, não foram bem aceitos pelos leitores politicamente corretos.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Outra Europa que desperta

POR 
ANTONIO MARTINS  no  outras  palavras

Por Antonio Martins
Em Roma, eles ocupam as reitorias e escalam os tetos das universidades, onde se instalam. Daí, buscam as ruas. Paralisam rotas turísticas (e aeroportos como o Galileu Galilei, que serve Florença). Promovem invasões-relâmpago de monumentos como a Torre de Pisa e o Coliseu – de onde cantaram, em 25/11: “Hoje, nós somos os leões”. Em Londres, fizeram terça-feira (30/11) a segunda grande manifestação em uma semana e se envolveram em mais um confronto com a polícia — sob neve, vento e frio de zero graus. Ocupam 32 prédios universitários, entre eles as administrações das aristocráticas Cambridge e Oxford.
Os estudantes europeus estão de volta. Sua mobilização é resposta direta aos planos dos governos da União Europeia (UE) – que, diante da crise financeira, optaram por cortar direitos sociais e serviços públicos (leia nossa análise e sua atualização). Mas certas as características das novas lutas são marcantes. Recuperam e atualizam, em certos aspectos – irreverência, autonomia, criatividade – elementos da tradição de 1968. Mas as formas de ação rebeldes combinam-se com uma postura que vai muito além da denúncia e do protesto. A resistência aos planos dos governos (corte de verbas e elevação brutal das taxas escolares, em essência) não resulta em defesa da universidade atual.
Ao contrário: os movimentos querem uma reforma universitária – porém radicalmente democratizadora. Articulam-se (especialmente na Itália) com pós-graduandos e pesquisadores, o que dá um caráter multi-generacional a sua ação. A agitação nas ruas é complementada por debate permanente nas universidades e apresentação, via internet, de propostas bem-articuladas de mudança. A campanha não é coordenada por organizações estudantis tradicionais, mas por redes recém-constituídas, que não têm relação direta com partidos e se articulam principalmente pela internet. Fala-se em ação direta, mas não se rejeita o diálogo com a institucionalidade.
Os primeiros resultados são animadores: no Reino Unido, em face da mobilização estudantil, setores do governo de centro-direita vacilam em chancelar, no Parlamento, o ataque aos direitos. Na Itália, os protestos estão ampliando o desgaste do gabinete de Sílvio Berlusconi: o primeiro-ministro pode sucumbir a uma moção de desconfiança que será votada no Parlamento em 14/12.
TEXTO-MEIO
* * *
A investida dos governos europeus à universidade pública é um dos desdobramentos das políticas de “austeridade fiscal” adotadas pela UE no início do ano. Na Itália, uma ampla mudança no sistema educacional, iniciada em 2008 (a chamada “reforma Gelmini”, em alusão à ministra da Educação e Universidade, Mariastela Gelmini) corre o risco de ser piorada pela lei de Orçamento deste ano, que está em votação no Parlamento e promove corte generalizado de recursos.
Implantada abertamente em nome da “competitividade” e da “estabilização das finanças públicas”, a (contra-)reforma afeta o ensino em todos os níveis. Reintroduz a figura do “professor único” nas séries iniciais (eliminando o sistema atual de três professores). Em apelo ao conservadorismo, restabelece a avaliação dos estudantes por meio de sistema decimal de notas. Reduz a diversidade de opões de cursos, na escola secundária. Na Universidade pública, promove fusão de carreiras, restringe o número de vagas, rebaixa os orçamentos para pesquisa, estimula a privatização parcial (convida fundações privadas a participarem do financiamento dos institutos, em troca de direcionamento das atividades universitárias para seus interesses particulares). Para alcançar tais objetivos, reduz fortemente a representação estudantil nos conselhos dos institutos.
No Reino Unido, as medidas são ainda mais cruas. O governo – de coalizão entre o Partido Conservador (direita) e o Liberal-Democrata (centro-direita) anunciou em outubro um corte de 40% no orçamento das universidades públicas. A medida foi apresentada como primeiro passo para implementar as recomendações do Relatório Browne,um documento parlamentar que propõe a retirada de qualquer subsídio público à educação superior.
Coordenado pelo lorde Browne of Madingley, ex-excecutivo-chefe da British Petroleum, o texto prevê transferir para os próprios estudantes o ônus pela manutenção das universidades. As anuidades escolarestriplicarão, se o plano for adiante, passando para 9 mil libras (cerca de R$ 25 mil). Os 3,3 bilhões de libras (R$ 8,8 bi) hoje destinados ao ensino superior desaparecerão literalmente. O sentido geral da contra-reforma foi apontado num artigo do crítico literário Stephan Collini, para a London Review of Books. Trata-se de romper a tradição do Estado do Bem-Estar Social inglês e desqualificar a educação universitária como bem comum – reduzindo-a à condição de um mercado levemente regulado pelo Estado…
* * *
Tanto na Itália quanto no Reino Unido, tais políticas de privatização e corte de direitos dependem do Parlamento. A presença de vasta maioria conservadora nos dois legislativos asseguraria, em princípio, aprovação tranquila. A insubmissão dos estudantes é a surpresa que está modificando o panorama.
Em ambos países, a mobilização tem, além dos protestos criativos de rua, uma cena típica: as dezenas de universidades ocupadas. Na Itália, há uma curiosa divisão de trabalho. Os estudantes tomam os prédios administrativos – reitorias e salas de conselhos, tipicamente. Os pesquisadores sobem ao teto das instituições. Lá, organizam mobilizações e debates. Sua ação é articulada – de modo semi-informal, mas muito eficiente – pela chamada Rede 29 de Abril. Foi constituída numa assembleia nacional de pesquisadores universitários realizada em Milão, na data que dá nome à iniciativa (ver documento de fundação e vídeo do encontro).
Rejeita-se o auto-entrincheiramento. Os prédios ocupadosnão são fortalezas a serem defendidas da polícia,mas bases para centenas de manifestações de rua
A partir de então, deflagrou-se um intenso processo de denúncia da “reforma” Gelmini e, em especial, formulação de alternativas. O site internet da rede deixa claro: “não somos apenas protesto”. Lá, um conjunto de documentos analisa a estrutura da universidade italiana, seus impasses atuais, os possíveis efeitos da proposta do governo e, em especial, as bases para uma saída de sentido oposto. No mesmo endereço, uma seção curiosa, Direto do Tetooferece imagens das mobilizações e… das cidades italianas vistas de cima. Os pesquisadores filmaram, em vídeo, cenas como sua subida à parte mais alta dos edifícios, as reuniões que lá realizam, os debates com personalidades italianas. O teto da célebre Università La Sapienza (em Roma) recebeu, entre outras, as visitas de todos os líderes de partidos da moderada oposição ao premiê Silvio Berlusconi. Os eventos podem ter sido decisivos para levá-los a assumir, no Parlamento, a oposição à contra-reforma.
Já as ocupações estudantis foram capazes de evitar o auto-entrincheiramento – um problema comum, quando se recorre a esta forma de luta (inclusive no Brasil). Os prédios ocupados não são vistos como fortalezas a serem defendidas do Estado ou da polícia, mas como a base para uma impressionante sequência de manifestações de rua. Elas ocorrem quase todos os dias desde 23/11, quando a votação do projeto do governo pareceu mais próxima. Espalharam-se por centenas de cidades.
Sua marca principal não é número – mas diversidade, capilaridade e criatividade. Ninguém espera, convocações centralizadas (embora elas existam, como se verá). Organizados a partir dos institutos que ocuparam, os estudantes promovem cortejos, marchas, rápidas intervenções urbanas (flashmobs). Elas fazem, frequentemente, alusão à cultura, ao saber, ao curso de quem se manifesta. Na madrugada da última terça-feira (29/11), por exemplo, a internacionalmente famosa Academia de Brera (de artes), em Milão, foi ocupada. Na manhã seguinte, os alunos decidiram em assembleia oferecer, à cidade, a cada dia, uma blitz artística e um bloco criativo – conceitos que incluem, entre outras atividades, apresentação de filmes e teatro de rua. Também resolveram substituir as aulas tradicionais por debates sobre a “auto-reforma” da Universidade (terão, para tanto, o apoio dos pesquisadores) e pela instalação de “coletivos de auto-formação”.
Ações como esta multiplicam-se às centenas. Têm em comum pontos como a não-violência, a valorização e garantia do serviço público (em Brera, por exemplo, a ocupação preocupou-se em não interromper o acesso do público ao museu e outras instalações da Academia), a projeção de uma imagem de abertura ao diálogo. Intransigência, ignorância e brutalidade devem estar associadas ao governo, não ao movimento. Este imenso conjunto de iniciativas é coordenado por alguns movimentos, que se articulam horizontalmente, em forma de rede, e se expressam principalmente pela internet.
Entre estes, estão Link (que chama os defensores da contra-reforma de “Ladrões de Futuro” e convoca ironicamente os ainda desmobilizados: “Enquanto você estuda, tua faculdade pode desaparecer”), Unione degli Studenti (“União dos Estaudantes”, onde destaca-se uma área destinada a “Outra Reforma” da universidade), Rete della Conoscenza (“Rede do Conhecimento”, uma articulação entre os dois primeiros, destinada a refletir sobre a mobilização), Uniriot (com um acompanhamento constante das mobilizações e links com o movimento inglês), Unione degli Universitari (“União dos Universitários”, uma confederação de associações estudantis que se vê com sindicato e parece mais corporativista).
A organização da luta é autogestionária,mas os estudantes não ignoram a política institucional.Como garantir direitos sem pressionar o Estado?
A maior parte destas característas está presente com a mesma intensidade nas mobilizações do Reino Unido – mais um sinal de que podemos estar diante de uma mudança de padrão. Em 6 de fevereiro deste ano, reuniram-se em Londres representantes de diversos campiuniversitários onde havia embriões de campanhas contra o corte de verbas e a elevação das anuidades. Lançaram a Campanha Nacional contra Tarifas e Cortes (National Campaign Against Fees and Cuts – NCAFC, em inglês). Como na Itália, não há uma direção estabelecida, mas reuniões (abertas) de coordenação regional nacional.
As ocupações de universidades têm o mesmo caráter irreverente e criativo das italianas (salvo, é claro, pela inexistência de um elenco equivalente de monumentos históricos e paisagens magníficas). Os vídeos disponíveis no site da NCAFC revelam a presença numerosa nas escolas ocupadas; o esforço de auto-formação (teórica e, como seria de esperar num país de enorme musicalidade, em matérias como solidarity dance oufreedom dance); a horizontalidade; a forte participação de imigrantes.
As manifestações de rua são mais centralizadas que na Itália. Houve duas jornadas nacionais até o momento: em 24 e 30 de novembro. Em cada uma, cerca de 150 mil estudantes protestaram, em dezenas de cidades. Em Londres, a polícia reagiu de forma violenta. Em resposta, surgiu a campanha CopWatch (“Observatório da Polícia”), que convida os cidadãos a registrar e denunciar abusos das forças estatais de segurança. Assim como na Itália, os estudantes contam com apoio senior para debate teórico e formulação de alternativas. Na Inglaterra, surgiram redes como Humanities Matter (“As Ciências Humanas são decisivas”). Estimulam a produção de análises sobre o estado e futuro da universidade, a mobilização de apoios entre intelectuais e cientistas, a proposição de outras reformas possíveis.
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Duas semanas de mobilização intensa foram capazes de produzir mudanças notáveis no panorama político da Itália e Reino Unido – e tremores ainda mais importantes podem ocorrer em breve. Isto foi possível, em boa medida, graças a outra característica inovadora dos movimentos, nos dois países. Embora pratiquem e valorizem formas autogestionárias de organização da luta, os estudantesnão voltam as costas para a política institucional. Eles sabem que não será possível preservar ou ampliar direitos sem pressionar o Estado. Os pesquisadores italianos abriram, como se viu, diálogo com a centro-esquerda. Em contrapartida, as sedes dos partidos que mais atuam em favor da contra-reforma (Conservadores, no Reino Unido; Popolo della Libertà-PdL, de Berlusconi, na Itália) estiveram entre os alvos principais das manifestações de rua.
Os primeiros efeitos são visíveis. Na Inglaterra, o glamour inicial da coalizão de centro-direita sofreu forte desgaste. Eleito em maio, o primeiro-ministro David Cameron procurou apresentar-se, nos primeiros meses de mandato, como defensor de uma participação inédita da sociedade civil na gestão do Estado: o plano Big Society. A luta dos estudantes está desvendando a verdadeira face do projeto: reduzir a garantia, pelo Estado, dos direitos sociais; envolver a sociedade não como gestora empoderada de seu próprio destino, mas como administradora de serviços públicos enfraquecidos ou sucateados.
Novas jornadas de luta estão marcadas. Na Inglaterra, em 9/12,para tentar derrotar a contra-reforma no Congresso.Na Itália, tenta-se, em 14/12, derrubar o governo Berlusconi…
As críticas à privatização da universidade, e em especial à triplicação das anuidades escolares, ameaçam provocar uma primeira crise no governo. Embora ainda dividido, o Partido Liberal-Democrata, sócio menor na coalizão no poder, ameaça abster-se na votação sobre a contra-reforma universitária. Nesse caso, ela poderá ser derrotada se forte pressão popular reverter o voto de cerca de vinte parlamentares do Partido Conservador.
Na Itália, a crise é ainda mais grave. No final de novembro, em meio ao início dosprotestos estudantis e após meses de desgastes, a coalizão liderada por Silvio Berlusconi sofreu uma cisão. Um bloco liderado pelo deputado Gianfranco Fini, presidente do Parlamento e aliado histórico do do primeiro-ministro, deixou o PdL para formar um novo partido, denominado Futuro e Liberdade.
O governo perdeu a maioria absoluta e agora depende de negociações com outras forças, para passar qualquer medida no Legislativo. Em 30 de setembro, a contra-reforma Gelmini foi aprovada pela Câmara (devendo voltar ao Senado). Um dia depois, porém, deu-se reviravolta espetacular. Os partidos que se afastaram de Berlusconi propuseram uma moção de desconfiança contra o premiê. Ela paralisa a atividade legislativa até ser submetida ao voto dos deputados – em 14 de dezembro. Caso majoritária, provocará a queda do governo e reembaralhará o cenário da política institucional. São possíveis, inclusive, eleições antecipadas, em especial na hipótese, bastante plausível, de a crise financeira europeia expandir-se e atingir com força a Itália (já há sinais dessa contaminação desde a virada do mês).
O novo movimento estudantil captou rapidamente os tremores e a oportunidade que eles oferecem. No Reino Unido, uma terceira jornada nacional de grandes manifestações de rua está marcada para 9 de dezembro – o dia em que o Legislativo votará as medidas de privatização e aumento das anuidades universitárias. “Marcha sobre o Parlamento: nem cortes, nem taxas. Garantir os serviços públicos e tributar os ricos”, anuncia o cartaz mais recente do NCAFC.
Na Itália, os estudantes estão servindo de fagulha para uma grande mobilização popular que pressionará o Parlamento pela queda do governo, em 14 de dezembro. Ela está atraindo velozmente a adesão dos movimentos sociais, após anos de letargia. “Retomemos o futuro”, convoca a manchete principal no site de Uniriot. E explica: “A força e radicalidade de centenas de milhares de estudantes nas ruas está vencendo. Agora, façamos cair o governo”.
Em termos gerais, a Europa permanece aturdida e em regressão. Ao contrário do que ocorre em outras regiões do mundo, os governos decidiram reagir à crise internacional com políticas de “ajuste fiscal” que concentram riqueza e reduzem direitos. Os seguidos fracassos desta decisão (quebra da Grécia e Irlanda, tormentas financeiras iminentes em Portugal e Espanha, dificuldades à vista na Itália e Bélgica) não foram capazes de fazê-los enxergar a realidade. É animador saber que a resposta vem das sociedades – e com as cores e potências da inovação, autonomia e nova cultura política.







Antonio Martins

Antonio Martins é Editor do Outras Palavras